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20.11.16

Demissão do Ministro da Cultura Vol. 2: oportunismo de CALERO e primarismo da esquerda

Demissão do Ministro da Cultura Vol. 2: oportunismo de CALERO e primarismo da esquerda


Por Romulus


Continuação do post:



Curiosos os movimentos agora, já no “segundo tempo” do rolo da saída do ex-Ministro da Cultura, Marcelo Calero, do governo de usurpação encabeçado por Michel Temer.

Certamente Calero é adepto da máxima:

A vida te deu um limão? Pois faça uma limonada!

Rapaz ambicioso e oportunista, quer agora usar o episódio da sua saída como vento de proa para ~ surfar ~ na onda de demonização da política e de políticos profissionais.


Põe-se agora como paladino:

- da moralidade;

- da classe média; e

- da “meritocracia”; ...

... contra...

- ...“isso tudo que está aí”!

Peraí...

Contra “isso tudo que está aí”?

Contra políticos profissionais?

É isso mesmo??

Mas até <<dias atrás>> não era ele “parça” desse pessoal todo?

Pois agora se diz (apenas) “diplomata”, funcionário público “de carreira”, alheio a “esse meio da política”.

Alguém - da “classe média”! - escandalizado diante de um “caso claro de corrupção” dessa “gente do poder”:



Sim, é certo que passou no concurso e faz parte do corpo diplomático.

Mas...

... já faz um “tempinho” desde que ocupou seu último posto no Itamaraty, não?

Coincidentemente, o mesmo “tempinho” em que “o meio da política” deixou de lhe ser tão “estranho”.

Vinha ocupando diversos cargos <<em comissão>> nas duas administrações de Eduardo Paes - de quem é próximo - na prefeitura do Rio.

Desde 2013 foi Coordenador-Adjunto de Relações Internacionais da Prefeitura, Presidente do Comitê Rio450 e finalmente Secretário de...

- ... Cultura!

Meses depois, graças também a Paes, chegou ao posto de Ministro Estado dessa pasta, já no governo de usurpação.

Conforme lemos no Estadão, Calero brada que foi criado com “valores fundamentais de retidão e honestidade”.

- Que bom! Parabéns aos seus pais, <<Ministro>>!

E no entanto...

Bem, e no entanto ascendeu ao primeiro escalão do Ministério pelas mãos de um governo chefiado por figuras do quilate de Eduardo Cunha / Temer / Geddel (ele!) / Eliseu Padilha / Moreira Franco / Romero Jucá!

Hmmm... contraditório, não?

Bem, talvez não...

Talvez os tais “valores fundamentais” englobem tão somente atos pessoais. E não de terceiros ali do lado, na copa e cozinha do poder.

Mesmo quando esses terceiros agem em seu benefício e, por sua graça, se torne ...

- ... Ministro de Estado!

“Honestidade e retidão”: com Temer, sob os aplausos de Sarney e de Padilha, toma posse. Contando ainda com a presença do sorridente Min. Barroso, ex-professor, na primeira fila.


Nada como uma suspeita de <<grampo>>, em uma <<conversa comprometedora>>, com alguém como <<Geddel!>>, para ser lembrado dos tais “valores fundamentais de retidão e honestidade”, não?



Bem, alguns dirão: “antes tarde do que nunca”!

E, dentre esses, parcela da esquerda afeita a um certo primarismo. Parcela que não consegue ir além de um pensamento binário, que obedece necessariamente a uma dinâmica “antagonizante” exclusiva. Ou seja, reduz-se a disputa política a dois lados: “mocinhos” contra “bandidos”.

E, seguindo no primarismo, quem atira num “bandido” automaticamente se torna...

- ... “mocinho”, ora!

*

Não foram poucas as vezes ontem em que vi nas redes sociais louvações a Calero. Inclusive por parte da esquerda!

Repetiam quase sempre algo como “quem é digno sai desse governo”.

Mas peraí...

Para começo de conversa, quem é digno <<entrou>> nesse governo??

*

De repente, da noite para o dia, ninguém lembrava mais de alguns “pontos altos” da passagem de Calero pelo Ministério:



“Deu no New York Times”, até...

“Política brasileira sufoca ambições de filme para o Oscar”.

Mas isso é o passado...

E nada mais ~ cinematográfico ~ do que um enredo de “redenção”, não é mesmo?

Pois assim pensam até mesmo as vítimas (!) do Ministro (e dos seus (ex) chefes):



Oi?!

Dia de “Clara”?

Como assim, “Aquarius – filme”?

*

Ok, dou desconto:

- Liberdade poética de artistas;

+

- Apelo irresistível de aproximar esse rolo do antigo algoz - que está na capa de todos os jornais - da trama do filme (resistência à especulação imobiliária), no esforço de divulgação do mesmo.

Afinal, toda a ajuda é bem-vinda para um filme tão boicotado.

E não só no Oscar...

Notem: Calero, aquele da “retidão e da honestidade fundamentais”, era, inegavelmente, um Ministro bastante diligente:



Assim, o perfil de “Aquarius” no Facebook está...

- ... “redimido”.

E “redenção” é também o que busca o ex-algoz, Calero.

Porque, tomando ainda partido da liberdade poética, “redenção” rima com “limão”, não é mesmo?

Então, dado o limão pela vida, façamos logo a tal da limonada!

Afinal, dada a aridez do Brasil atual, está cheio de gente ávida por se ~ refrescar ~ com a bebida:


*

Para ficar ainda na sétima arte, na dramaturgia, nada como um novo papel – de preferência antagônico! – para reavivar a carreira de um ator estereotipado, não é verdade?

Pois eis o papel a ser esquecido...

Eleições de 2010.



"Recriar a Guanabara"?
Por que não surpreende esse mote elitista e segregacionista que anima corações e mentes da Grande Tijuca (sua área de origem) para baixo, rumo à Zona Sul do Rio?
Pensamento demofóbico de quem, incapaz de eleger governadores do Estado, por ser minoria, sonha com a secessão.
Acordem!
Como se diz no Rio, da elitista Zona Sul às populares <<Baixada Fluminense>> e <<São Gonçalo>>:
- Não vai rolar! rs




Com quem “lhe descobriu”: Paes.


E finalmente Brasília: “honestidade” e “retidão”, “valores fundamentais”.
Tanto quanto “democracia” e “Estado de direito”??


... e o novo papel, a obliterar (?) o anterior na memória do público:



Sim... “classe média”, “meritocrático”, “concursado”, “servidor de carreira”, “alheio ao poder” e a “Brasília”...


*

Que coincidência!

Pois é essa, justamente, a descrição dos atributos imprescindíveis a um ~ ator ~ que queira ~ interpretar ~ o zeitgeist, o espírito (farsesco!) do nosso tempo:



*

E aí? Tem physique du rôle ou não, minha gente?




*


Atualização 20:45:












E de novo: “classe média”, “meritocrático”, “concursado”, “servidor de carreira”, “alheio ao poder” e a “Brasília”...




Atualização 21/11:

Meme: mais que (3) mil palavras...


*   *   *

Achou meu estilo “esquisito”? “Caótico”?

- Pois você não está só! Clique na imagem e chore suas mágoas:


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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também. 

2 comentários:

  1. Longe da política carioca há anos, eu não fazia ideia de quem era essa figura, qual o seu percurso, e só ouvi falar dele quando foi nomeado ministro e depois, quando boicotou Aquarius. Realmente muito oportunista. Então esse não é o mundo dele? Depois de tantos anos envolvido na política? O passado já o condena, meu caro! Vai voltar pra diplomacia? Será que está preparado pra se sentir um peixe fora d'água, um corpo estranho num universo onde reina o orgulho e a vaidade de estarem, eles, "au-dessus de la mêlée"?

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  2. Ele conseguiu o objetivo dele, tá na mídia!! E em campanha!! O problema que tem gente q vive buscando Salvadores da Pátria, por isso tem eco.

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