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27.4.17

Eleição na França: “novidade” - posicionamento político de extremo... centro?! (3/3)

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Eleição na França: “novidade” - posicionamento político de extremo... centro?!

(Parte 3 de 3)



- Emmanuel Macron: um candidato de extremo... centro??


- Rapidamente ganhou um apelido dos adversários: "monsieur en même temps"... aquele que tenta conciliar tudo... que concorda um pouco com todo mundo. Mas que não concorda totalmente com ninguém, porque ele é...
... “o novo”!


- Ah, bom, Monsieur Macron!


- Analistas anotaram armadilha que o próprio candidato se impunha, ao se propor a "complexificar" o debate político: sempre matizando suas próprias “afirmações”.
Dizendo: "de um lado tem isso aqui... mas do outro tem aquilo acolá, e ambos são contraditórios. Temos que contemplar as duas coisas, igualmente importantes, ~ao mesmo tempo~ ".


- O slogan da social-democracia alemã bem descreveria Macron: "o mercado tanto quanto ~possível~; o Estado sempre que ~necessário~”.


- Muito bem, Monsieur Macron! Mas... o que exatamente quer dizer “possível”?
E, mais importante ainda, “necessário”?


- Desconfio que entre a ~minha~ definição e a ~do senhor~ passa boi, passa boiada... 😒


- E quem decide a parada?
Um ~economista~, com matemática e gráficos?
Ou um ~político~, que vai decidir, fazendo...
~politica~ ??


- Corolário: não existe preto ou branco, mas sim infinitos tons de cinza ~a se escolher~. E o que interessa - em política - não é sequer o tom de cinza "pessoal" do político, mas sim aquele que ele ~viabiliza~ na sua arbitragem dos conflitos... na sua... "presidência".


- E para fechar, a “verdade inconveniente”: saindo governo, entrando governo, mesmo para fazer “mais do mesmo” existem níveis diferentes de sensibilidade social... e de competência!




*


Resumo sumaríssimo do programa de Emmanuel Macron (segundo o candidato):


- "Liberdade": libertar os talentos e as potencialidades dos franceses que ~podem~ ...


(desregulamentar, de maneira selvagem, por decreto!, o mercado de trabalho)


"mais en même temps"...


- "Fraternidade": proteger aqueles que ~não~ podem (na lei da selva instalada).


*


Complexificação do debate político


Analistas anotaram armadilha que o próprio candidato se impunha, ao se propor a "complexificar" o debate politico (ainda na campanha!): sempre matizando as suas próprias afirmações. Dizendo: "de um lado tem isso aqui... mas do outro tem aquilo acolá, e ambos são contraditórios. Temos que contemplar as duas coisas, igualmente importantes, ~ao mesmo tempo~ ".




Isso é desejável em um homem público...


Mas não é esperado de um... ~candidato~


Evidentemente, os marqueteiros adversários não perdoaram e criaram o apelido "monsieur en même temps":


- Aquele que tenta conciliar tudo... que concorda um pouco com todo mundo (mas não concorda totalmente com ninguém).


Reparem nas gargalhadas que o candidato nanico François Asselineau arranca de Marine Le Pen ao dizer, em debate, a Emmanuel Macron que "ele sempre concorda com todo o mundo".





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(Quem mais ama grandes tiradas em debates?? _o/)


Pois pensa que Macron passou recibo?


Que nada... mostrando que tem a melhor equipe de comunicação (e talento individual, admitamos), fez - de novo, como no boato de que seria um gay enrustido - do limão uma limonada:


- Apropriou-se - ele mesmo! - do Monsieur "en même temps".


Quand Macron ironise sur son tic de langage « en même temps »
BFMTV.COM




Patricia: Romulus, ai temos visões bem diferentes. Não acho q essa contradição dele seja ligada à complexidade das questões politicas. Eu fiz parte do comitê internet de Hamon e eles tiveram a manha de enumerar todas as questões em que ele afirmou uma coisa no começo da campanha e falou o contrario no final. Pra quase tudo. Ele fez o seu primeiro comício, histérico...




... depois de aulas cênicas ele aprendeu a controlar a voz, os gestos.


Se um macaquinho pode ser amestrado imagina um homem-lobo mais q ambicioso sob um terno azul marinho, como disse Pepe Escobar?


No começo da campanha achava ele um geniozinho, coquin - como dizem aqui. Quando ele mostrou seu programa real, a coisa desandou. Se ele foi considerado alguém de centro esquerda que podia fazer parte do PS, seu programa é mais liberal q Alain Juppé (candidato nas primárias da direita), que tinha uma proposta bem mais socialista q esse moço aí. Ele é um playboy “meritocrático” do tipo que fala com vc. olhando se tem alguém mais importante do lado pra ajudar no interesse dele. Peguei asco desse cara. Ele é um boneco que encarnou todo o neoliberalismo na pele. Tant pis pour la France!


Vc. é coerente com seus princípios. O mocinho aí é capaz de vender a mãe pra chegar onde quer.


Romulus: tudo q vc. falou é verdade, Pat. Como vc. sabe, minha visão do "fenômeno Macron" é bem parecida com a sua.


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Sim, evidentemente o "en même temps" dele tem um que de estratégia sim... mas o próprio "neoliberalismo envergonhado", "progressista", dele, mostra que ele tenta ficar em cima de um... muro.


A "complexificação" do discurso politico ajuda ele a não se definir por nenhum dos lados do muro - pelo menos por enquanto, na campanha...


Mas a "complexificação", per se, é uma virtude num homem publico.


Ele pode, de fato, estar neste momento instrumentalizando-a... usando de escudo para o seu descompromisso programático com qualquer coisa.


*


Por que a “complexificação” seria virtude?

Rapapés, salamaleques e jargões para “iniciados”??

Nada disso: o Lula, falando para o povão, é o rei da "complexificação"!


Patricia: Porque a complexificação da politica é uma virtude? Politica já é um troço difícil, se o homem politico ñ a torna acessível a todos ele quer q a linguagem só seja entendida pelos iniciados. Ou seja a minoria do planeta q ousa gastar seu tempo livre a compreender ou tentar compreender essa coisa toda! Assim como ñ acho uma virtude economista "frimer" com a modelos matemáticos pra prever o comportamento humano. Nenhuma diretriz dele é realista, pelo menos no plano social. Nem na sua campanha ele se misturou com o povão. Ele é como aquele economista do seu outro artigo, que olha o mundo por trás da sua situação de burguês extremamente bem-sucedido que acha que chegou lá por esforço próprio.


Romulus: "Complexificar" não é falar em "jargão" para os "iniciados". É, isso sim, considerar todas as variáveis da politica e da economia com a maior objetividade possível, tentando conciliar objetivos contraditórios... as vezes antagônicos. É bem resumido pelo "en même temps" do Macron - que de fato ~abusou~ da "complexificação" na campanha, como biombo, fumaça, para não se comprometer com nada.


Traço aqui fulminado por Marine Le Pen, em debate do primeiro turno:


- "punch line" de Le Pen sobre Macron - "é o vazio absoluto... capaz de falar por 6 minutos sem que se retenha qualquer coisa da sua fala":







Mas a "complexificação" em si - não a cenográfica do Macron - é virtuosa na politica.


<<O nosso Lula é um mestre da "complexificação" - e sem nenhum "jargão de iniciados"...>>


Pelo contrario:


- Fala direto ao povão, na sua língua, como nas suas geniais metáforas futebolísticas.


A "complexificação" é o que permite a conciliação.


E, pro bem e pro mal, o Lula é "o" grande conciliador da politica.


Resta ver se o Macron também o será... ou se era só fantasia pra esconder "o lobo com a pelo de cordeiro" do Pepe Escobar.


Ou seja: a dúvida é se ele é mesmo um lobo vestindo pele ou se é uma...


- ... "cruza" de lobo com...


- ... a vaca!


E, caso seja uma "cruza", resta ver o que ele considera o "ponto ótimo" da conciliação entre objetivos contraditórios, às vezes antagônicos, como a sua “fórmula”, que não diz nada:


- "Liberdade": quero libertar os talentos e as potencialidades dos franceses que ~podem~ ...


(desregulamentar, de maneira selvagem, por decreto!, o mercado de trabalho)


"mais en même temps"...


- "Fraternidade": quero proteger aqueles que ~não~ podem (na lei da selva).


O nível de proteção "adequado" aos que não vencem na competição selvagem liberal, que ele quer fomentar, é enormemente subjetivo...


Ou seja: o ponto ótimo que permite a realização máxima dos dois objetivos contraditórios ao mesmo tempo, sabendo-se, desde já, que é impossível ~os dois~ se realizarem ao mesmo tempo ~a 100% ambos~ .


(o que em Direito chamamos de ~ponderação~ de princípios... algo sobre o que o Barroso escreveu na sua tese de livre docência e é considerado "referência". “Faça o que eu digo, não o que faço”, né?)


Ou seja: num gráfico "econômico" temos que encontrar o ponto em que as duas curvas se cruzem ~sendo que~ a área interna que formem seja ~a maior possível~ , maximizando a realização dos dois princípios...


- "en même temps"!


(mas sabendo-se - e aceitando-se - de antemão que não poderão se realizar, nenhum deles, a 100%)


Como sabemos todos, a "objetividade" dos gráficos econômicos é uma falácia (engajada), porque a matemática, em toda a sua elegância, não traduz o fenômeno social perfeitamente - em toda a sua... "deselegância".


Portanto, como disse, há muito espaço para subjetividade e discricionariedade na escolha do tal do "ponto ótimo" do cruzamento das curvas.


E é ao revelar a sua subjetividade e as decisões que fará discricionariamente ao ponderar os objetivos contraditórios que saberemos que "bicho" Macron é.


(Esse papo aqui tá muito bom... Obrigado, Pat, por me confrontar - sempre faça isso! - e me obrigar a descrever melhor como vejo o Macron)


O François L'Anglet (colunista econômica da TV pública francesa que vocês já conhecem) no “Journal de 20h” fez o cumulo do "en même temps” ao descrever a linha de Macron na Economia:


"De direita ~e~ de esquerda"... vejam:


- Suas medidas são as mesmas de Fillon, da direita. A única diferença é a ~intensidade~ da sua aplicação.


"Mais en même temps..."


- Fora da configuração política “particular” da França, Macron poderia ser considerado um... social-democrata! Tranquilamente no restante da Europa seria assim...


Ou seja: o motto do SPD alemão lhe descreve muito bem: "o mercado tanto quanto possível; o Estado sempre que necessário".


Como falei aí em cima, isso - na tese e não na prática - não quer dizer na-da.


O que é "possível"? O que é "necessário"?


- É um ~economista~ quem vai nos responder com matemática e gráficos?


Ou é um ~político~ que vai decidir, fazendo...


- ... ~politica~ ??


(E que político seria esse? (1) um ~representativo~, com o voto majoritário no sufrágio universal, mas (2) refreado, legal e institucionalmente, para que não atropele as minorias. Ou seja: tudo o que ~não~ se tem no Brasil de hoje... nem um, nem outro!)


Sim... fazer política, conciliar, com limitações, sujeito à correlação de forças da sociedade em dado momento, todos sabemos...


Mas também (“en même temps”?) imprimindo na soma dos vetores os seus ~valores~ (e os de seu governo) e, em alguma dose, até mesmo uma carga da sua subjetividade na "resultante final".


Para onde vai apontar a seta de Macron?


Ou melhor, a seta ~sob~ Macron?


Ciro: Essa disputa está mais para, no contexto brasileiro, Marina vs. Bolsonaro. Até no vai-e-vem da Marina, aquela terceira via que nada mais é do que mais do mesmo, mesmo e mesmo. Só resta saber se o mais do mesmo será mais competente do que o Hollande. E sim...


<<mesmo para fazer mais do mesmo
existem níveis diferentes de
sensibilidade social ...
e de competência!>>


Mas não espero muita coisa não...


E não vamos nos esquecer, o programa do Temer foi gestado durante o governo Dilma. Não se iludam, a Dilma faria ajuste fiscal, reforma da previdência, teto de gastos, todas essas coisas. Só provavelmente não faria na mesma intensidade que o Temerário faz (muito embora logo no início ela tenha preferido o Levy mais radical ao então mais moderado Meirelles, que era o preferido do Lula).


E, o principal de tudo, a Dilma não tinha pressa de trazer a inflação para o centro da meta simplesmente para satisfazer uma reputação de "austera" nem que para isso fosse necessário mergulhar o país na maior recessão de todos os tempos e ainda vender isso como uma coisa boa com a famosa frase da GLOBONEWS:


- Desesmprego e recessão derrubam inflação e retomam o poder de compra da população...


Ou seja...


<<nós aqui estamos vivendo na pele a diferença que é possível entre dois programas que no fundo são mais do mesmo, mas que são aplicados em intensidade extremamente diferente>>


Fato é que a esquerda, desde a queda do comunismo, não foi capaz de gerar nenhum programa econômico. O discurso se mantem estritamente o mesmo, ao ponto de brincar que ganha eleição a esquerda e governa a direita (e boa parte dos melhores governantes de esquerda fez exatamente isso - Lula, Morales e Mujica).


A direita inventou um - que é um desastre e só gera mais destruição e desigualdade e leva a um novo feudalismo em que a vassalagem não é mais feita por armas mas por debentures e financiamento de campanhas dos reis.


Maria: Quanto mais pipocam esses fragmentos de uma inside view dos políticos e da campanha, mais interessante me parece o debate. Concordo que a "complexidade" de pensar política de um lado et en même temps de outro é essencial para um político entender uma situação por inteiro antes de fazer uma escolha ou tomar uma decisão. Usar isso como discurso de campanha é pura má fé pra não se comprometer com nada.


Mesmo se já fosse presidente em exercício, usar isso como "recurso intelectual" para falar de um problema ou justificar uma decisão para o povo - que o elegeu e de quem é mandatário - continuaria a ser má fé, e não virtude. Como diz a Patrícia, a política já é suficientemente complexa pra não precisar da complicação extra desse "recurso intelectual".


Não se trata de "simplificar" um problema, mas de explicar a sua "complicação" de forma clara e inteligível para todo mundo. O que mais me impressionou no Melénchon foi essa capacidade de falar até de "filosofia" (!) e todo mundo entender do que se tratava, de um jeito que até me lembrou o Lula (!).


Romulus diz que me encantei (e me enganei) com ele pelo que disse, esquecendo o que deixou de dizer. Pois continuo acreditando que, numa campanha, falar de todas as coisas, ao mesmo tempo, e na "boa" ordem é uma impossibilidade, que só cria um confusionismo deliberado e de má fé como o do Macron, segundo você diz. Se fosse pra cobrar o que ele "não disse", eu faria isso ao seu governo, não à sua candidatura, cobrando - inclusive como oposição, se preciso - a explicitação do não dito, a explicação da contradição, se houver, e a obrigação de fazer, se era necessário e implícito no programa e na campanha.


Romulus: Maria, mais uma discordância nossa então. Você diz:


Mesmo se já fosse presidente em exercício, usar a "complexificação" como "recurso intelectual" para falar de um problema ou justificar uma decisão para o povo - que o elegeu e de quem é mandatário - continuaria a ser má fé, e não virtude.


Falar a verdade, que...


<<Não existe preto ou branco, mas sim
infinitos tons de cinza ~a se escolher~
pode não ser “sabedoria” política,
justamente pela honestidade excessiva
de não recorrer ao
(coringa político do...)
"nós contra eles">>


Mas "má fé" eu realmente não consego identificar não...


Estamos falando dele hipoteticamente, governando, tomando decisões e, potencialmente, explicando:


(1) a gradação de "cinza que escolheu"; e


(2) que pressões o puxaram - "ao mesmo tempo" - para um lado ou para o outro.


Seria, no exemplo do Ciro, a Dilma explicar com clareza por que escolheu o Levy e não o Barbosa pra Fazenda - revelando as pressões dos lados opostos - o que ela nunca fez.


Seria, até mesmo, o Lula "complexificar" e dizer que...


<<o preço para ~deixarem~ ele fazer
Bolsa Família, salário mínimo e ação
afirmativa foi ele entregar a Fazenda
(Palocci!) e o Banco Central
(o mesmo Meirelles!)
ao mercado financeiro>>


Mesmo tendo recebido o tal "mandato do povo", a que você se refere...


Diferentemente do Macron, segundo você...


- ... o Lula seria virtuoso politicamente porque fez ~essa~ "complexificação" sim, mas...


- ... “no escurinho”?


- Porque ~conciliou~ ... no gabinete?


- Enquanto que o Macron usaria de "má fé" ao complexificar... justamente para quem lhe deu o ~mandato~ (e não um cheque em branco)?


(ou melhor: a quem, oficialmente, ainda nem lhe deu o mandato?)


Realmente não entendi o seu raciocínio. Ou então você não está usando a sua régua - severíssima - em casa.


Guarda ela apenas para a França...


Aliás, nem para (toda) a França, já que demonstra enorme condescendência com o Melénchon no ~mesmo~ comentário.


As omissões (por conveniência eleitoral) dele na campanha não são problema... cobraria a explicitação apenas com Melénchon ~no governo~.


Ora, do que você está reclamando de Macron então?


Ele sequer tomou posse!


Ainda está no período de carência da sua régua severa, não? 😉


Patricia: Isso ñ é complexificação. É mudar conforme a preferencia do cliente:

Colonização:


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Outros exemplos:


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Quem foi critico ñ deixou de denunciar isso a campanha inteira! Me recuso a acreditar em uma complexificação da politica, explicando as nuances de cinza... Taí porque ele se revelou um lobo disfarçado


Romulus:


<<Antes de Lula chegar lá e sentar
na cadeira de Presidente, e ter "caneta"
pra decidir, "arbitrar entre os
interesses conflitantes", que é a
própria definição de "presidir",
ninguém sabe qual era o
"tom de cinza" do Lula>>


Como é impossível encarnar todos os "50 tons de cinza" - "en même temps" 😉 - Lula chegou lá e revelou o seu tom particular.


Com isso frustrou muuuuitos seguidores, que projetavam nele os seus próprios tons (um diferente do outro) - o que ...


<<Lula, muito habilmente, sempre
permitiu ("eu falo com todo mundo...
sou amigo de todo mundo... do Bush
e do Chavez!"),
senão ~inventivou~ !>>


Palmas pra ele: foi assim que pode chegar lá.


Mas e aí?


E aí que Lula chegou lá e o ~seu~ tom de cinza pessoal determinou que fizesse...


- ... a Reforma de Previdência (logo ela!).


E assim...


- ... nasceu o PSOL, não foi?  😉


Na realidade...


<<Ninguém é preto, ninguém é
branco. Somos todos cinza.
E o que interessa - em politica -
não é sequer o tom de cinza
"pessoal" do politico,
mas sim aquele que ele ~viabiliza~
na sua arbitragem dos conflitos...
na sua... "presidência">>


Como disse, acho o Melénchon o máximo na "pessoa física". Mas gosto bem menos dele na "pessoa jurídica".


Eu não conheço a pessoa física do Lula. Mas gosto muito da “pessoa jurídica” dele.


Alias, sem conhecer muito, tenho muito mais afinidade com a "pessoa física" da Dilma que com a do Lula!


Mas em termos de "pessoa jurídica", não tem nem comparação, não é mesmo?


- Quem "arbitrou conflitos" entre interesses antagônicos melhor?


- Quem foi o melhor... ~presidente~ ?


E Macron?


Bem...


<<Macron ainda esta na fase
dos "50 tons de cinza",
para que cada um projete nele
um "Macron para chamar de seu".
Esta no modo "sedutor".
Natural numa campanha,
não?>>


Algo que - falando de Melénchon! - vc. tão bem caracterizou como...


<<"conveniência de não reavivar
feridas antes da hora" 😉>>


Patricia: Romulus, vc. tem razão! Mas o meu argumento aqui, não é que Macron está sendo honesto e falando de um lado isso, mas de outro aquilo. O meu ponto é que não é uma conciliação ou uma negociação entre interesses, nem vi nenhuma declaração dele deixando isso explicito. Macron está praticando estelionato eleitoral: cada hora ele diz sim ou não ou mais ou menos de acordo com a plateia.


Ele passou do modo sedutor no momento em que ele apresentou o programa!


Romulus: Patricia, sei que vc. estava muito engajada na campanha do Hamon - que também era o meu candidato preferido... e que eu acho o máximo (como “PF” e “PJ”!).


Mas a gente tem que tentar (ao menos no maior grau possível) separar a analise politica da paixão, que todos temos.


Se tem má fé nesses memes contra o Macron que vc. postou é justamente de quem os fez e não de Macron!


Trata-se aí, justamente, da "simplificação" que ~eu~ não consigo fazer...


(e da qual parece que Macron tampouco gosta)


Pinçaram frases soltas, sendo que o "en même temps" faz sentido quando se contextualiza... ainda mais porque Macron fez as afirmações sobre a colonização justamente "complexificando" o tema:


- "a colonização foi um crime contra a humanidade... uma página negra na Historia da França".


Palmas para ele!! Muitos culhões...


Que devem ter lhe dado uns poucos votos nos círculos "bobo" - burgeois-bohème - e só.


Sendo que tiraram muitos nos “pieds noirs” (ex-colonos da África)


"mais en même temps"...


- A colonização levou "les droits de l'homme" à Argélia, como ele colocou, (o que poderia ser "bom", caso não se seja adepto relativismo cultural sem freios), ferrovias e a petrolífera Elf, entre tantas outras coisas. Elf cujos ativos, expropriados apos a independência, permitiram criar a estatal petrolífera da Argélia.


Percebe como não tem preto nem branco?


O mundo é cinza.


(mas "abaixo, o Doria!!" 😉)


Você diz:


- Ele tá praticando estelionato eleitoral: cada hora ele diz sim ou não ou mais ou menos de acordo com a plateia.


<<Quanta gente não acusou
o nosso Lula disso –
“estelionato eleitoral”;
“cada hora ele diz sim ou não
ou mais ou menos
de acordo com a plateia” –
e não só em campanha, hein...
já Presidente também!
O Lula não se disse, então,
uma...
"metamorfose ambulante"?😉>>


Patricia: Aqui na França dizem: sont que les cons qui ne changent pas d'avis.


Romulus: Pat, nos só saberemos quem ele é quando ele começar a...


- ... arbitrar os interesses conflitantes.


Patricia: Mas é isso o que to tentando falar, ele já se declarou ao lado do MEDEF (“FIESP” da França), num programa pra lá de neoliberal. Eu juro que quando falei com a representante do PS eu tava até indecisa, mas o programa do Macron não tinha saído ainda, quando saiu foi um choque.


Romulus:


<<O programa do Lula "era" a
"Carta aos Brasileiros",
escrita pelo Palocci, com ajuda da...
Odebrecht!
(se as delações forem verdadeiras)
e com revisão do...
João Roberto Marinho,
antes de ir a público...
Ainda bem que ele praticou (algum
grau de) estelionato eleitoral...
chegou lá e, na arbitragem
dos conflitos, às vezes fez
o povo ganhar no lugar dos ricos,
não?😉>>


A maior promessa de campanha do Hollande era acabar com o império do "seu inimigo": "a finança".


E aí? Deu no quê? 😉


Programa de governo ~eleitoral~ é, ao fim e ao cabo...


- ... um pedaço de papel!


No dito que se tornou célebre na política francesa:


En politique, les promesses n'engagent que ceux qui les ~écoutent~
Henri Queuille
(ele mesmo um político!)


Maria: Quando discutíamos isso, laaaaá atrás, num outro tempo, em outra galáxia, de tão longe, já tivemos essa discussão e eu perguntava: o Lula poderia ter feito diferente?


Quanto tempo permaneceria no governo se, pra fazer política social, decidisse "denunciar" os ganhos do sistema financeiro, ao invés de "conciliar" as duas coisas contraditórias, escolhendo sua prioridade (o social) e deixando em plano secundário o outro termo da contradição (a banca) até haver uma correlação de forças suficientemente favorável para se lidar com ela?


Todos vocês concordam com a "ingenuidade" (ou esperteza de má fé) da Luciana Genro louvando a Lava Jato por "denunciar" todos os "corruptos" para enfim mostrar - como um deus ex-machina - um mundo limpinho e cheiroso, onde só possam resplandecer à luz do sol os princípios puros e sem contradição do PSOL.


Você sabe tão bem quanto eu que política é um processo permanente de gestão de conflitos e, nele, como sabia Maquiavel (ai, as minhas referências defasadas de séculos!) é necessário distinguir muito bem o ser, o parecer ser e o dever ser e saber lidar com isso, entre a virtù e a fortuna, a capacidade pessoal e o acaso das circunstâncias.


Num registro psicanalítico, diria, como Contardo Calligaris, que convém não se perguntar muito sobre a "cena primordial das origens" (que te reduz à condição de um "resto" nem sempre voluntário de um momento de sexo e paixão de "outros").


Diz ele: "Por trás da cena está o obsceno".


Não me pergunte sobre o escurinho do cinema. A ética do indivíduo - suas escolhas morais pessoais - não é a ética da política, do jogo entre convicção e responsabilidade, dos atos e suas consequências, para além da "escolha" individual. A ética dos fins e dos meios, que a Igreja fez questão de transformar em anátema, síntese diabólica do abominável pensamento do florentino.


Quanto a Macron, Melénchon e a política nacional, você mesmo, que me fez a pergunta, respondeu em meu lugar para a Patricia. Ótimo, me poupa esse trabalho.


Romulus: o Melénchon já disse que não é dono do voto de ninguém, e que por isso não vai recomendar coisa nenhuma.


Olha a tal da "posição política delicadíssima do Melénchon" aí...


Tão delicada era, que ele resolveu... não tomar ~posição~


(rs)


Não disse nem em quem votaria na "pessoa física" (que o nada defasado e sim "a ser glosado" Maquiavel chama de ética do indivíduo. Clássico é clássico!)


Pior: ele sequer disse se irá mesmo votar!

[Nota: ver atualização no final, com novo "pronunciamento" (entre aspas mesmo) de Melénchon]


Eu, se fosse francês, só iria votar se houvesse um empate técnico. No mais, é torcer pro "prodígiozinho" chegar lá com a menor moral possível. Ou seja: a menor votação.


Como disse uma lá no jornal das 20h outro dia: "pedem-nos pra escolher entre a peste e a cólera!"


No mais, é como disse o candidato trotskista do Novo Partido Anticapitalista, Philippe Poutou:


- Fazer oposição quem quer que ganhe.
Inclusive na rua!


Patricia: Engraçado é minha situação agora. To pagando caro a minha língua. Que sempre disse que numa democracia o voto nulo, branco e a abstenção tem consequências... que ñ existe a não ação porque mesmo ela tem efeito: elege-se o mais forte.


O maior exemplo foi a eleição do Doriana em SP que ganhou no 1o turno e PERDEU pros votos brancos nulos e abstenções. Devia ter obrigatoriamente 2 turno nesse caso.


Teve uma tal de Christine Butin que defende exatamente o que vc. diz: votemos contra Macron pra que ele ganhe numa margem apertada pra podermos negociar o governo depois. Por enquanto compartilho a mesma posição de Melénchon.


Romulus: Eu vi a Christine Butin, que é ex-Ministra de Sarkozy - na TV falando isso, Pat. É exatamente a minha tese...


Ela...


<<sabe que vai ganhar Macron,
então recomenda voto em...
- ... Le Pen!
A quem sempre combateu!
Para que Macron “chegue sim,
mas com menos força".
Perfeito>>




*

Atualização 28/4

- Le Pen lança apelo aos "insubmissos" de Melénchon






- Melénchon, que "se pronunciaria" hoje, acaba não recomendando voto (de novo!).

Diz que irá votar... "por coerência", já que seu programa defendia o voto obrigatório.

Diz que não recomenda voto por respeito aos eleitores.

Mas pergunta?

"Alguém acredita que eu poderia votar no FN?"

Bem...

"No escurinho da urna"??

~Eu~ acredito! 😉

De qualquer forma, sobra o voto branco, não?? 😉



*


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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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