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2.5.17

Aula de francês: quem é o “Macron” brasileiro para 2018? Marina? Dória? ...?

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Aula de francês: quem é o “Macron” brasileiro para 2018? Marina? Dória? ...?



Por Romulus

A eleição deste ano na França tem vários pontos de contado com o confuso momento político brasileiro, como tenho feito questão de ressaltar na cobertura que faço dela.


Não podia ser diferente. O pano de fundo é o mesmo:


- O divórcio entre os mecanismos da democracia representativa clássica e a sociedade, por terem sido, até o momento, incapazes de dar uma resposta às consequências conjunturais da crise econômica mundial e estruturais do modelo neoliberal globalizante.


No macro, as disputas políticas a partir daí estão mais para “roupagens” episódicas, país a país, de três vertentes maiores de “respostas” à crise:





(1) Aqueles que apregoam que o problema foi “pouco” liberalismo, defendendo ainda mais “reformismo”: liberalização selvagem do mercado de trabalho, do comércio (hoje mais pela via de acordos bilaterais que na OMC) e austeridade.


Ou seja: aumento da competitividade internacional via dumping social.


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Numa race to the bottom (“nivelamento por baixo”) entre todos os países.


(2) Os “soberanistas”...


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... em geral advindos dos extremos do espectro político (extrema-esquerda e extrema-direita), que advogam o término e até mesmo o desfazimento da liberalização implementada pelos representantes do grupo (1); e


(3) Os que ficam no meio do caminho. Sejam céticos, pragmáticos, moderados, conciliadores, centristas...


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Notem:


Como diz o meu amigo Ciro, a direita (liberal) tem um programa...


Horrível, mas tem: o neoliberalismo (globalizante).


A esquerda, hoje, não.


O que a faz cair ou para um neoliberalismo “envergonhado”, “mitigado”...


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... ou para a resposta soberanista.


- Bis:

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*


Na França, a população levou – até a boca da urna! – 4 candidatos em empate técnico (!) que se encaixam nesse figurino:


- Um de direita, equivalente ao (1) (Fillon);
- Um de extrema-esquerda e outra de extrema-direita, equivalentes ao (2) (Melénchon e Le Pen); e
- Um que se coloca como “centrista”, nominalmente “(3)” portanto, mas que está muito mais para (1) “envergonhado”.


Esse último, Emmanuel Macron, é quem deve sair eleito no próximo domingo, na votação do segundo turno.


(salvo uma enorme zebra, caso a abstenção seja colossal. O que não pode ser descartado, mas é muito remoto, já que as pesquisas dos diversos institutos oscilam, para cima ou para baixo, mas sempre próximo do patamar de um 60/40%)


*


Muitos me perguntam quem seria o “Macron” no Brasil...


Olhando no macro, ou seja, abstraindo a “pessoa física”, estaria mais para Marina:


- Alguém que saiu da esquerda, assumiu um programa de direita e se vende como “o novo”...


- ... porque não é “nem de esquerda, nem de direita”, mas “de esquerda ~e~ de direita”, porque “vai combinar o melhor dos dois mundos”.


Parece vago?


Pois é para ser mesmo...


Um pacote de vento, embalado por uma bolha midiática, para esconder no recheio um neoliberalismo “que não ousa dizer o próprio nome”.


Já outros veem Macron como um modelo válido para... Doria.


De novo, abstraindo as “pessoas físicas” (cuja distância seria medida numa escala cósmica!), haveria:


- A (auto) alegada – e (auto) propalada – “meritocracia” do agente;


- “Notório saber ~técnico~” (aspas!), a dar respaldo na ausência de experiência político-administrativa; e (justamente)...


- A (auto) alegada distância dos “velhos” partidos e da “velha” política, por virem “de fora do sistema”.


*


Nichos


Macron viu que havia um vácuo no “centro”, o item (3) lá de cima, pela falta de candidaturas competitivas nesse campo.


Vendeu-se, portanto, como um desses (com a ajuda decisiva da mídia).


No entanto, como observei aí em cima, está mais para um (1) (neoliberal globalizante) “envergonhado”, a ser descoberto...


- ... no dia seguinte à posse!


Já Dória parece jogar na ~antiga~ polarização, querendo se marcar mais pela negação, o “anti-Lula”, do que propriamente pela afirmação de qualquer coisa (um “pós-Lula”).


Assim como havia um vácuo no centro para Macron, há um vácuo à direita para Dória, com a implosão eleitoral dos velhos tucanos (com Odebrecht e congêneres).


Dessa forma, a sua (auto) caracterização como o “anti-Lula” faria até sentido politicamente.


O problema é que, dado o fracasso retumbante da resposta liberal (do molde (1)) à crise, devidamente imposta goela abaixo pelo golpe no Brasil, é difícil que Dória possa cavalgar o mesmo “vazio programático” e a mesma bolha midiática que levam hoje Macron ao poder.


Isso porque:


(a) seu programa não está “vazio” (é o “programa do PT multiplicado por (-1)”); e


(b) a grande mídia, por absoluto abuso dos seus meios, por um período longo demais, ~saturou~.
E, assim, perdeu o controle absoluto da narrativa.
(o que se reflete nas pesquisas de intenção de voto com Lula na cabeça, p.e.)


Isso – dessensibilização da população, pela saturação, ao discurso único da grande mídia – também deve ocorrer na França...


Mas provavelmente só em 2022.


Ou seja: em 2017 dá Macron e o cara a cara, fatal!, com Le Pen fica adiado para daqui a 5 anos.


*


Já no Brasil, diria que não há ainda o “Macron” de 2018:


- Um pacote “neutro” (de preferência vazio) pronto para ser embrulhado e vendido pela mídia.


Poderia ser Marina (vazia...), mas ela é incapaz de aguentar o tranco, a pobre...


Poderia ser um “candidato da Lava a Jato”?


Ou Bolsonaro, p.e.?


Não creio, por não ser neutro: já nasce com a rejeição da esquerda (o que, em princípio, não impede vitória em majoritária).


Mas isso dá algumas dicas:


- O espaço ao centro para Macron surgiu, justamente, diante da polarização radicalizada da sociedade francesa.
Com o fracasso das respostas à crise e ao neoliberalismo, a sociedade foi empurrada para os extremos: (a) direita “dura” – seja Le Pen, seja Fillon – e (b) esquerda “de verdade” – seja Hamon, seja Melénchon;


- Diante da mútua rejeição de um extremo pelo outro, num contexto de pesquisas eleitorais divulgadas diariamente, ciclo de notícias de 24h e redes sociais (acelerando sobremaneira movimentos de opinião), o voto útil já se inicia ~muito antes~ de se chegar à cabine de votação....
Ocorre ao longo de toda a campanha... com um vai-e-volta contínuo, em resposta às pesquisas (um perigo!).


- Assim, como Marine Le Pen e Fillon eram “insuportáveis” para os mais à esquerda, e Melénchon e Hamon eram “insuportáveis” para os mais à direita, partes significativas dos dois eleitorados aceitam - com a ajuda providencial da mídia! – votar, “de nariz tapado”, em um que, se não agrada a nenhum deles, ao menos não lhes é “insuportável”.


Essas franjas “volúveis” (que veem pesquisas e fazem voto útil em resposta), somadas à parcela realmente centrista do eleitorado, levaram Emmanuel Macron ao primeiro lugar na votação de primeiro turno.


E agora, ganhando ~majoritária~, devem elege-lo no domingo...

- ... Presidente da França!


*


Conclusão


O “Macron” do Brasil de 2018, se houver, é aquele que fica no meio, “entre Lula e Bolsonaro”.


E que não é “insuportável” à totalidade dos eleitores de nenhum dos dois.


Dória não se movimenta para se encaixar nesse figurino, como todos constatamos facilmente:


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A um “candidato da Lava a Jato” também parece ser difícil não ser “insuportável” ao eleitorado lulista.


Marina, como disse, tem o requisito de ser vazia (ao menos em termos programáticos...).


Mas, também como já observei, de tão vazia não aguenta o tranco.

*


Provocação


Quem será então o “Macron” brasileiro?


Outro candidato, ainda a surgir?

Hmmm...


De repetente, quem sabe...


- ...o próprio Lula?!


O Lula...


Que de “radical” nunca teve nada...


Parece-se muito mais com a definição da terceira via (opa!) aí de cima:


(3) Os que ficam no meio do caminho. Sejam céticos, pragmáticos, moderados, conciliadores, centristas...


Sim, ele é empurrado para a esquerda - no discurso e no nicho eleitoral mais restrito que passa a ocupar - quando apanha do establishment...


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Mas nada que não possa ser retrabalhado para reconquistar o 1/3 “centrista” do eleitorado (ao menos parcialmente), não é mesmo?


Só falta...


- ... ~combinar~ com o establishment?


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*


Outro artigo, mais elaborado, sobre como o establishment - via mídia e Judiciário - conduziu a eleição na França:


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Artigo de ontem sobre o tema "Macron vs. Doria" que saiu na Folha


(um tanto condescendente com o "fenômeno" Macron)



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Atualização:

- a dificuldade de debater sobre... o nada.



- a dificuldade de apoiar... o nada.










- A utilidade eleitoral do "espantalho" para... o nada.



- a "facilidade" de não precisar se eleger

(quer dizer... no sufrágio universal de uma democracia liberal... porque um "colégio eleitoral" tem lá também...).




- Liberais, soberanistas e centristas... é só isso mesmo?!



- Prêmio Nobel se manifesta: "não use meu nome (mesmo que não "em vão"), Marine!"




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Achou meu estilo “esquisito”? “Caótico”?


- Pois você não está só! Clique na imagem e chore as suas mágoas:


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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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