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Estado brasileiro na encruzilhada. Já sabemos o que a Globo quer... e você?

Queria poder dizer que criei esta montagem, mas não... recebi de um seguidor no Facebook, como comentário a um artigo anterior. rs ...

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19.9.17

Novo (?) Golpe: instrumentalização – política! – da “censura à arte”

Publicado 18/9/2017 - 00:01
Atualizado 19/9/2017 - 19:42
Com mais um "C.Q.D." de Cassandra ao final!
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Novo (?) Golpe: instrumentalização – política! – da “censura à arte”


- “Censura a obras de arte”: alerta para mais um golpe... político!


- (mais) um em que estamos caindo!


- Um (novo) artigo com a “pegada meta” sobre a “polêmica da semana”.


(nas redes sociais...)


*


Notem:


- O "problema" não é, por certo, "artístico".
("o que é e o que não é arte")


- Nem jurídico-criminal.
(alegações de "apologia à pedofilia", etc.)


- NÃO é – SEQUER...


-...  moral/ religioso!


I.e., pelo menos não para além da SUPERFÍCIE...


Para além do... TEXTO!


Indo além desse, ou seja, passando para o SUBTEXTO, o que estamos testemunhando é, na verdade, (mais) um GOLPE!


Mais um "balão de ensaio"...


- ... PO-LÍ-TI-CO-estratégico!


Essa “operação censura anacrônica” se trata do que, em informática, se chama de "teste de penetração".


Não apenas para fazer o reconhecimento do (novo!) terreno de batalha...


(e a medição dos apoios/ força social com que cada lado conta...)

-... como também para identificar os seus (novos) alvos imediatos. I.e., os "fortes" que seguram o avanço... os "pontos nodais" que (ainda) capitaneiam a resistência. Quem deve entrar na lista de ABATE prioritário.

*


Depois do caso da exposição "Queermuseu" em Porto Alegre, tem-se seguido DIVERSAS "notas" na imprensa, aparentemente "soltas", em que surge replicada a mesma "sanha censora". E isso sem nenhum constrangimento maior pelo anacronismo do discurso que empregam, chegando a beirar a caricatura, o ridículo.


(como, p.e., na carta da Mackenzie ao Santander)

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*


Tais episódios têm ocorrido por iniciativa de "lideranças" de certos segmentos sociais, movimentos políticos, juízes/ procuradores e ainda políticos com mandato.


*


Mas...


Tantas de uma vez só?


No espaço de tão poucos dias?


Será mera coincidência?


Indo um passo além, "inspiração"/ "copycat"?


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Tudo isso junto?


Ou, talvez, um pouco mais?


*


- O ERRO NO ENFOQUE DO "PROBLEMA" E AS “CARONAS” DOS OPORTUNISTAS


A maior parte dos artigos repudiando tais iniciativas censoras tem "comprado" o discurso censor pelo seu "valor de face". Visam a refutar o absurdo e o anacronismo - patentes - das "justificativas" que lhes "embasam"... o que elas ALEGAM.


Ocorre que, com isso, involuntariamente, ao "escolher" como "opositor" o "argumento" (?) da vez, empalmado pelo censor de turno, acabam por emprestar a esses CENSORES (e seus argumentos), pela oposição, (o seu próprio) status. A sua seriedade, o seu "standing" (legítimo).




Algumas vezes, essa “oposição” (sic) é feita até mesmo “à revelia”, via redes sociais!


(sempre elas...)


Exemplo:


A renomada artista plástica Adriana Varejãovs.” (aspas!) ...


- ... Roger do Ultraje a Rigor (!)




*


Pergunto:


- Roger acredita mesmo nas imbecilidades que fala?


- E Kim Kataguiri??


- E Marco Feliciano? Acredita em corrente de Whatsapp??


*


Notem:


- O "problema" não é, por certo, "artístico".

("o que é e o que não é arte")


- Nem jurídico-criminal.

(alegações de "apologia à pedofilia", etc.)


- NÃO é – SEQUER...


-...  moral/ religioso!


I.e., pelo menos não para além da SUPERFÍCIE...


Para além do... TEXTO!


Indo além desse, ou seja, passando para o SUBTEXTO, o que estamos testemunhando é, na verdade, (mais) um GOLPE!


Mais uma...


- Trampa...


- Simulação...


- Farsa.


Mais um "balão de ensaio"...


“Balão de ensaio” esse...


- ... PO-LÍ-TI-CO-estratégico!


É nessa dimensão – política – que reside o “problema”.


Essa “operação censura anacrônica” se trata do que, em informática, se chama de "teste de penetração".


Da Wikipedia:


"'Teste de Penetração' é um método que avalia a segurança de um sistema de computador ou de uma rede, simulando um ataque de uma fonte maliciosa. O processo envolve uma análise nas atividades do sistema, que envolvem a busca de alguma vulnerabilidade em potencial que possa ser resultado de uma má configuração do sistema, falhas em hardwares/softwares desconhecidas, deficiência no sistema operacional ou técnicas contramedidas".


A penetration test, colloquially known as a pen test, is an authorized simulated attack on a computer system that looks for security weaknesses, potentially gaining access to the system's features and data.
The process typically identifies the target systems and a particular goal—then reviews available information and undertakes various means to attain the goal.
(...)
A penetration test can help determine whether a system is vulnerable to attack, if the defenses were sufficient, and which defenses (if any) the test defeated.
(...)
The goals of a penetration test vary depending on the type of approved activity for any given engagement with the primary goal focused on finding vulnerabilities that could be exploited by a nefarious actor, and informing the client of those vulnerabilities along with recommended mitigation strategies.
(...)
(link: http://bit.ly/2y8FwKY)

*

(NOVO) CONTEXTO:


Diante da (semi) ANOMIA pós-golpe e da apatia de uma sociedade em choque/ saturada, ninguém mais sabe ao certo - nem do lado "deles" nem do "nosso" - o que ainda "vale" e o que "não vale" mais dos diversos códigos normativos que regem - ou melhor: que regiam até aqui - nossa vida em sociedade. Não se sabe ao certo o que dessa "velha ordem" ainda segue de pé.


E isso não só com relação aos códigos jurídicos - a começar pela própria Constituição (!) - como também éticos e CONVENÇÕES socioculturais/ comportamentais.


Parafraseando Gramsci, o velho agoniza e o novo não parece estar nem próximo de nascer.


(que dirá então de crescer e se CONSOLIDAR!)


Diante do claro “momentum” do VETOR de reação conservadora - em nível global!, atores que ocupam esse "nicho político" visam a TESTAR até onde (JÁ!) podem ir...


O que (já) lhes é permitido nessa atmosfera de "decadência" da “velha ordem”.


Ou, inversamente, buscam determinar aonde - ainda! - NÃO podem ir.


Ou seja, identificar com mais clareza os (novos) limites (ainda) VIGENTES.


E, colateralmente, determinar também por que - ou melhor: por causa de QUEM - AINDA não podem ir até onde "querem".


Buscam, portanto, através desses “testes de penetração”, identificar o que impede, AINDA, o avanço (maior) do seu assalto.


Não apenas para fazer o reconhecimento do (novo!) terreno de batalha - e a medição dos apoios/ força social com que cada lado conta...

(cada um devidamente "atiçado" e "exposto", posicionando-se diante dos “incidentes” (sic) de censura)

-... como também para identificar os seus (novos) alvos imediatos. I.e., os "fortes" que seguram o avanço... os "pontos nodais" que (ainda) capitaneiam a resistência.


Ou seja: quem deve entrar na sua lista de ABATE prioritário.


*


“QUE FAZER?”


Não estou, de forma nenhuma, dizendo que não devemos fazer o que “eles” (sim...) esperam de “nós” com esse “teste”. Ou seja:


- Apresentar a nossa mais forte oposição.


O que estou dizendo é para tratarmos de forma SECUNDÁRIA o TEXTO dos “censores”.


Trata-se de clara simulação!


Demos, nós, isso sim, atenção prioritária ao SUBTEXTO:

(a consciência de tratar-se de um...)

- ... “teste de penetração”.


O ataque “fake” visando a determinar:


- Nossas vulnerabilidades;


- Nossa “representatividade” na sociedade/ apoios;

(Santander já fora da lista, certo??)


- Nossos interlocutores na política;

(em sentido amplo)


- Nossos instrumentos de resistência;

(jurídico-estatais, políticos, sociais, financeiros (e.g., boicote), ...)


- Nossos “referenciais”. Nossos “pontos nodais”. Tanto as instituições/ organizações/ coletivos quanto os indivíduos em que a nossa “rede” de resistência se escora.


Se “eles” estão de olho nisso, como muito mais razão devemos estar “nós”!


Certo??


*


*


*


*


P.S. - O oportunismo “neocon” do MBL ao iniciar a "onda"

O MBL, sem nenhuma surpresa (ou originalidade) maior, resolve replicar, no Brasil, o “pacotão” completo do “conservadorismo americano”.

Da Wikipedia:


American conservatism is a broad system of political beliefs in the United States that is characterized by respect for American traditions, support for Judeo-Christian values, moral absolutism, economic liberalism, anti-communism, advocacy of American exceptionalism, and a defense of Western culture from threats posed by "creeping socialism", moral relativism, multiculturalism and liberal internationalism. Liberty is a core value, with a particular emphasis on strengthening the free market, limiting the size and scope of government in the economy, and opposition to high taxes and government or labor union encroachment on the entrepreneur. American conservatives consider individual liberty, within the bounds of conformity to American values, as the fundamental trait of democracy, which contrasts with modern American liberals, who generally place a greater value on equality and social justice.


Evidente, ora!


“Arrocho” não dá ibope!


(ou voto!)


Pelo contrário: tira!


Por isso, a única maneira de empurrar goela abaixo do brasileiro...


(que, à diferença do americano, adora Estado - à esquerda e à direita!)


– ... a agenda amarga de “austeridade”...


(aspas! - "austeridade” e “Estado mínimo”, sim... mas para QUEM??
Para todos os segmentos da sociedade?
Ou “mínimo” para uns justamente para poder ser “MÁXIMO” para outros??)


- ... é forçar a “VENDA CASADA” do neoliberalismo com a pauta conservadora em “valores sociais”/ “comportamento”.


(“valores” / temas "morais" – p.e., direito ao aborto e à eutanásia, descriminalização das drogas; direito penal mínimo; proteção e promoção de minorias – e.g., negros, mulheres e LGBTs; multiculturalismo / anti-xenofobia)


Isso porque essa pauta conservadora, gostemos ou não disso, ao contrário da austeridade, DÁ, SIM, VOTO.


E muito!

*

Notem bem:


O MBL vinha na defensiva... quase que (voluntaria ~E~ involuntariamente) apagado.


O constrangedor apoio a Michel Temer – e a consequente oposição ao “golpe no golpe” tentado pela PGR de Rodrigo Janot – acabou com a “credibilidade”, diante da sua “clientela”, do discurso moralista “anticorrupção”.


Ora... que fazer para, numa tacada apenas:


- Virar a pauta do noticiário;

(para uma em que se sai da defensiva para o ataque, tomando a iniciativa)


- Ofuscar a pauta desfavorável;

(corrupção e arrocho de Temer, em que se está na - constrangedora - defensiva)


e...


- Re-incendiar as bases, ora “estranhadas”?


A resposta é simples:


- Um carnaval (social-) midiático numa exposição de arte.


- Polarizando com o (muito vocal) “verso da (sua) moeda”: o movimento identitário!


*


Não digo que é “genial” porque é de todo...


- ... previsível!


Olhem o que disse (já me repetindo...) aqui no Blog há (apenas!) algumas semanas:



21/8/2017


(...)


Ciro: (Do PSOL, no Rio, Jean…) Wyllys não tem voto. Só Chico Alencar tem (funcionalismo).


Romulus: Isso foi verdade em 2010, em que Wyllys foi carregado pela votação do Chico Alencar, tendo ficado muito longe do quociente eleitoral.


Mas teve mais de 120 mil na segunda eleição, em 2014.


“Graças ao Bolsonaro”, evidentemente.


E à exposição midiática com as “polêmicas” entre ambos.


Ele se tornou o “poste” do “anti-Bolsonaro”.


E Bolsonaro o “poste” do “anti-LGBT”.


(entre outras coisas)


Cada um galvanizando o público correspondente...


Realimentado e fidelizado de tempos em tempos com novas “polêmicas”.


Um é o melhor amigo do outro...


Mesmo que involuntariamente! rs


5/10/2014
O deputado federal foi um dos nomes do…
CARTACAPITAL.COM.BR


*


😉 😉 😉


*


Fecho com os geniais “Os Simpsons”


Marge, liberdade de expressão, censura e o "David" de Michelangelo:








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Atualização (1) - breve bate-bola no Facebook





Marcelo Victor: Se entendi bem, replicar a posição do MBL e desses outros seria cair como um patinho na armadilha montada por eles. A não ser que se ganhe com isso. E os que ganham com isso não resolvem a questão, alimentam-se dela!


Romulus: Acho que tem duas dimensões. Os meramente oportunistas, que querem (apenas) "causar" e gerar "clickbait"/ likes (MBL), e os que, a partir do precedente, querem realmente testar até onde podem ir. Ficamos numa sinuca de bico: para dar a devida resposta ao segundo grupo, fazemos exatamente o que o primeiro quer.


Mas o ponto principal é que - ao menos - também estejamos NÓS atentos ao "resultado" desse "teste de penetração".


Marcelo Victor: Há uma outra coisa, que o tiro do MBL sair contra a culatra. Explico. Recordo que há alguns anos, um grupo colocou uma faixa na faculdade de direito da UFC em favor dos estudantes e contra a misoginia e a homofobia. Algumas fotos foram tiradas e colocadas nos respectivos perfis de facebook, mas sem maiores repercussões. Um tempo depois, os libertários colocaram uma faixa semelhante no mesmo local. A faixa foi destruída. E uma foto dessa faixa destruída passou a estampar a capa de facebook de muitos libertários em várias partes do Brasil. Eu duvido que tenha sido alguém de esquerda a fazê-lo, de tanto que isso só ajudaria mesmo a promove-los.


Romulus Maya: pois é. Temos simulações no 2o, 3o ... no grau.


Mas pior: não podemos ignorar tampouco que simulações dessa natureza podem, perfeitamente, atingir o seu objetivo político.


O quanto de simulação não tem a política??


Por isso que a minha pegada é denunciar a SIMULAÇÃO em si!


Marcelo Victor: O mesmo pode vir a acontecer com esses episódios desta semana. As pessoas nas redes sociais passaram a demonstrar um interesse por obras de arte que eu nunca havia visto. Em vez de ficar replicando os argumentos deles, basta que a pessoa estampe a foto de uma dessas fotos com a seguinte legenda: é disso que tanto lhe querem preservar! Seguido, claro, das referências da obra. Aqui eu posso estar sendo otimista, mas penso que as pessoas não gostam tanto assim desse paternalismo! Gostam elas de serem paternalistas, de dizerem umas às outras o que é e o que não é estúpido. Mas será que gostam que alguém lhes venha proibir? Não sei se funciona. No teu artigo, um dos aspectos do teu argumento é o pressuposto de que o brasileiro gosta de ser tutelado (tanto à direita quanto à esquerda). Capaz que sim. E o meu otimismo não vinga.


Romulus: Não é que gostem necessariamente de “tutela”. Gostam de Estado grande mais no sentido "patrimonialista"/ "clientelista"/ "fisiológico"/ "assistencialista" / “provedor” - a respectiva expressão a depender do extrato social destinatário do “benefício”: se é o que leva a “parte do leão” ou as “migalhas”.


Nem poderia ser diferente: o Brasil MODERNO é uma "invenção" do Estado!


Marcelo Victor: Não sei se você concorda, mas neste vídeo são apresentadas duas posições que atacam a possibilidade de fazer uma intervenção crítica: 1) que não se faça distinção (são todos fascistas!); 2) que os que ficam em silêncio sejam colocados na conta daqueles (fascistas). Este último ponto, tem como premissa a circunstância de estarmos em um momento de polarização. Há aqui também uma instrumentalização política no sentido de usar tal evento para "unir" o lado de cá.



Romulus: caramba... não tinha visto esse vídeo! A partir do min. 4:30 o Leonardo Sakamoto tá indo no MESMO sentido da minha “pegada”. Mas o Jean Wyllys interrompeu o raciocínio dele, justamente quando ia falar da resposta da esquerda. Depois em 8:20 a Laura Capriglione retoma um pouco.


Esse é o ponto: por já partir de uma derrota CERTA no debate (na realidade brasileira!) “o Estado que queremos”, a direita tenta sequestrar o debate IMPONDO a pauta “valores morais”, em que o conservadorismo é majoritário na sociedade.


E aí, mordendo a isca, a esquerda ~REAGE~ à pauta imposta pela direita. Ou seja, é pautada. E justamente no terreno desfavorável para si!

(quer gostemos disso ou não!)


Marcelo Victor: Também fiquei surpreso com essa sagacidade do Sakamoto: "Esses grupos de [liderança da direita] simplificam e sabem exatamente o que estão fazendo. E é aí que está o ponto: enquanto determinados grupos estão jogando xadrez no tabuleiro político, a resposta da esquerda, os progressistas, não é em xadrez, mas é como se fosse uma arena com gladiadores".


Romulus: Sinuca!

(armada!)


Ao menos, estejamos atentos para ela!

E - por favor! - demos, nós, prioridade à denúncia da farsa!

(em vez da refutação do "texto" ora (mal) encenado!)

E - principalmente - o que essa farsa visa a esconder!

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Atualização (2) - tem quem pense que o "texto" é, sim, mais importante que o "subtexto". Discordo:

Maria: Achei importante o artigo, com uma argumentação interessante apresentada com o brilho e a coerência de sempre. Mas nessa polêmica, será que o mais importante a fazer é denunciar a farsa que encobre o "teste de penetração", numa nova escalada do golpe?


Essa denúncia ~politica~ é suficiente? O que fazer diante do ~conteúdo~ que é o motivo mesmo da polêmica? Calar, ridicularizar, debater? Fernando Horta fez um post brilhante que, com a colaboração de seus leitores, apresentou um inventário de obras de arte que deveriam ser censuradas, com as respectivas punições para os artistas e os museus que as exibem.


Ridicularizar funciona, sim. Denunciar a mentira que transforma em farsa o moralismo - como num comentário com fotos de nus grotescos de gente do MBL e outros coxinhas na campanha do impeachment - funciona também, e é necessário. Como acho igualmente necessário debater. Não com quem não há nenhuma possibilidade de diálogo, mas com nossos próprios leitores, alertando para a pervasiveness desses argumentos que se transferem de uma área a outra de valores e condutas acabando por exercer uma influência difusa na produção do (de um novo?) senso comum e (uma outra?) visão de mundo.


A imposição paulatina de um pensamento ultra conservador e autoritário, prólogo de um domínio fascista de corações e mentes, em suma. E isso não é coisa que a mera denúncia de um "teste de penetração" como estratégia de avanço de um golpe político em curso possa dar conta. Isso acho que é preciso debater.



Romulus: Maria, não disse que uma "mera" denúncia da farsa "bastaria". Meu ponto foi a qual aspecto deve ser dada a ÊNFASE maior - e a maior atenção ESTRATÉGICA.


"Educação do povo" e "fazer pensar" é lindo - e NECESSÁRIO!


Mas...


Convenhamos: essa batalha está (mais que) perdida no... curto prazo.


Aceitar a isca da direita, porque é "certo", pode não convir POLITICAMENTE.


(especialmente se a resposta do nosso lado é dada pelo tal do “impulso”, certo?)


Pode ensejar uma DUPLA derrota:


(i) montada na pauta conservadora de "valores", majoritária na sociedade, a direita pode se consolidar no poder e - com poder de Estado! - fazer essa própria pauta avançar!;


(ii) além disso, vai junto o "contrabando" que realmente lhe interessa: o ultraliberalismo pró 1% antinacional.


Para nós, é melhor "educar o povo" e "fazer pensar" de cima do poder de Estado - para contrabalancear minimamente o poder do capital e social-religioso?


Ou ficar fazendo "textão" de Facebook - lindo e corretíssimo?


O adversário, conhecedor da sua debilidade, escolhe o terreno que lhe é favorável.


Vamos para uma derrota "honrosa"?


Ou aceitamos até "jogar areia no olho" para ter a upper hand, em nome do interesse de longo prazo?


O que eu destaco é a questão da ênfase...


E a CONSCIÊNCIA - acompanhada de uma vacina comunicativa?? - de que estamos entrando na cilada armada por "eles"!


Outro ponto é NÃO se deixar sequestrar por atores "vanguardistas" que tem interesse próprio, imediato (e não de longo prazo!), na entrada na "polêmica", na polarização. Veja o vídeo dos meninos do Justificando que acabei de subir como atualização. Dica de uma leitora.

*

(Mas...

COMO SEMPRE, aprecio (muito) a (sua em especial!) divergência!😉)


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Maria: A denúncia da farsa não basta, mas é o que deve ser mais enfatizado. Não concordo, porque a escalada da direita fascista em âmbito mundial vai além das manobras estratégicas tramando nova etapa de um golpe político em curso.


E não se trata de "educar o povo ' ou "fazer pensar", porque é "lindo". Trata-se de saber o que fazer em termos práticos e, na sinuca de bico armada com o seu argumento irretocável, fica mesmo difícil responder, como disse a Katia com razão. É crucial desmontar a farsa, como você demonstrou brilhantemente. Mas é ~igualmente importante~ denunciar o ataque fascista que a sustenta.


Você pensa política como estratégia de ação no jogo institucional. Eu penso política da perspectiva da hegemonia.


Não cabe desqualificar um enfoque em detrimento do outro, mas pensar nas duas coisas ao mesmo tempo. Não para "educar o povo" porque é "lindo", mas porque pode ajudar alguém a refletir e divulgar essas ideias no seu trabalho, como professor, jornalista, produtor cultural, advogado, musico, liderança de movimento social, ator, estudante, sindicalista, jogador de capoeira etc. como são a maioria dos meus leitores. Este é âmbito de minha modesta contribuição.


Quem lida com formadores de opinião pública e políticos é você, não eu. Repetindo, como o antropólogo, um ditado nativo, "outros campos, outros gafanhotos"...


Romulus: a diferença é também temporal: interesse de curto vs. médio e longo prazo. E onde se deve situar a ênfase em vista disso.


Quem tem "várias prioridades" não tem... nenhuma (!) 😉


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P.S.: não desqualifiquei nenhum enfoque.


Pelo contrário: "qualifiquei" - no sentido de "qualify", "fazer ressalvas", "matizar", “situar”.


Apontei para cuidados a serem tomados na comunicação e no posicionamento tático em vista do objetivo - claro - do adversário com essa... "jogada".


E a necessidade de tomar plena consciência da tática ora adotada – “provocação”/ “balão de ensaio (social-) midiático e político”/ “teste de penetração” – bem como de possíveis implicações e desdobramentos futuros da mesma.


Sobretudo, a necessidade de não reagir por impulso, como o cachorrinho de Pavlov, toda vez que surgir um novo "trending topic", no Twitter (!) com... "MBL" no meio. 😉

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Atualização (3) - o "Justificando" concorda





😉

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Atualização (4) - e tem até "isentão" que concorda

Piero: Trecho da coluna do Celso R. Barros de hoje, na Folha de SP:


Para tirar o foco de sua falta de disposição para protestar contra Temer, o Movimento Brasil Livre resolveu protestar contra uma exposição de arte com temática LGBT. Fingindo que não via a corrupção de direita, o MBL perdeu a bandeira da moralidade pública. Só lhe restou, então, levantar a bandeira da moralidade privada.


O fato de a exposição ter sido patrocinada por um banco também lhe permitiu reforçar o papo furado de extrema-direita de que há uma aliança entre as finanças internacionais e a esquerda cultural. É o discurso anti-Soros, que serve para evocar sentimentos antissemitas e abrir uma brecha para explorar sentimentos populares anticapitalistas, roubando eleitores da esquerda. Daqui a 50 anos, esse papo furado servirá para dizer que o MBL era de esquerda, como hoje se diz do nazismo... Muita gente melhor que eu já denunciou o fechamento da exposição como violação da liberdade de expressão. Gostaria de chamar atenção para outro aspecto da questão: o MBL está virando para o conservadorismo porque, depois do fiasco ético de Temer (que, ao que parece, é mesmo BFF do alheio), não sabe o que fazer consigo mesmo.


E, nesse aspecto, expressa o ponto de vista do Brasil, que também não sabe mais o que fazer com o MBL, ou com todos os discursos e contradiscursos utilizados na guerra do impeachment.


A eleição de 2018 está chegando, e até agora ninguém limpou o entulho das batalhas de 2015-2016.


Romulus: muita convergência, Piero... mas o meu saiu antes! rs


João Antônio: "O fato de a exposição ter sido patrocinada por um banco também lhe permitiu reforçar o papo furado de extrema-direita de que há uma aliança entre as finanças internacionais e a esquerda cultural."


Não é papo furado, é dinheiro mesmo, em dólar.


E o MBL continua pró-livre mercado. Sem chances de ser confundido com "anticapitalista". Até a ação contra a exposição não foi jurídica, mas de boicote.

Romulus: João Antônio, o Celso tem que se equilibrar no figurino "isentão"/ Folha. Então tem que dar uma no cravo e outra na ferradura. Mantem a “credibilidade”, “denunciando” “paranoias esquerdopatas” (!) rs

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P.P.S. - Extrapolações possíveis desse "teste de penetração" - cultos afro, p.e.



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Atualização (5) - a arte da guerra e a sempre disponível "derrota honrosa"


João Antônio: Olha, com a polarização da pauta moral em vez da econômica, a esquerda pode chegar a 40%, mas jamais aos 60% necessários para retroagir as medidas do golpe via mudança da CF através do voto e com o povo consciente das propostas. Para algumas medidas hoje consideradas inegociáveis também corre o risco de não conseguir 10% de apoio popular. Seria tão bacana quanto dizer que ouve jazz...


80% da população das classes D e E que vota preferencialmente em candidatos de esquerda poderia abandonar esse voto. Na C, praticamente igual.


Katia: Eu penso que a ridicularização, feita com a arte da argumentação, seria um bom antídoto para esses imbecis. Todos sabemos como o riso é revolucionário, e, pelo que eu vejo, eles morrem de medo de se passar por imbecis publicamente. Talvez seria esse um filão a ser explorado....ridicularizar, desnudando toda a ignorância, estupidez e imbecilidade dessa gente, quando a situação permitir é claro!!!, 'argumentum ad hominem", entendem? Desqualificando o autor, desqualificamos automaticamente a ação, sem dar juízo de valor para a ação em si.... Pois, afinal, não é isso o que eles estão fazendo o tempo todo? Basta deitar a pecha de "Comunista" para desqualificar a ação de qualquer pessoa hoje no Brasil!


Maria: Procura um post do Fernando Horta em que ele e seus leitores fazem isso com grande humor usando imagens de obras de arte "indecentes" rsrs


Romulus: CERTAMENTE o caminho mais efetivo para rebater com crítica DE FUNDO é a ridicularização e o "riso revolucionário". Mas temos de ter consciência da existência das bolhas estanques. E do fato de eles terem muito mais recursos, E PENETRAÇÃO, do que nós.


(vejam, a esse respeito, os comentários do "DES" lá na seção de comentários do artigo)


Os dois lados podem fazer memes engraçados e editar vídeos de embates, de forma a favorecer a si...


Mas - "certos" ou "errados" - os deles chegam a muito mais gente.


Portanto, discussão DE FUNDO já sai derrotada de saída. Malgrado nossos melhores esforços e a "justeza" da nossa posição.


Se não estamos dispostos a nos contentar com a tal da "honrosa derrota", temos de ir além do debate de fundo, onde perderemos com certeza por condições que estão... DADAS.


Mais uma vez vou afirmar o que disse outro dia em artigo:


- "Fazer contraponto" é repercutir a pauta do adversário "trocando o sinal" das adjetivações (o que era "bom" vira "ruim" e vice-versa)?

- Ou é subverter a própria... pauta??


Vou citar um clichê... afinal, para chegar a clichê, alguma razão deve ter: Sun Tzu.


“If you know the enemy and know yourself, you need not fear the result of a hundred battles. If you know yourself but not the enemy, for every victory gained you will also suffer a defeat. If you know neither the enemy nor yourself, you will succumb in every battle.”


"He will win who knows when to fight and when not to fight"


"Victory usually goes to the army who has better trained officers and men".


De novo: sempre há a alternativa da "derrota honrosa", todavia. 😉

O João Antônio citou "ouvir Jazz"...

O Titanic AFUNDOU ao som de música clássica, não foi??



Acho “Jazz” - e “música erudita” - o máximo…

Mas sou… minoria.


E, mais importante, SEI disso. 😉

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Atualização (6) - Mais um "C.Q.D." de Cassandra: “os opostos se atraem”/ “nascidos um para o outro”/ “o que seria de mim sem você?”



/Users/romulosoaresbrillo/Desktop/Screen Shot 2017-09-20 at 00.11.24.png


“Não gostar”?!!



Pois é claro que ele adorou, ora!


Era - justamente! - o “contraponto” (sic!) que ele (mais) queria!





A “esquisita” (?) busca de “validação” (negativa!) - recíproca! - pelas respectivas “antíteses” (aspas!):


/Users/romulosoaresbrillo/Desktop/Screen Shot 2017-09-20 at 00.09.05.png


/Users/romulosoaresbrillo/Desktop/Screen Shot 2017-09-20 at 00.02.30.png

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De novo: “fico confuso”...

Ou... NÃO!

😉 😉 😉 😉 😉 😉








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Achou meu estilo “esquisito”? “Caótico”?

- Pois você não está só! Clique nos links para estes artigos e chore as suas mágoas:







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A tese central do blog:



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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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