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26.10.17

ūüí£FACE-NSURA: Guardian, RT e El Pa√≠s corroboram - Facebook est√°, sim, censurando esquerda!

Já atualizado APENAS minutos depois da publicação:
- Numa "pegada meta" Facebook ~J√Ā~ censurou ESTE artigo tamb√©m (!)

FACE-NSURA: Guardian, RT e El País corroboram: Facebook está, sim, censurando esquerda e nacionalistas!

Por Romulus

Nesta semana houve a publicação de (ao menos) 3 matérias na imprensa estrangeira sobre a manipulação política (com e sem lastro financeiro) implementada por gigantes da internet, como Facebook, Google e Twitter.


N√≥s, aqui no Blog e tamb√©m nos programas do site “O Cafezinho”, notamos os efeitos dessa manipula√ß√£o e soamos o alerta, pioneiramente, semanas atr√°s, n√£o foi mesmo? Pois agora chega a confirma√ß√£o.


E n√£o: n√£o se trata (mais...) de mera “teoria da conspira√ß√£o”. Quer dizer... n√£o √© (mais) “teoria”: a conspira√ß√£o √© real!




O jornal brit√Ęnico “The Guardian” – parte, portanto, do mainstream (na vertente “neoliberalismo progressista”), revela que o Facebook vem fazendo testes-piloto de mecanismo que mostra aos usu√°rios APENAS posts pagos. No verso da moeda, acaba por esconder todos os posts n√£o pagos.


Cita como alvos do projeto “piloto” (!) pa√≠ses como Eslov√°quia, S√©rvia e Sri-Lanka.


Se esse √© o caso, n√£o tenham d√ļvida de que a opera√ß√£o foi um “sucesso”, tendo os programadores de Mark Zuckerberg j√° passado a uma nova etapa do “teste”. Agora, abarcando tamb√©m pa√≠ses como o Brasil.


Quer dizer... n√£o exatamente “agora”: o boicote j√° vem ocorrendo, de forma mais intensa e menos discreta, h√° pelo menos 1 m√™s.


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Perguntas:


- Quem tem grana para pagar pela promoção de posts?


- A direita globalista-financista?


- Ou a esquerda/ soberanistas?


Perguntas, evidentemente, retóricas.

“Pagar para poder trabalhar/ informar”...


- Soa ou n√£o como a antiga “taxa de prote√ß√£o” cobrada pela... m√°fia??

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Ainda nesse tema, a RT entrevista jornalista investigativo que vai um passo al√©m e afirma que o boicote n√£o √© apenas financeiro, na linha “pagando bem que mal tem?”


Segundo o entrevistado, a censura implementada pelos t√£o falados algoritmos n√£o seria neutra quanto ao conte√ļdo. N√£o estaria baseada “apenas” (!) no crit√©rio “meta” de haver ou n√£o pagamento ao Facebook (e ao Google) para divulga√ß√£o. Martin Summers faz quest√£o de registrar o crit√©rio “ainda mais sinistro” segundo o qual sites n√£o alinhados aos interesses geopol√≠ticos dos EUA - e do globalismo financista - seriam as v√≠timas preferenciais da tentativa de estrangulamento.


Esse parece ser, por exemplo, o caso do nosso Blog, em que - pasmem! - AT√Č MESMO O COMPARTILHAMENTO DO (RESPECTIVO) LINK POR MENSAGEM PRIVADA (INBOX) EST√Ā SENDO IM-PE-DI-DO (!):


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Como observa Summers, Facebook e Google (e também o Twitter) estão abusando do seu poder de mercado, dado que são virtuais monopolistas. Diante disso, não restaria, em princípio, alternativa (comunicativa) para os alvos da censura. Tanto emissores quanto receptores!


Digo “em princ√≠pio” porque o jornalista aponta como contra-ataque poss√≠vel o uso de mecanismos de busca alternativos (Web crawler, DuckDuckGo e Yandex). O mesmo princ√≠pio se aplicaria mutatis mutandis √†s redes sociais, com o incentivo (pelas lideran√ßas e “influenciadores”) √† migra√ß√£o de seus seguidores para outras plataformas, como o (russo) VK, entre outros.


No entanto, como afirmei em artigo anterior, essa opera√ß√£o de migra√ß√£o √© complexa: leva tempo e depende de j√° haver um percentual de ades√£o relevante para come√ßar a ter sucesso “operacional”. Isso porque o chamado “efeito de rede” faz com que o mecanismo alternativo s√≥ se torne vi√°vel, para a atividade fim de compartilhamento e dissemina√ß√£o de ideias, a partir do momento em que j√° conte com uma massa cr√≠tica:



























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Para completar, o El País também publica matéria sobre o tema nesta semana. Faz uma retrospectiva do avanço paulatino Рdesde 2010 Рdas redes sociais majoritárias (Facebook e Twitter) como armas de manipulação política. O jornal espanhol ilustra a tese com o exemplo dos próprios EUA, culminando na eleição de Donald Trump no final do ano passado.



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O nosso contra-ataque


Muito em breve teremos novidades sobre o estabelecimento de redes alternativas para a comunicação da resistência.


Aguardem!


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Atualiza√ß√£o (1): C.Q.D.(s) instant√Ęneo(s) (!)

No meu perfil:


 




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No compartilhamento em um grupo do Facebook:


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Atualização (2): Folha de São Paulo desesperada porque tampouco vai poder pagar, coitada!

“Atrasadinha” (¬¬) a Folha descobriu, hoje, esse assunto tamb√©m, olha:



Gerard Julien/AFP

sta foto de arquivo realizada em 09 de outubro de 2015 mostra uma tel
Tela de computador exibindo a p√°gina do Facebook


NELSON DE S√Ā
DE SÃO PAULO
26/10/2017  02h00


O Facebook provocou rea√ß√£o de editores ao redor do mundo ao iniciar um teste em seis pa√≠ses, na semana passada, tirando as p√°ginas de m√≠dia e outras do feed de not√≠cias –que passou a priorizar amigos e conte√ļdo pago.


O teste √© restrito a pequenos pa√≠ses de Am√©rica Latina (Guatemala e Bol√≠via), Europa Oriental (Eslov√°quia e S√©rvia) e sul da √Āsia (Sri Lanka e Camboja). Neles, as Reda√ß√Ķes perceberam quedas de audi√™ncia a partir do dia 19.


No sábado, o jornalista Filip Struhárik, do eslovaco "Denník N", publicou um texto de alerta, em inglês, que repercutiu a ponto de forçar uma série de respostas de Adam Mosseri, o diretor mundial do feed de notícias.


Em seu texto, Struh√°rik relatou a "maior queda em alcance org√Ęnico no Facebook" j√° registrada. As 60 maiores p√°ginas de m√≠dia do pa√≠s teriam ca√≠do para menos da metade das intera√ß√Ķes (curtidas, coment√°rios e compartilhamentos). A m√©dia di√°ria de 2.000 intera√ß√Ķes, at√© o dia 18, teria baixado para 800, a partir do dia 19.


Posteriormente, Struh√°rik informou que a queda era "menos significativa" nas publica√ß√Ķes eslovacas de "grande m√≠dia", que t√™m mecanismos pr√≥prios "fortes" de propaga√ß√£o de conte√ļdo, como home pages, notifica√ß√Ķes e newsletters.


Entre as conclus√Ķes iniciais tiradas por editores, tanto os atingidos como aqueles de outros pa√≠ses, a principal foi que ser√° preciso pagar ao Facebook para se manter no feed de not√≠cias –e ve√≠culos menores tender√£o a desaparecer.


Mosseri, do Facebook, respondeu a Struhárik via Twitter, dizendo que "não é um teste global e não há planos para que seja".


Posteriormente, ele acrescentou que "não existem planos no momento para cobrar das páginas por sua distribuição no feed de notícias".


Editoria de Arte/Folhapress

OLHA SOCIALFacebook tira notícias do feed de usuários para testar




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Atualização (3): Twitter ACABA de banir contas da RT do sistema de publicidade - simples assim (!)





Twitter bloquea todo el contenido publicitario de RT

Publicado: 26 oct 2017 14:27 GMT | √öltima actualizaci√≥n: 26 oct 2017 15:27 GMT

La red social Twitter ha tomado la decisión de bloquear cualquier contenido publicitario de la cadena RT y Sputnik.

El comunicado al respecto ha sido publicado en el blog oficial de la red social.

La decisi√≥n se ha basado "en el trabajo retrospectivo que hemos estado haciendo en torno a las elecciones estadounidenses de 2016 y la conclusi√≥n de la comunidad de Inteligencia de EE.UU.", reza el comunicado. Seg√ļn el documento, RT y Sputnik supuestamente intentaron interferir en las elecciones en EE.UU. en nombre del Gobierno ruso.

Las cuentas de la cadena RT que ya no podr√°n publicar materiales publicitarios en Twitter son:

@ActualidadRT
@ RT_1917
@RT_America
@RT_com
@RT_Deutsch
@RT_russian
@RTarabic
@RTenfrancais
@RTUKnews

"No tomamos esta decisión a la ligera", afirma el comunicado, al explicar que este paso fue dado como parte del "compromiso continuo para ayudar a proteger la integridad de la experiencia del usuario en Twitter".

Adem√°s, Twitter asignar√° a fines ben√©ficos los 1,9 millones de d√≥lares de EE.UU. que hab√≠a obtenido tras vender el espacio publicitario a RT y Sputnik desde el a√Īo 2011. Los fondos ser√°n destinados a investigaciones independientes sobre el uso de Twitter durante las elecciones.


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En respuesta a las medidas de bloqueo tomadas por Twitter, la directora del grupo RT, Margarita Simoni√°n, ha declarado: "Es una l√°stima, sobre todo porque ahora los medios de comunicaci√≥n estadounidenses ahora podr√°n sentir toda la 'ternura' de las contramedidas de Rusia".

Este 5 de octubre, durante una reuni√≥n del grupo de trabajo en el Consejo de la Federaci√≥n, Margarita Simoni√°n, declar√≥ que la red social Twitter proporcion√≥ al Congreso de EE.UU. la informaci√≥n sobre los contratos con la cadena RT sobre las actividades publicitaria en esta servicio de microblog.

Al mismo tiempo, Simoni√°n precis√≥ que el mismo Twitter ofreci√≥ a RT cooperaci√≥n en el √°rea de publicidad. Y actualmente este hecho se usa contra la cadena, a√Īadi√≥ la directora del grupo RT.

Más información, en breve.






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Atualização (4): Senador Roberto Requião trata desse ensaio de "apagão comunicativo" no programa "Cafezinho no WC"

Programa "Cafezinho WC" 19-10-2017:


- Senador Roberto Requião fala da entrega do pré-sal (Medida Provisória do REPETRO) e do "apagão comunicativo" com fins políticos, promovido por redes sociais/ sites AMERICANOS, como Facebook, Google, Twitter, etc.











Minhas coloca√ß√Ķes ao Senador Requi√£o a respeito da - mais que necess√°ria! - “revolu√ß√£o digital”:


- Os pol√≠ticos da oposi√ß√£o, os patriotas, seus companheiros da frente parlamentar em defesa da soberania, as assessorias os partidos – eles est√£o tomando consci√™ncia do “apag√£o comunicativo” tramado por Facebook, Google, Twitter, etc. para 2018?


- Fen√īmeno √© recente mas o m√©todo j√° est√° claro: boicote com os algoritmos, n√£o notifica√ß√£o aos seguidores, fraude nos n√ļmeros de visualiza√ß√Ķes para desmotivar/ desmobilizar, e at√© a derrubada de transmiss√Ķes ao vivo/ censura (Face e Youtube). Por fim, em casos "extremos", o puro e simples BANIMENTO de usu√°rios/ ve√≠culos dessas redes!


- Migração leva tempo e deve ser um esforço coletivo ("efeito de rede") Рtodos os parlamentares de oposição deveriam adotar uma estratégia comum, concertada.


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- Talvez sob o guarda-chuva da própria frente parlamentar, já que o boicote parte de interesses estrangeiros atuando no Brasil (Face/ Google/ Twitter).


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- Não seria conveniente a convocação dos representantes dessas empresas estrangeiras à Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação do Senado?


- Para que explicassem como funcionam os tais "algoritmos" (sic)?


- E a parceria com essas consultorias de big data (e.g., Cambridge)?


- Termos dos contratos com a mesma?


- Auditoria externa, independente do funcionamento dos algoritmos?

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- Não seria conveniente, paralelamente, que os partidos políticos provocassem o TSE a esse respeito?


(j√° que n√£o d√° mais tempo de legislar no Congresso, em virtude da "anualidade")



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Atualização (5): parece que as "malandragens" político-eleitorais (e financeira$) do Facebook entraram mesmo na pauta HOJE... olha só:


https://secure.gravatar.com/avatar/d5d468215717a9856e67059bb80b21e2?s=90&d=mm&r=g
Por Paulo Alves
Publicado em 26 de outubro de 2017

Brad Parscale nunca havia trabalhado em uma campanha eleitoral, mas rapidamente se tornou a “arma secreta” de Trump – com ajuda do Facebook

A campanha vitoriosa de Donald Trump √† presid√™ncia dos EUA, a essa altura, j√° √© conhecida pelas t√°ticas pouco ortodoxas que ele usou para alcan√ßar o eleitorado online. A pol√™mica Cambridge Analytica foi contratada para tra√ßar um perfil psicogr√°fico da popula√ß√£o americana com ajuda de dados pessoais comprados ou obtidos livremente na web.

De acordo com a empresa de an√°lise comportamental, os an√ļncios de Trump nas redes sociais – e consequentemente a vit√≥ria nas urnas – teriam sido um sucesso gra√ßas a essas informa√ß√Ķes. Mas, h√° quem diga que n√£o foi bem assim.

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A verdadeira mente por tr√°s da estrat√©gia vencedora de Trump s√≥ veio √† tona agora. Brad Parscale, um homem que nunca havia trabalhado antes em uma campanha pol√≠tica, aprendeu a usar o Facebook como ningu√©m e foi o respons√°vel pelo microtargeting – marketing que direciona an√ļncios hiper segmentados aos usu√°rios – usado na publicidade online.
Em entrevista ao programa de TV americano 60 Minutes, Parscale entrega informa√ß√Ķes novas sobre os mecanismos internos da busca por eleitores. Segundo ele, o pr√≥prio Facebook trabalhou com Trump para vencer nas redes sociais.

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Oferta do Facebook

Eram milhares de an√ļncios di√°rios por dia, cada um para um perfil espec√≠fico. Uma estrat√©gia que, em vez de se apoiar em relat√≥rios psicogr√°ficos supostamente falhos oferecidos pela Cambridge Analytica, contou com a ajuda de especialistas da empresa de Mark Zuckerberg – especificamente, funcion√°rios que j√° apoiavam Trump e o Partido Republicano.

Eles ficavam [trabalhando na campanha] v√°rios dias por semana. Tr√™s, quatro dias por semana, dois dias por semana, cinco dias por semana”, disse o estrategista √† jornalista Lesley Stahl, da TV americana CBS.

Facebook teria  oferecido o servi√ßo. Ainda assim, Parscale insistia que precisava de todo o suporte poss√≠vel que a rede social pudesse entregar. Para convencer o Facebook a mandar mais pessoas, ele enviou e-mails √† exaust√£o.

Eu quero saber todos os bot√Ķes secretos, cliques, toda a tecnologia que voc√™s t√™m. Eu quero saber tudo o que voc√™s diriam para a campanha da Hillary e muito mais. E eu quero sua equipe aqui me ensinando como usar”, diziam suas mensagens.

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Escritório de campanha de Trump, onde teriam trabalhado funcionários do Facebook

Parscale diz ter pedido ao Facebook o envio exclusivo de funcion√°rios republicanos para evitar que poss√≠veis democratas bisbilhotassem os planos de Trump. “Eles t√™m essa divis√£o interna”, garantiu.

Facebook e a campanha de Hillary Clinton confirmaram √† CBS que uma equipe de especialistas da rede social tamb√©m foi oferecida para ajudar a campanha presidencial dos democratas. Clinton, por√©m, recusou a oferta – e esse pode ter sido um dos grandes divisores de √°gua na elei√ß√£o.

O plano

Para fazer tudo acontecer, ele diz ter remanejado todo o or√ßamento do republicano, tirando verba de an√ļncios de TV e realocando tudo para publicidade online. Houve investimento em redes como Twitter e Instagram, mas cerca de 80% foi colocado no Facebook.

Eu sabia logo cedo que Donald Trump iria vencer com o Facebook. Ele usava o Twitter para falar com as pessoas. E o Facebook iria ser a maneira de vencer”, cravou Parscale, ent√£o com o cargo de diretor de marketing digital.

Segundo o marqueteiro, sua equipe disparava, em m√©dia, 56 mil an√ļncios por dia, a maioria com mudan√ßas discretas entre um e outro. Em alguns, um bot√£o verde para redirecionar ao site de doa√ß√£o; em outro, vermelho. Enquanto uns an√ļncios usavam o termo “doar”, outros exibiam “contribuir”.

Com essas pequenas diferen√ßas, Parscale diz ter alcan√ßado uma parcela muito maior de investimentos por parte de eleitores comuns. O montante teria chegado a US$ 240 milh√Ķes em pequenas doa√ß√Ķes, um recorde.

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Marqueteiro de Trump diz ter disparado 56 mil an√ļncios por dia no Facebook durante a campanha

Esse tipo de microtargeting n√£o √© novidade. Quando a Cambridge Analytica veio a p√ļblico mostrar sua tecnologia de mapeamento psicol√≥gico, o discurso foi de que an√ļncios de Facebooklevemente alterados poderiam atingir exatamente quem o cliente precisava. No caso de Trump, teria sido f√°cil tra√ßar um perfil do eleitor e direcionar o post adequado no feed.

No entanto, o diretor de marketing da campanha de Trump garante que nada disso foi feito com ajuda da Cambridge Analytica, cuja ferramenta ele diz que simplesmente “n√£o funciona”. O que chama aten√ß√£o √© que, em vez de relat√≥rios psicogr√°ficos, a campanha usou funcion√°rios do Facebook para obter o resultado.

Fake News

A atua√ß√£o direta do Facebook na campanha de Trump acende mais uma vez o alerta sobre as fake newsMark Zuckerberg chegou a dar uma declara√ß√£o se mostrando arrependido por ter menosprezado o papel das not√≠cias falsas no resultado da vota√ß√£o.

Chamar [as fake news] de loucura foi desdenhoso e eu me arrependo. Esse √© um assunto muito importante para ser desprezado”, escreveu Zuckerberg em um post no Facebook.

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Com novas informa√ß√Ķes que vieram √† tona, fica claro que o problema foi bem maior do que se pensava. Zuckerberg n√£o s√≥ deixou de dar aten√ß√£o a um fen√īmeno negativo ocorrendo na rede social, como pode ter oferecido seus pr√≥prios funcion√°rios para ajudar isso a acontecer.

Parscale, por√©m, nega o uso de not√≠cias falsas na campanha eleitoral. Ele afirma ter se concentrado em an√ļncios sobre causas defendidas por Trump, de porte de armas √† cria√ß√£o de postos de trabalho. Tamb√©m negou ter usado filtros raciais ou linguagem violenta na publicidade.

Al√©m disso, Parscale desaprova o termo “rei dos bots” atribu√≠do a ele. Todos os milhares de an√ļncios distribu√≠dos online durante o per√≠odo eleitoral, garante, teriam sido criados pelos 100 membros de sua equipe, com ajuda do Facebook. Nenhum rob√ī teria sido envolvido no processo.

O pai da eleição de Trump

Boa parte dos mecanismos que levaram Trump √† presid√™ncia dos EUA, √† revelia das pesquisas eleitorais que anteciparam o pleito, permanece obscura. No entanto, aos poucos, pessoas envolvidas na campanha come√ßam a revelar como a estrat√©gia falha dos democratas  na internet beneficiou Trump.

Primeiro, a Cambridge Analytica disse ter oferecido as ferramentas necess√°rias para Trump se eleger. Agora, o diretor de marketing Brad Parscale explica que o Facebook atuou dentro dos escrit√≥rios da campanha. E foi al√©m: segundo ele, o time da rede social foi fundamental para o resultado positivo.

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A jornalista Lesley Stahl disse que √© f√°cil entender porque o marqueteiro de Trump aceitou dar a entrevista e contar tudo ao 60 Minutes. “Ele queria fazer a volta Ol√≠mpica depois da vit√≥ria”.

Para a entrevistadora, o profissional teria se sentido desprestigiado. O quadro se agravou depois que a Cambridge Analytica veio a p√ļblico se gabar  do desempenho da campanha nas redes sociais. No fim, o Facebook acabou envolvido ainda mais na pol√™mica.

A rede social ainda n√£o comentou sobre as declara√ß√Ķes do funcion√°rio de Trump. O Showmetech entrou em contato com a assessoria do Facebook Brasil, mas n√£o obteve resposta at√© a data de publica√ß√£o.

Logo que o esc√Ęndalo das fake news surgiu, Zuckerberg se limitou a dizer que a rede social deixar√° an√ļncios pol√≠ticos mais transparentes no feed.

Ainda restam d√ļvidas sobre como o Facebook pode coibir um microtargeting cada vez mais forte e invasivo. Enquanto isso, marqueteiros aproveitam as brechas. No Brasil, j√° h√° quem ofere√ßa uma parceria com a Cambridge Analytica para as elei√ß√Ķes do ano que vem.

Quanto √† reelei√ß√£o, Parscale √© categ√≥rico: a pr√≥xima campanha, para 2020, j√° come√ßou.


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√ćntegra das (demais) mat√©rias citadas:


Facebook moving non-promoted posts out of news feed in trial

New system could destroy smaller publishers if implemented, after journalists report drop in organic reach – but users will still see their friends’ posts

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New system trialled in six countries sees non-promoted posts shifted over to a second feed, leaving the main feed focused on original content from friends and adverts. Photograph: Elise Amendola/AP

Alex Hern
Monday 23 October 2017 15.12 BST
Last modified on Tuesday 24 October 2017 12.10 BST

Facebook is testing a major change that would shift non-promoted posts out of its news feed, a move that could be catastrophic for publishers relying on the social network for their audience.

A new system being trialled in six countries including Slovakia, Serbia and Sri Lanka sees almost all non-promoted posts shifted over to a secondary feed, leaving the main feed focused entirely on original content from friends, and adverts.

The change has seen users’ engagement with Facebook pages drop precipitously, with publications reporting a 60% to 80% fall. If replicated more broadly, such a change would destroy many smaller publishers, as well as larger ones with an outsized reliance on social media referrals for visitors.

According to Filip Struh√°rik, a journalist at Slovakian newspaper Dennik N, the change resulted in a drop in interactions across the country’s media landscape. “Pages are seeing dramatic drops in organic reach,” Struh√°rik said. “The reach of several Facebook pages fell on Thursday and Friday by two-thirds compared to previous days.”

Overnight, from Wednesday to Thursday, a broad cross-section of the 60 largest Facebook pages in Slovakia saw two-thirds to three-quarters of their Facebook reach disappear, according to stats from Facebook-owned analytics service CrowdTangle. For larger sites, with a number of different ways to communicate with their readers, that hasn’t had a huge effect on their bottom line, but it’s a different story for those with a reliance on social media.

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The change does not affect paid promotions, which appear on the news feed as normal. Photograph: Alamy Stock Photo

Smaller sites are reporting a loss of traffic and Facebook engagement, Struh√°rik told the Guardian. “Its hard to say now how big it will be. Problems have also hit ‘Buzzfeed-like’ sites, which were more dependent on social traffic.”

Struh√°rik noted that the trial has only been in place since Thursday, rendering it too soon to draw strict conclusions. “But if reach is radically smaller, interactions decreased and your site doesn’t have diversity of traffic sources, it will hurt you.”

In a statement, Facebook said: With all of the possible stories in each person’s feed, we always work to connect people with the posts they find most meaningful. People have told us they want an easier way to see posts from friends and family, so we are testing two separate feeds, one as a dedicated space with posts from friends and family and another as a dedicated space for posts from Pages.”

Notably, the change does not seem to affect paid promotions: those still appear on the news feed as normal, as do posts from people who have been followed or friended on the site. But the change does affect so called “native” content, such as Facebook videos, if those are posted by a page and not shared through paid promotion.

Matti Littunen, a senior research analyst at Enders Analysis, said the move was “the classic Facebook playbook: first give lots of organic reach to one content type, then they have to pay for reach, then they can only get through to anyone by paying.”

Littunen said that many “premium” publishers had already cottoned on to the trend, and backed off relying too strongly on social media. But new media companies, who rely on social media to bring in traffic and revenue, would be wounded, perhaps fatally, by the switch. “The biggest hits will be to the likes of Buzzfeed, Huffington Post and Business Insider, who create commoditised content aiming for the biggest reach.”

Elsewhere, publishers who dived towards video content as Facebook began promoting that may also get burned, Littunen says. “The kind of video that is doing best has been quite commoditised low-value stuff that is often lifted from elsewhere and repackaged for Facebook.

“We don’t see that bonanza going on forever, and since the content isn’t what Facebook has been hoping for, it’s expendable. We’re expecting to see another repeat of this playbook, with organic reach being replaced by paid reach.”

For Struh√°rik, there is one last catch: he doesn’t expect the test to be a huge success. “Newsfeed without news. Just friends and sponsored content. People will find out how boring their friends are,” he said.

In a second statement issued after this article was published, Facebook added: “We have no current plans to roll this out globally.”


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‘Facebook & other companies abuse monopoly power to increase profit, censor news’

Published time: 24 Oct, 2017 17:22
RT

https://cdni.rt.com/files/2017.10/article/59ef6390fc7e931d078b4567.jpg
© Leon Neal / AFP

Internet companies like Facebook are abusing their power to demonetize people and content they don’t like and are in cahoots with the US deep state to censor the news, says investigative journalist Martin Summers.

Facebook users in Bolivia, Slovakia, Sri Lanka, Serbia, Cambodia, and Guatemala have hit back at the social media giant, which is trialing a scheme to charge news outlets for their posts. It could have a significant impact on the organizations using the social network to distribute information and material.

The online community has lashed out, saying the social media network will be supplying people what they want to hear, also severing the link between the organizations and users.

RT: Facebook wants to charge companies for including content. Do you think it will work?

Martin Summers: I think this is an abuse of the monopoly powers on Facebook, and the other major US internet companies are basically trying it on, they are experimenting with it to see if they can use their monopoly power to increase their profits. But also more sinisterly they are working with US intelligence services to censor the news. I think it is very worrying development.

RT: From a business point of view, advertisers have to pay, why shouldn't any organization have to do the same?

MS: It is not really a competitive market. What’s developed is we’ve now got private monopoly power developing here, which is ultimately unregulated. There are calls from across the spectrum in the US for internet companies to be treated like utilities. And they even got to be run by the government, or they have got to be regulated by the government to ensure that a competitive market exists. One of the other sinister things they are doing – is demonetizing people they don’t like. So certain content, for example, Luke Rudkowski, who is a famous alternative journalist, his material is now being demonetized – and that is his living. That is the sort of thing they are capable of doing, and they are doing.

RT: This would essentially filter content for the user. What are the implications for press freedom?

MS: As I say, it is not just a commercial issue. It clearly has aspects that are to do with commercial manipulation. But even more sinister is Google changing its algorithms, so that the radical websites that are critical of government policy found their traffic going down by 60 percent, 70 percent as a result of changing their algorithms. Now that sort of power needs to be regulated. You can’t just allow Facebook’s business leaders, who are absolutely in cahoots with the secret state, the deep state in the US to have this kind of power and to abuse it in the way that they are.

RT: Could this backfire? Users of Facebook have power too, so they can just vote and go elsewhere, can’t they?

MS: That’s right. What tech-savvy young people should be doing is using other web-based internet explorers like Web crawler, DuckDuckGo, Yandex. And we if we can get youngsters to recognize that they are being manipulated by Google and by Facebook – then that would probably hit them on their bottom line. But there is still a case for the government to intervene and regulate these big monopolies to ensure that there is a fair player on a level playing field. That is what happened with other utilities in the past: we’re at the 'robber baron' state now of the internet revolution. And it is time for the government to step in and make sure that fair play is done.


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O obscuro uso do Facebook e do Twitter como armas de manipulação política

JAVIER SALAS

EL PA√ćS

As manobras nas redes se tornam uma ameaça que os governos querem controlar

 manipulação das redes sociais está afetando os processos polític
A manipulação das redes sociais está afetando os processos políticos.

Tudo mudou para sempre em 2 de novembro de 2010, sem que ningu√©m percebesse. O Facebook introduziu uma simples mensagem que surgia no feed de not√≠cias de seus usu√°rios. Uma janelinha que anunciava que seus amigos j√° tinham ido votar. Estavam em curso as elei√ß√Ķes legislativas dos Estados Unidos e 60 milh√Ķes de eleitores vieram aquele teaser do Facebook. Cruzando dados de seus usu√°rios com o registro eleitoral, a rede social calculou que acabaram indo votar 340.000 pessoas que teriam ficado em casa se n√£o tivessem visto em suas p√°ginas que seus amigos tinham passado pelas urnas.

Dois anos depois, quando Barack Obama tentava a reelei√ß√£o, os cientistas do Facebook publicaram os resultados desse experimento pol√≠tico na revista Nature. Era a maneira de exibir os m√ļsculos diante dos potenciais anunciantes, o √ļnico modelo de neg√≥cio da empresa de Mark Zuckerberg, e que lhe rende mais de 9 bilh√Ķes de d√≥lares por trimestre. √Č f√°cil imaginar o quanto devem ter crescido os b√≠ceps do Facebook desde que mandou para as ruas centenas de milhares de eleitores h√° sete anos, quando nem sequer havia hist√≥rias patrocinadas.

H√° algumas semanas, o co-fundador do Twitter, Ev Williams, se desculpou pelo papel determinante que essa plataforma desempenhou na elei√ß√£o de Donald Trump, ao ajudar a criar um “ecossistema de ve√≠culos de comunica√ß√£o que se sustenta e prospera com base na aten√ß√£o”. “Isso √© o que nos torna mais burros e Donald Trump √© um sintoma disso”, afirmou. “Citar os tu√≠tes de Trump ou a √ļltima e mais est√ļpida coisa dita por qualquer candidato pol√≠tico ou por qualquer pessoa √© uma maneira eficiente de explorar os instintos mais baixos das pessoas. E isso est√° contaminando o mundo inteiro”, declarou Williams.

“Citar a coisa mais est√ļpida que qualquer pol√≠tico diga √© uma maneira de explorar os instintos mais baixos das pessoas. Isso est√° contaminando o mundo inteiro”, declarou o fundador do Twitter

Quando perguntaram a Zuckerberg se o Facebook tinha sido determinante na elei√ß√£o de Trump, ele recusou a ideia dizendo ser uma “loucura” e algo “extremamente improv√°vel”. No entanto, a pr√≥pria rede social que ele dirige se vangloria de ser uma ferramenta pol√≠tica decisiva em seus “casos de sucesso” publicit√°rios, atribuindo a si mesma um papel essencial nas vit√≥rias de deputados norte-americanas ou na maioria absoluta dos conservadores brit√Ęnicos em 2015.

O certo √© que √© a pr√≥pria equipe de Trump quem reconhece que cavalgou para a Casa Branca nas costas das redes sociais, aproveitando sua enorme capacidade de alcan√ßar usu√°rios tremendamente espec√≠ficos com mensagens quase personalizadas. Como revelou uma representante da equipe digital de Trump √† BBC, o Facebook, o Twitter, o YouTube e o Google tinham funcion√°rios com escrit√≥rios pr√≥prios no quartel-general do republicano. “Eles nos ajudaram a utilizar essas plataformas da maneira mais eficaz poss√≠vel. Quando voc√™ est√° injetando milh√Ķes e milh√Ķes de d√≥lares nessas plataformas sociais [entre 70 e 85 milh√Ķes de d√≥lares no caso do Facebook], recebe tratamento preferencial, com representantes que se certificam em satisfazer todas as nossas necessidades”.

E nisso apareceram os russos

 

A revela√ß√£o de que o Facebook permitiu que, a partir de contas falsas ligadas a Moscou, fossem comprados an√ļncios pr√≥-Trump no valor de 100.000 d√≥lares colocou sobre a mesa o lado negro da plataforma de Zuckerberg. Encurralado pela opini√£o p√ļblica e pelo Congresso dos Estados Unidos, a empresa reconheceu que esses an√ļncios tinham alcan√ßado 10 milh√Ķes de usu√°rios. No entanto, um especialista da Universidade de Columbia, Jonathan Albright, calculou que o n√ļmero real deve ser pelo menos o dobro, fora que grande parte de sua divulga√ß√£o teria sido org√Ęnica, ou seja, viralizando de maneira natural e n√£o s√≥ por patroc√≠nio. A resposta do Facebook? Apagar todo o rastro. E cortar o fluxo de informa√ß√Ķes para futuras investiga√ß√Ķes. “Nunca mais ele ou qualquer outro pesquisador poder√° realizar o tipo de an√°lise que fez dias antes”, publicou o The Washington Post h√° uma semana. “S√£o dados de interesse p√ļblico”, queixou-se Albright ao descobrir que o Facebook tinha fechado a √ļltima fresta pela qual os pesquisadores podiam espiar a realidade do que ocorre dentro da poderosa empresa.

Esteban Moro, que tamb√©m se dedica a buscar frestas entre as opacas paredes da rede social, critica a decis√£o da companhia de se fechar em vez de apostar na transpar√™ncia para demonstrar vontade de mudar. “Por isso tentamos for√ßar que o Facebook nos permita ver que parte do sistema influi nos resultados problem√°ticos”, afirma esse pesquisador, que atualmente trabalha no Media Lab do MIT. “N√£o sabemos at√© que ponto a plataforma est√° projetada para refor√ßar esse tipo de comportamento”, afirma, em refer√™ncia √† divulga√ß√£o de falsas informa√ß√Ķes politicamente interessadas.

“Seus algoritmos s√£o otimizados para favorecer a difus√£o da publicidade. Corrigir isso para evitar a propaga√ß√£o de desinforma√ß√£o vai contra o neg√≥cio”, explica Moro

O Facebook anunciou que contar√° com quase 9.000 funcion√°rios para editar conte√ļdos, o que muitos consideram um remendo em um problema que √© estrutural. “Seus algoritmos est√£o otimizados para favorecer a difus√£o de publicidade. Corrigir isso para evitar a propaga√ß√£o de desinforma√ß√£o vai contra o neg√≥cio”, explica Moro. A publicidade, principal fonte de rendas do Facebook e do Google, demanda que passemos mais tempos conectados, interagindo e clicando. E para obter isso, essas plataformas desenvolvem algoritmos muito potentes que criaram um campo de batalha perfeito para as mentiras pol√≠cias, no qual proliferaram ve√≠culos que faturam alto viralizando falsidades e meia-verdades polarizadas.

“√Č imprescind√≠vel haver um processo de supervis√£o desses algoritmos para mitigar seu impacto. E necessitamos de mais pesquisa para conhecer sua influ√™ncia”, reivindica Gemma Galdon, especialista no impacto social da tecnologia e diretora da consultoria Eticas. Galdon destaca a coincid√™ncia temporal de muitos fen√īmenos, como o efeito bolha das redes (ao fazer um usu√°rio se isolar de opini√Ķes diferentes da sua), o mal-estar social generalizado, a escala brutal na qual atuam essas plataformas, a opacidade dos algoritmos e o desaparecimento da confian√ßa na imprensa. Juntos, esses fatos geraram “um desastre significativo”. Moro concorda que “muitas das coisas que est√£o ocorrendo na sociedade t√™m a ver com o que ocorre nas redes”. E aponta um dado: “S√£o o √ļnico lugar em que se informam 40% dos norte-americanos, que passam nelas tr√™s horas por dia”.

A propaganda inform√°tica √© “uma das ferramentas mais poderosas contra a democracia”, segundo especialistas de Oxford, e por isso as redes “precisam se redesenhar para que a democracia sobreviva”

A diretora de opera√ß√Ķes do Facebook, Sheryl Sandberg, bra√ßo direito de Zuckerberg, defendeu a venda de an√ļncios como os russos, argumentando que se trata de uma quest√£o de "liberdade de express√£o". Segundo a ag√™ncia de not√≠cias Bloomberg, o Facebook e o Google colaboraram ativamente em uma campanha xen√≥foba contra refugiados para que fosse vista por eleitores-chave nos estados em disputa. O Google tamb√©m aceitou dinheiro russo para an√ļncios no YouTube e no Gmail. N√£o em v√£o, o Facebook tem pressionado h√° anos para que n√£o seja afetado pela legisla√ß√£o que exige que a m√≠dia tradicional seja transparente na contrata√ß√£o de propaganda eleitoral. Agora, o Senado pretende legislar sobre a propaganda digital contra a press√£o dessas grandes plataformas tecnol√≥gicas, que defendem a autorregula√ß√£o. Tanto o Twitter quanto o Facebook expressaram recentemente a inten√ß√£o de serem mais transparentes nesta quest√£o.

A responsabilidade do Twitter

 

Em meados deste ano, o Instituto de Internet da Universidade de Oxford publicou um relat√≥rio devastador, analisando a influ√™ncia que as plataformas digitais estavam tendo sobre os processos democr√°ticos em todo o mundo. A equipe de pesquisadores estudou o que aconteceu com milh√Ķes de publica√ß√Ķes nos √ļltimos dois anos em nove pa√≠ses (Brasil, Canad√°, China, Alemanha, Pol√īnia, Taiwan, R√ļssia, Ucr√Ęnia e Estados Unidos) e concluiu, entre outras coisas, que “os bots [contas automatizadas] podem influenciar processos pol√≠ticos de import√Ęncia mundial”.

Facebook, Twitter, YouTube e Google tinham funcion√°rios com escrit√≥rio pr√≥prio no quartel-general de Trump: “Quando voc√™ injeta tantos milh√Ķes, tem tratamento preferencial”

Nos EUA, os republicanos e a direita supremacista usaram ex√©rcitos de bots para “manipular consensos, dando a ilus√£o de uma popularidade on-line significativa para construir um verdadeiro apoio pol√≠tico” e para ampliar o alcance de sua propaganda. E concentraram seus esfor√ßos nos principais estados em disputa, que foram inundados com not√≠cias de fontes n√£o confi√°veis. Em pa√≠ses como a Pol√īnia e a R√ļssia, grande parte das conversas no Twitter √© monopolizada por contas automatizadas. Em estados mais autorit√°rios, as redes s√£o usadas para controlar o debate pol√≠tico, silenciando a oposi√ß√£o e, nos mais democr√°ticos, aparecem as cibertropas para intencionalmente contaminar as discuss√Ķes. As plataformas n√£o informam nem interferem porque colocariam “sua conta em risco”.

“Os bots utilizados para a manipula√ß√£o pol√≠tica tamb√©m s√£o ferramentas eficazes para fortalecer a propaganda on-line e as campanhas de √≥dio. Uma pessoa, ou um pequeno grupo de pessoas, pode usar um ex√©rcito de rob√īs pol√≠ticos no Twitter para dar a ilus√£o de um consenso de grande escala”, afirma a equipe da Oxford. E concluem: “A propaganda inform√°tica √© agora uma das ferramentas mais poderosas contra a democracia” e √© por isso que as plataformas digitais “precisam ser significativamente redesenhadas para que a democracia sobreviva √†s redes sociais”.

Zuckerberg diz que √© “loucura” pensar que o Facebook pode definir elei√ß√Ķes, mas se gaba de fazer isso em seu pr√≥prio site

O Twitter tamb√©m deletou conte√ļdo de valor potencialmente insubstitu√≠vel que ajudaria a identificar a influ√™ncia russa na elei√ß√£o de Trump. Mais recentemente, pesquisadores da Universidade do Sul da Calif√≥rnia alertaram sobre o desenvolvimento de um mercado paralelo de bots pol√≠ticos: as mesmas contas que antes apoiaram Trump, tentaram mais tarde envenenar a campanha na Fran√ßa a favor de Le Pen e, depois, produziram material em alem√£o colaborando com o partido neonazista Afd. Zuckerberg prometeu fazer o poss√≠vel para “garantir a integridade” das elei√ß√Ķes alem√£s. Durante a campanha, sete das 10 not√≠cias mais virais sobre a primeira-ministra alem√£ Angela Merkel no Facebook eram falsas. O portal ProPublica acaba de revelar que a rede social tolerou an√ļncios ilegais que espalhavam informa√ß√Ķes t√≥xicas contra o Partido Verde alem√£o.

Galdon trabalha com a Comiss√£o Europeia, a qual considera “muito preocupada” nos √ļltimos meses em dar uma resposta a esses fen√īmenos, pensando em um marco europeu de controle que, atualmente, est√° muito longe de ser concretizado. “H√° quem aposte pela autorregula√ß√£o, quem acredite que deve haver um √≥rg√£o de supervis√£o de algoritmos como o dos medicamentos e at√© mesmo quem pe√ßa que os conte√ļdos sejam diretamente censurados”, diz a pesquisadora. Mas Galdon destaca um problema maior: “Dizemos √†s plataformas que precisam atuar melhor, mas n√£o sabemos o que significa melhor. As autoridades europeias est√£o preocupadas, mas n√£o sabem bem o que est√° acontecendo, o que mudar ou o que pedir exatamente”.

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SAIR DA BOLHA

Tem sido muito discutido o verdadeiro impacto do risco das bolhas de opini√£o geradas pelas redes, depois do alerta do ativista Eli Pariser. “Esse filtro, que acaba refor√ßando nossos pr√≥prios argumentos, est√° sendo decisivo”, alerta Galdon. Recentemente, Sheryl Sandberg, do Facebook, disse que a bolha era menor em sua plataforma do que na m√≠dia tradicional (embora tenha negado categoricamente que sua empresa possa ser considerada um meio de comunica√ß√£o). Cerca de 23% dos amigos de um usu√°rio do Facebook t√™m opini√Ķes pol√≠ticas diferentes desse amigo, de acordo com Sandberg.

“Sabemos que as din√Ęmicas do Facebook favorecem o refor√ßo de opini√Ķes, que tudo √© exacerbado porque buscamos a aprova√ß√£o do grupo, porque podemos silenciar pessoas das quais n√£o gostamos, porque a ferramenta nos d√° mais do que n√≥s gostamos. E isso gera maior polaridade”, diz Esteban Moro. Um exemplo: um estudo recente do Pew Research Center mostrou que os pol√≠ticos mais extremistas t√™m muito mais seguidores no Facebook do que os moderados. “Vivemos em regi√Ķes de redes sociais completamente fechadas, das quais √© muito dif√≠cil sair”, afirma. E prop√Ķe testar o experimento de seus colegas do Media Lab, do MIT, que desenvolveram a ferramenta FlipFeed, que permite entrar na bolha de outro usu√°rio do Twitter, vendo sua timeline: “√Č como se voc√™ fosse levado de helic√≥ptero e lan√ßado no Texas sendo eleitor de Trump. Assim voc√™ percebe o quanto vivemos em um ecossistema de pessoas que pensam exatamente como n√≥s”.






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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.



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