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9.11.16

"Um 'Simpson' incomoda muita gente. Dois 'Simpsons' incomodam muito mais..."
Por Romulus
O post “Os Simpsons e o despotismo "nada" esclarecido de Curitiba” recebeu um comentário ao qual resolvi responder aqui, num post separado.
Faço isso porque tenho, assim, a oportunidade de tratar de uma certa postura intelectual da qual discordo. Talvez nem seja a postura do comentarista ou o propósito do seu comentário.
No entanto, não deixarei a oportunidade passar, por ser algo recorrente. E isso vai muito além dos meus textos, como verão a seguir, com a ajuda do Gregório Duvivier, do Marcelo D2, do Luis Nassif e de Don Pepe Mujica.
O comentário:
*
Minha resposta:
>>Texto dado a virtuísmos semiológicos.
Não sei exatamente onde o comentarista viu virtuísmo num texto que fala expressamente:
Que fazer agora?
Ora, o primeiro passo é ter...
– ... humildade intelectual!
desconfiar sempre de "verdades absolutas"...
Se o comentarista enxerga “virtuísmo” na defesa de uma perspectiva crítica, da humildade intelectual e do ceticismo quanto a verdades absolutas, então sou culpado!
Mas dessa perspectiva, que crítica não é virtuísmo?
Essa do comentarista?
*
>> Usa partido do desenho animado, que apesar também da sua pretensa vanguarda sempre mexeu com tudo e com todos para deixar tudo no mesmo lugar.
Esse tipo de crítica é daquele do "enquanto não se resolve tudo então não adianta resolver nada"?
Do tipo "de que adianta mudar o avatar do facebook para as cores do arco-íris em defesa do casamento gay no Ocidente enquanto tem tantas crianças morrendo de fome na África"? (ver o Gregório abaixo)
Esse pensamento binarista, propondo falsos dilemas, é álibi esperto, embora um tanto batido, para a inação quanto a tudo, não?
Quanto a uma "pretensa vanguarda que mexe com tudo em com todos para deixar tudo no mesmo lugar ~também~ dos Simpsons"...
A culpa é dos Simpsons?
E ~também~ minha?
Se não logramos, os Simpson e eu, a reflexão que propomos em todos que assistem/lêem e/ou mudanças de comportamento a culpa é nossa?
Nossa e de outras “pretensas vanguardas”?
E mais: se não logramos nosso intento melhor que nem tentemos então?

Esse mexeu com tudo e com todos, muito mais do que "Os Simpsons" ou do que eu possa sequer sonhar escrevendo um post em um blog. Nem por isso conseguiu mudar o status quo tanto quanto gostaria. Obviamente esse autoproclamado "fracasso", imposto pela sua humildade, é relativo. Só se afere como tal quando se contrastam seus inúmeros êxitos às suas enormes - e belíssimas - ambições.
A culpa é do Darcy ou do Brasil?
Melhor se nem tivesse tentado?
Não tenho muito apreço por essa linha de argumentação.
Nem tampouco do ceticismo pelo ceticismo.
Ou melhor: do ceticismo como álibi.
Ceticismo é marreta e cinzel para lapidar o mármore. Não é em si escultura. É ferramenta. Não fim.
Ou, ao menos, não deveria ser.
Penso que o Gregório Duvivier concorda comigo:


Oh, Deus! Citei colunista "pretensamente vanguardista” que mexe com tudo e com todos apenas para deixar tudo e todos no mesmo lugar!
Pior: um que se vendeu para o oligopólio midiático brasileiro!!
*
>> Nesse ponto até casa como metáfora para a situação brasileira, mas que atesta media colonial, atesta, né, Jedi!!
Não vejo "colonialismo" no uso de referência estrangeira per se. Ou até mesmo na sua influência no pensamento. Ainda mais no pensamento crítico!
Colonialismo está em assimilá-la acriticamente. Em nem mesmo digeri-la, na antropofagia proposta pelo Modernismo. Antropofagia essa refletida anos depois – com menção expressa! – nas guitarras elétricas do Tropicalismo. Mas também, por exemplo, no hip hop sambado do genial Marcelo D2.

"Resistência cultural, casa do cara...
E foi tomando conta de mim
É coisa fina
DJ com tamborim
(...)

Hip hop, Rio, um punhado de bamba
E sabe o que que é isso?
A maldição do samba
(...)
Globalizado ou não eu mantenho meus laços
Do hip hop ao samba é compasso por compasso
(...)
A benção, Velha Guarda
O samba de terreiro
A maldição te pega
No Rio de Janeiro"
*
Com direito a cameo luxuoso de Nelson Sargento - sempre do lado esquerdo da luta - no final!
E olha que nem conhecia essa música em particular antes de procurar uma do D2 para ilustrar este post...
*
Pior do que assimilar acriticamente é ir um passo além, como se faz em Curitiba, e partir da premissa – falsa e/ou alegada com falsidade – de que o que é de fora é, por definição, melhor do que o que é "nosso". E, consequência lógica, defender o transplante cultural, redentor de todos os males autóctones.
No caso de Moro e dos seus "Curitiba boys", na modalidade transplante jurídico (legal transplantation).
Faltaram, certamente, estudos em Direito Comparado a todos eles.
*
"Premissa de que o que é de fora é, por definição, melhor do que o que é 'nosso'"...
Aliás, o que é "nosso"?
A cultura lusitana herdada?
O tupi-guarani?
O batuque de África?
A comida italiana das cantinas do bairro do Bixiga (SP)?
O sushi dos japoneses do bairro da Liberdade (SP)?
O quibe, hummus e o pão sírio do Luis Nassif?
O... dos...
... ... ...
Tudo isso junto e misturado?
*
Misturado na fusão sintética uniforme de um melting pot, como num fondue?
Ou como numa salada, com sabores diferentes a cada garfada, preservados numa mistura multi-colorida?
*
"Duvivier"...
"Nassif"...
"Maldonado" (D2)...
Sobrenomes não ameríndio-luso-afro-brasileiros, certo?
Como também não é o meu!
Mas todos brasileiríssimos graças a Deus.
E nenhum com pensamento colonizado!
*
Como disse certa vez aqui no blog, "isso [críticas e visões diferentes da minha] me força a retrabalhar as teses. Ou para reafirmá-las, com maior convicção, ou para refutá-las, ou para ficar no meio do caminho, numa síntese (os 3 já aconteceram!)".
No caso presente sou obrigado a dizer – sem nenhum orgulho particular por isso – que a minha convicção saiu reafirmada.
Assim como o meu gosto pelos Simpsons, americanos sim e “vanguardistas”, nas aspas do comentarista.
Mas que isso não desestimule o comentarista a criticar novamente!
O exercício é sempre interessante.
E válido!
Tive aqui a oportunidade de registrar várias coisas, como a minha admiração pelo talento de Marcelo D2, a diferença entre tipos de mistura, melting pot ou salada, e a minha oposição ao ceticismo como álibi para a inação.
Obrigado!
*
Influência estrangeira nada colonizadora:
(antes fosse! rs)

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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

Vídeos

Veja o vídeo
Antropofagia: hip hop sambado do genial Marcelo D2

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