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Estado brasileiro na encruzilhada. Já sabemos o que a Globo quer... e você?

Atualizado em 7/12: O <<juízo final>> no STF hoje Queria poder dizer que criei esta montagem, mas não......

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24.5.17

Como Globonews e CBN criaram o “coxinha”

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Como Globonews e CBN criaram o “coxinha”



Romulus: Parênteses: hoje (5a feira 18/5, dia seguinte à divulgação do áudio do grampo em Temer) fiquei o dia todo pendurado na Bandnews, por conta dessa bomba. Fazia anos que não ouvia coisas do gênero, como CBN (que tava fora do ar hoje).

É impressionante como essas rádios de noticia são "para yuppies":

- Todas têm "colunista de vinhos"; "investimentos no mercado financeiro"; “alta gastronomia"; "viagens"; “empreendedorismo e startups”; "fitness" (sim: em inglês!); “comportamento (descolado)"; etc.

Não é à toa que a classe média brasileira - ouvindo isso 24h por dia (no carro, na sala de espera do dentista, no táxi...) - passou a se achar "empreendedor", "investidor", "sofisticado".

"Muito diferente do povão", né... fala sério!

O que eles não veem é que não valem o que eles pensam que valem "em dólar".

O valor deles é diretamente proporcional ao da economia brasileira.

Eles não são "tradable".

Não podem ser exportados: só o Brasil os compra “pelo valor de face”.

Dessa forma, eles não vão bem se o Brasil for mal.

E aí não podem mais viajar pra Miami com tanta frequência...

Não por acaso, cada grande desvalorização cambial causa um enorme ódio na classe média:

- Da noite para dia ela “descobre” que não vale o que ela achava que valia... “em dólar”.

O novo câmbio, baixo, é o choque de realidade que a acorda do sonho...

- ... do sonho ~americano~, bem entendido!

E a nova viagem à Disney, no câmbio desfavorável, esfrega isso, dolorosamente, na sua cara...

De maneira inexorável...

Como só números sabem fazer:

- Você não vale o que você achava que valia...

E é nessa hora que ela se dá conta de que o seu bolso é diretamente proporcional ao - “maldito!” - Brasil.

Sim...

O Brasil daquela gentinha “indolente”, “morena” e nada “refinada”.

Que não sabe harmonizar vinhos, não lê livros sobre “liderança” e que – imagina! – está a anos luz da nova série-fenômeno do Netflix...

Também pudera: nem falar português direito eles falam... que dirá ver série em inglês!

Piada, né?

*

Entendem como o choque cambial é dolorido?

De uma hora para a outra a classe média é lembrada, sem muito tato, de que ela está mais para “aquela gentinha” do que para um...

- ... americano!

“Ninguém merece”, né??

Mas é a verdade, ora!

Aceita que dói menos:

- Você, classe média, vale tanto quanto o Brasil – no seu conjunto!

Se ele, como um todo, vai bem, você vai bem...

Se ele vai mal, você vai mal!

*

Problema:

Com o austericídio da “PEC da Morte” - mesmo que focado quase que exclusivamente no povão - não tem como o Brasil – no seu conjunto – ir bem.

Por isso:

Tsc, tsc, tsc, classe média...

*

To divagando, mas enfim...

Dá pra entender em parte o fenômeno "coxinha" ouvindo essas rádios de notícia 24h e a Globonews.

De novo:

- Com "colunista de vinhos" (importado$!); "investimentos no mercado financeiro" (“compro dólar?”); “alta gastronomia" (a “trufa” também é importada, sabe...); "viagens" (em dólar!); “empreendedorismo e startups” (igualzinho à Califórnia!); "fitness" (sim: em inglês!); “comportamento descolado (ou seria “cool”?)"; etc.

*

Ciro: Cara, você vê 4 horas de Globonews por dia e vira um “democrata eleitor da Hillary”. É inevitável...

Romulus: E lógico: linha editorial econômica é a da Febraban. Nas vozes de Miriam Leitão, Sardenberg e cia.

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Com o discurso:

- Isso beneficia você, (projeto de) yuppie!
Malandrão...
Agora você é um ‘investidor’ da Bolsa!
Uau!
E tá no caminho do ~sucesso~ com os preciosos ensinamentos de obras seminais como:
- “Pai rico, pai pobre”;
- “O Segredo”; e
- “O monge e o executivo".
Já sabe “se vender”, “liderar” e... “empreender”!
Com um arsenal desses ninguém $egura!

E, é claro, na entrada e na saída do quadro daquele colunista econômico na rádio:

- Comercial da corretora!

(“num oferecimento da XP investimentos”)

Sim porque o grosso do dinheiro do (projeto de) yuppie vem de especulação na Bolsa...

E não do salário dele no fim do mês (!)

E, consequentemente, do emprego dele...

Do tra-ba-lho!

(“essa coisa vulgar”)

Portanto, o seu bolso depende MUITO mais de o seu emprego continuar existindo...

Do que de quanto subiram as ações da Vale e do Itaú no trimestre.

Dessa forma, o (projeto de) yuppie depende ~muito mais~ de a economia real ir bem...

Do que de o “Mercado” ir bem.

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*

Ciro: To cheio de colegas, funcionários públicos, defendendo reforma da previdência e reforma trabalhista...

Tenho um inclusive que virou comentarista político de Facebook e ontem estava absolutamente em pânico porque o grampo no Temer ia “tirar o país do caminho das reformas e do crescimento”.

Funcionário público!

Que se falar em privatizar o setor dele dá um chilique... mas, fora isso, quer mais é que privatizem o mundo inteiro...

Patricia: Fala aí a diferença de produção com a TV europeia.

Romulus: Pat, a gente reclama pacas (com razão) das rádios e TVs daqui da Europa... mas não tem comparação, né?

As "reportagens" do jornal da Band eram verdadeiros editoriais. Buscando traduzir em "povãonês" um mantra:

- “político é safado... seu inimigo!”; “a Justiça é mara!”; “as Reformas iam salvar o Brasil... não permita que te tirem - de novo! - do caminho”.

João Antônio: Eu disse isso antes. Essas rádios são muito piores que a TV. No interior não tem tanto coxinha por não ter essas rádios, mesmo tendo TV. Isso é um câncer. TV de notícias tem o mesmo efeito, mas só na classe média...

Ciro: Romulus, traduzindo é assim: "Não pode ter Estado porque, se tiver, eles vão roubar"...e isso tá colando na população.

Mas é esse o mundo com que eles sonham. Um mundo em que Armínios Fragas debatem política pública e que a população fica devidamente afastada de qualquer influência no processo decisório, só escolhendo se mandará o Fraga ou o Meirelles.


Afinal de contas, como eu tenho de ouvir todos os dias e me segurar para não rir: "economia é uma ciência exata"...

Hahaha

Patrícia: Concordo. Antigamente tínhamos pequenos comerciantes, autônomos, profissionais liberais...

Pessoas que tinham um tipo de comércio pequeno ou escritório, consultório...

E que, assim, empregavam algumas pessoas (além da doméstica em casa, é claro!).

Eram tão povo quanto os trabalhadores ou, ao menos, se achavam a parte superior do... povo.

Hoje essas pessoas se consideram “empresários” e se acham “importantíssimas” porque geram... esses empregos.

Ainda acham que só elas trabalham nesse país...

E consideram a classe trabalhadora desprezível: “sempre querendo passar a perna no patrão".

Romulus: E "mamar no Estado”!

Estado esse que são elas, pessoas “de bem”, as que “trabalham duro”, que sustentam...

- ... “com esses impostos altíssimos... uma injustiça absurda!”

- Impostos que, “quando não roubados pelos malditos políticos, são gastos com esses vagabundos aproveitadores...”

- “Vagabundos esses que, reduzidos à sua torpeza clientelista, mantêm esses mesmos ladrões no poder”...

- “Ambos se aliando para, juntos, roubar a riqueza criada pelo Brasil que trabalha”...

- “Num ciclo sem fim de roubalheira institucionalizada!”

*

"Hunf..."

- “Brasil de merda! Como eu queria poder morar em Miami!”

*

Ou seja: a classe média está no 99% mas se crê mesmo no 1% - e, por isso, sustenta socialmente o interesse econômico do... 1%.

No genial dito que circula pela internet:

A classe dominante não tem ódio.
A classe dominante tem astúcia.
O ódio ela terceiriza e não se expõe.
O que não falta são Bolsonaros (e Bolso-minions!) para defendê-la.

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"Wall St." - tão perto... e tão distante...






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Atualização 6/6/2017:




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- <<Como Globonews e CBN criaram o “coxinha”>>

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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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