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4.10.17

Catalunha: independentistas ganham cabo eleitoral VIP - o Rei (!)


Catalunha: independentistas ganham cabo eleitoral VIP - o Rei (!)

Por Romulus

Um dos maiores argumentos em favor da Monarquia como forma de governo é prover uma "figura referencial" encarnando (literalmente!) a nação. Acima das paixões políticas... au-dessus de la mêlée. Um símbolo vivo de união, da tradição ancestral, a transmitir estabilidade em momentos críticos da vida política nacional. A Coroa teria o condão de situar os problemas de "curto prazo" em perspectiva, diante da "História (romanceada...) nacional". A palavra do Rei atuaria como elemento de pacificação.

Bem...


Se esse é o caso, podemos estar certos de que o Rei Felipe VI de Espanha faltou a essa lição (!)


*




Gente...

Grande expectativa ontem pela fala do Rei Felipe VI - de Bourbon (trop chic!) - sobre a crise Espanha-Catalunha. Seria o seu primeiro discurso à nação num contexto de crise, à diferença da tradicional fala de "bom Natal". Para se ter uma noção da solenidade, o seu pai, o Rei Juan Carlos, só fez uso dessa "prerrogativa" por 4 vezes durante as 4 décadas (!) do seu reinado:

(i) a primeira, com o uniforme de Comandante máximo das Forças Armadas, para abortar, em 1981, uma tentativa de golpe militar (!) das viúvas tresloucadas do franquismo, que haviam invadido o Parlamento, dado tiros e feito os parlamentares reféns (!):







(ii) a segunda, mais de 20 anos depois!, quando do maior atentado terrorista da História do país, em 2004, em que a Al Qaeda explodiu um trem lotado:




(iii) a terceira em 2014, quando morreu Adolfo Suárez, o Premiê que fez a transição para a democracia:




(iv) e mais tarde, no mesmo ano, para anunciar a sua própria abdicação ao trono:




*

Antecedente: para que diabos serve um "rei" no Século XXI
(em teoria...)

Do curso de Teoria Geral do Estado, no início da Faculdade de Direito (ministrado pelo Ministro Luis Roberto Barroso, imaginem vocês!) lembro que um dos maiores argumentos em favor da Monarquia como forma de governo é, justamente, prover uma "figura referencial" encarnando (literalmente!) a nação. Acima das paixões políticas... au-dessus de la mêlée. Um símbolo vivo de união, da tradição ancestral, a transmitir estabilidade em momentos críticos da vida política nacional. A Coroa teria o condão de situar os problemas de "curto prazo" em perspectiva, diante da "História (romanceada...) nacional". A palavra do Rei atuaria como elemento de pacificação.

Lembram do ótimo filme de 2011 "The King's speech"?




E do outro ótimo filme "The Queen", de 2006?




Pois então: essa é a ideia de mensagens d@ monarca à nação.

*

Bem...

Se esse é o caso, podemos estar certos de que o Rei Felipe VI faltou a essa lição...

(Que tal mandarmos o Min. Barroso de presente para ele?
Perpetuamente, no caso??)

A Espanha, a Europa e a comunidade internacional aguardavam ansiosamente o seu pronunciamento ontem...

- À toa!

Ora, não havia necessidade de ter esperado tanto: o mesmo discurso poderia ter sido lido pelo Premiê Mariano-Rajoy (!)

E vice-versa!

Zero palavra sobre a violência policial.

Zero palavra dirigida aos segmentos independentistas da população catalã.

Na verdade, tal qual Rajoy, o Rei dirigiu-se exclusivamente às "suas bases": o resto da Espanha, extra-Catalunha, e os segmentos anti-independência dentro da própria Região.

E chamou pra guerra:

- Cenho cerrado, tom de admoestação e gestual exagerado. No conjunto, o oposto de sobriedade "real"!

*

Desastre épico!

*

Ou não??

*

Bem...

Depende de ao que o Rei se propôs...

Bem como, evidentemente, da resposta que seguirá.

*

A União Europeia nisso tudo: silêncio que grita

O silêncio das instituições da União Europeia sobre as terríveis imagens de domingo grita.

Mas era de se esperar: os Presidentes das 3 instituições - Conselho da UE (análogo a uma "câmara alta", representando os Estados membro); Parlamento Europeu (análogo a uma "câmara baixa", representando os povos); e da Comissão Europeia (análogo a um Executivo europeu) fazem todos parte do mesmo grupamento político europeu conservador, o "Partido Popular (?!) Europeu". Evidentemente, os eurodeputados do Partido Popular espanhol fazem também parte dessa bancada.

Solidariedade.

Deputados ecologistas tentaram passar uma moção de repúdio à violência...

Nada feito!

Alquimicamente, terminou-se com uma manifestação em favor da "Constituição" e da "legalidade" na Espanha (!)

*

E, assim, os "gênios" políticos de Madri e de Bruxelas jogam o oportunista e pragmático PDECat, o partido nacionalista catalão conservador que governa a Região, no colo dos radicais:

- "Coxinhas" (direita egoísta) e "cirandeiros" (esquerda festiva) catalães [*], partidários da declaração unilateral de independência.

(fictícia, evidentemente...
Ninguém fora da ~Praia da Barceloneta~ e das ~Ramblas~ vai reconhecer o "novo país"!)

*

[*] "coxinhas" e "cirandeiros" unidos por uma causa...

Hmmm...

União esdrúxula, né...

Ou...

....

... será que NÃO??

Bem...

Basta lembrar de 2013 no Brasil para ver que "esdrúxula" ou não, essa união às vezes faz a força!

Não era "por 20 centavos" mesmo não...

Era por um golpe de Estado (!)

*

Reações à gasolina na fogueira do Rei:

- O PP (direita arcaica, herdeira da franquismo, liberal na economia e conservadora em "valores") e Mariano Rajoy aclamaram o discurso do Rei.

(dããããããã!
Mas é claro: foram eles que redigiram, ora!)


- O Ciudadanos, direita "moderninha", liberal na economia e em "valores".
Voz do "mercado" e dos "meritocráticos", sabe?
Então...
Disseram que o Rei deu o tom a ser seguido (!) e que não se deve hesitar em levar a cabo uma intervenção direta do poder central na Catalunha!
Muy liberales...
¬¬


- O PSOE (esquerda social-democrata tradicional), da turma do deixa disso, vaselinou sobre o conteúdo belicista, mas lamentou a ausência de qualquer referência à desproporcionalidade da violência empregada pelas forças de Madri no domingo.


- O Podemos, esquerda "moderninha" descompromissada com política MAJORITÁRIA (um PSOL que deu certo, digamos...), deplorou o discurso. Disse ter sido o mais irresponsável em 42 anos de restabelecimento da monarquia. E retomou o slogan: "não no meu nome!"

*

Próximo passo na escalada:

Só falta Madri, aumentando o grau de intervenção e encampação das funções de Estado na Catalunha, dissolver de vez o (auto) governo local.

Aí os independentistas ficarão imbatíveis mesmo!



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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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