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26.5.17

"Duas tribos em guerra" Vol.2: a aula magna do "Jararaca" à "Fadinha da Floresta"


"Duas tribos em guerra" Vol. 2: a aula magna do "Jararaca" à "Fadinha da Floresta"


(trecho do post "Temer joga “bomba nuclear”... mas no próprio pé! 24/5: o dia em que o Golpe foi derrotado" - de 25/5/2017)

- Tudo isto que vai a seguir aconteceu ~de verdade~. Apenas alguns "detalhes" pessoais foram alterados para preservar a identidade e a privacidade dos envolvidos, que ninguém saberá quem são (!) rs

Penso que é tempo de voltar àquela parábola do velho Cacique Jararaca, a quem os leitores foram apresentados no ano passado.




E faço isso para mais uma inconfidência: revelar a vocês, caros amigos do blog, um outro episódio que vim a conhecer da trajetória desse grande líder... um flashback. Guerreiro incansável, o velho Jararaca ainda está na ativa, apesar dos cabelos brancos, agora já um tanto ralos, que recobrem a sua cabeça.

Certa vez, há muuuitas e muitas luas, houve uma grande pajelança na floresta.

Pajelança essa que veio a reunir, numa mesma clareira, vários aspirantes a caciques...

E também vários chefes de clãs, seus apoiadores.

A velha guerra entre as duas Grandes Tribos, como vocês já sabem, seguia...

Como desde tempos imemoriais...


Mas se limitava, então, àqueles conflitos fortuitos...

Na fundo da floresta...

Quando, pela álea da vida, grupos caçadores rivais, cada um de uma das Grandes Tribos, se cruzavam.

Pensa que eles achavam isso ruim?

Que nada!

Orgulhosos, podiam então dar vazão às suas habilidades de guerreiro, cultivadas com dedicação desde que cada um deles era apenas um pequenino curumim.

Notem: tais encontros não constituíam eventos anódinos, sem consequências...

Pelo contrário:

Um dia morria um de um lado, no outro dia um do outro... e assim sucessivamente.

Pensam vocês que tais baixas geravam grandes comoções nas tribos?

Que nada! (2)

- Honra maior não havia do que poder se provar um grande guerreiro... e assim poder voltar, em glória!, para a Tribo.

No verso da moeda, cair por terra naquele combate era o fim mais digno a que grandes guerreiros poderiam aspirar.

E, dessa forma, as duas tribos seguiam adiante...

"Jogo era jogo".

Ambas as tribos, dessa forma, aptas a testemunhar novos sóis e novas luas, protegidas que eram por aqueles caçadores-guerreiros de elite. Verdadeiros flagelos de Tupã, forjados no calor da batalha.

E assim, entrava sol, saía lua, cada uma das tribos criava, nutria e treinava seus pequeninos curumins...

Dos quais os melhores aspirariam à honra de reerguer uma das machadinhas "caídas"...

Machadinhas essas que voltariam, então, a ser empunhadas. E deixariam para trás, no rol da História, quem por último as descera ao chão. Junto de si, evidentemente!

E, dessa forma, o ciclo imemorial se perpetuava. Há muuuuito tempo...

"Quanto"?

Olha... pelo menos desde que a lua e o sol, irmãos antes inseparáveis, tiveram de dar, um ao outro, o seu último "adeus".

E assim - também... - o ciclo deveria... seguir!

Sim, seguir...

Até o dia em que Tupã, em um novo porre de cauim, descesse à Terra para, finalmente, re-ligar todos esses seus filhos de volta a si...

“Como”??

Ora...

- Devorando-os, é lógico!



Pois bem.

Voltemos a tempos mais recentes...

Mais precisamente, ao que acabou conhecido como...

- ... a "era Jararaca"!

(por motivos que dispensam explicação, não é mesmo?)

Lembram os leitores da pajelança com que abri este nosso retorno à parábola das tribos?

Pois então...

Em dado momento, naquela vasta pajelança, cruzaram-se numa mesma clareira dois velhos aliados na "Grande Guerra":

- De um lado, o nosso "Jararaca";

... e, do outro, ...

- Uma... hmmm... “entidade”...

- Uma certa... “Fadinha da Floresta”!

"Entidade"??

Pois sim, ora!

- Fadinha era meio índia e meio...

Hmmm...

Árvore??

Na verdade, para ser mais preciso, meio índia e...

- ¼ ~seringueira~; e

- ¼ ~castanheira~ da Amazônia!

Pensa que era tudo?

Que nada!

- Era ela totalmente ~sustentável~...

Alheia ao chão, pendurada nas suas asinhas de...

- ... Fadinha!

Mas...

Penso que já a evoquei o suficiente, sabe...

Passemos adiante, sugiro.

Sim, eu sei: parece personagem muito interessante, não é verdade?

Mas garanto: trata-se só de aparência...

- Mesmo!

Voltemos, portanto, ao que é, de fato, relevante:

Os dois, Jararaca e Fadinha, travavam então uma troca em alta voz, que retinha, como não poderia deixar de ser, a atenção de todos os chefes de clã ali presentes.

Apenas “chefes de clãs” por testemunhas?

Bem... não exatamente...

Havia ali também um curumim, bastante atrevido, que costumava se meter no meio dessas reuniões sempre que tinha oportunidade...

E foi assim que o curumim pôde ouvir algo de que nunca mais esqueceu!

Jararaca, animado por uns goles a mais de cauim, lançou um sorriso condescendente à Fadinha...

E, soltando um suspiro, tentou resumir da maneira mais sumária e clara possível o que já levava horas tentando explicar para Fadinha.

Até ali, não antevendo nenhuma perspectiva de sucesso.

Pobre Jararaca...

Entoando a sua voz característica - rouca como os trovões de Tupã... - disparou:

<<Companheira Fadinha,
“Política” é:
(1) Saber quando dá pra meter o...
... dedo no...
... olho do outro.
Mas...
(2) É também saber quando quem
tem que levar...
... dedada no olho...
... é ~você~ !"

*

[Romulus: Fala sério! Um tratado de política nível Maquiavel! E em 140 caracteres: o tamanho de um tuite! Tem como não amar esse cacique Jararaca??

E mais: 140 caracteres com aquele célebre recurso às metáforas... metáforas essas que o povão da floresta bem entende - como só o ~Jararaca~ sabe fazer!]

*

Ouvida a lição magna do Jararaca, Fadinha apenas sorriu...

Quer dizer...

Sorriu o tanto que aquela sua cara de... castanheira permitia, convenhamos...

Cara de castanheira essa devidamente lustrada, com óleo de peroba, ritual que Fadinha repetia todas as manhãs...

(decerto apenas com óleo de peroba orgânico!)

Fazia-o depois – e também antes! – de se retirar para a grande montanha, onde meditava. Na busca, sempre frustrada, da unção do deus Tupã.

Ungida pelo óleo de peroba - senão por Tupã... - depois daquela trovoada disparada pelo Jararaca, Fadinha “sorriu”.

(sim, vocês já sabem: com aspas mesmo!)

Mas esse “sorriso” sumiu logo depois - e apenas depois! - que o grande Jararaca se retirou, cansado de tamanho esforço pedagógico.

Fadinha pôde, então, finalmente revelar a sua “verdadeira” opinião sobre a lição que recebera.

(“verdadeira” também entre aspas... porque, com Fadinha, tudo tem de, necessariamente, levar aspas!)

Antes dissimulado, agora Fadinha expressava um grande ultraje!

Como podia alguém – que se propunha a ser o “Cacique dos Caciques”! – ter por definição da “cacicagem” algo tão...

- ... mundano!

Não...

Definitivamente não!!

Para a Fadinha, “Política”, quer dizer, “cacicagem”, é...

- ... missão !

- Unção !

Quase que uma releitura – silvícolo-tropical... – de algo que ouvira existir em terras distantes...

Um tal de “direito divino”:

- Um contrato personalíssimo entre, de um lado, o ungido e, do outro, o próprio deus Tupã!

Compreendem agora o ultraje de Fadinha??

Como um dom divino, como esse!, poderia ser igualado a algo tão... mundano??

Fadinha não hesitou:

(pelas costas, é claro!)

- Pois vejam vocês, chefes dos clãs, como esse Jararaca é indigno...

- Ainda mais para tamanha missão !!

- Saibam vocês: um dia, quando tiver a oportunidade certa, livrarei a Floresta de tamanho blasfemo!

Mas...

- Até lá, seguirei com meu... ahn... “sorriso vegetal”...

Bem, vocês sabem:

- Jararaca é muito popular... e está em franca ascensão!

- Não seria eu digna da minha missão se - passando estoicamente (?) por cima dessa minha grande repulsa por ele - não utilizasse esse dom do Jararaca - tão imerecido! ...

- ... contra ele mesmo!

E a sua obra!

- A-há!

Sim...

- Usarei Jararaca como escada...

- "Escada" contra a sua própria indignidade!

Jararaca haverá de ver, estejam certos...

Mas...

Por enquanto não...

- Como disse, Jararaca está em franca ascensão.

- Certa vez, inclusive, em minha meditação, depois de um graaande jejum abençoado, cheguei a algo que parecia ser uma revelação do futuro:

- Jararaca cruzará os rios da floresta... e até mesmo o grande lago salgado! Ungido “Cacique dos Caciques”, ele será reconhecido por todos os pares da Terra!

Inclusive por um “Grande Cacique do Norte”, que dirá do Jararaca ser...

- “O cara”!

- Quando isso ocorrerá?

- Bem... não sei ao certo...

- O jejum para chegar a essa revelação fora tamanho que as imagens estavam embaçadas...

- Imaginem vocês que via a face desse “Grande Cacique do Norte” de maneira distorcida...

- A sua cor era negra!

"Que delírio", sussurrou para si Fadinha.

*

Tão logo concluíra essa lição (?) de moral e de revelação divina, Fadinha evanesceu...

- Pluft!

Sumiu!

Deixando no ar aquele inconfundível cheiro de...

- Óleo de peroba!

*

Lembram do curumim atrevido?

Testemunha juvenil daquela pajelança reunindo caciques e chefes de clãs?

Pois bem...

O curumim, (além de atrevido) precoce, não se deixou convencer pela linha de raciocínio metafísica exposta pela Fadinha não...

Semi-aculturado, ele lembrou um nome que ouvira do Homem Branco... um tal de...

- “Maquicavel”? Ou seria “Maquirravel”? Ou “Maqui...”

Bem... era algo assim o nome...

Mas pouco importava aquilo nesse momento...

Mais relevante era a patente diferença de estatura – como a de uma formiguinha saúva diante de uma Harpia da Amazônia! – que constatara separar, de um lado, Fadinha, e, do outro, “O Cara”.

Digo, Jararaca...

Para não ser deselegante, já que aquela clareira pertencia ao chefe do seu clã, esperou Fadinha ~evanescer~ para poder então cravar:

- Olha... se tem alguém “indigno” para essa grande missão, pois se trata justamente dessa Fadinha aí...

- Voando demais nas suas asinhas ~sustentáveis~, parece que ela não teve muito a oportunidade de pôr os seus pezinhos no chão, sabe...

- Tivesse ela feito isso mais amiúde, há tanto tempo candidata a cacique que é, teria de ter reconhecido que o Grande Jararaca acabou de brindá-la com um...

- T R A T A D O sobre “Política”!

Digo, “cacicagem”...

*

Mas...

Nesse momento, o inconsciente traiu o curumim...

E o indiozinho acabou por revelar um aculturamento em grau ainda maior!

Isso porque concluiu a sua admoestação à Fadinha com:

- Pobre Jararaca...

- Joga “pérolas aos porcos”!

*

Fim?? (2)

*

(longo suspiro)

Ah, Jararaca...

Que saudades, meu amigo!

Minha casa está sempre aberta para ti aqui na Suíça!

Saiba que lançaram agora um chocolate a 90% de cacau e... - sim, eu sei que preferes a 100%...

- Bem conheço o teu apreço pelas coisas do povo, autênticas...

- Razão pela qual chocolate para ti “tem de ser como o que bebiam os teus primos astecas”...

Mas, como dizia, lançaram agora esse chocolate que, além do cacau, vem com recheio de...

(duvido que adivinhes!)

- Vinho Romanée-Conti!

Tá bom... já sei, Jararaca...

Não te impacientes!

Lembro-me bem de que, em se tratando de bebidas, preferes esse tal de “cauim”...

Essa bebida onipresente aí na tua Floresta...

Feita por qualquer indiozinho ordinário...

Mas...

Pare de fazer gênero e confesse:

- Bem sei, também, que um certo Pajé - o mago prestidigitador chamado Duda da~Onça~ – te presenteou com uma garrafa do refinadíssimo Romanée-Conti...

- Ouvi dizer que brindaram à tua saúde - com essa bebida de “gente branca de olhos azuis!”

- Disseram-me que fizeram isso quando venceste, pela primeira vez, o "grande duelo". E fora então ungido - finalmente! - o "Cacique dos Caciques".

- Não foi isso??

- Ou me trai a memória?

É porque faz tanto tempo isso...

- Lá no longínquo ano de ~3002~ da Era Tupã...

- Ano esse em que se dizia que “a esperança venceu o medo”...

Isto é: se não me falha a memória...

Desculpe essa ou outras imprecisões no meu relato, caro amigo...

Parece agora tudo tão distante...

Como se fora uma outra era, sabe...

*

(novo loooongo suspiro)

Ah, Jararaca...

Um forte abraço deste teu grande admirador,



Romulus



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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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