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27.4.17

Eleição na França: o "jogo" do segundo turno (1/3)

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Eleição na França: o "jogo" do segundo turno

(Parte 1 de 3)



Por Romulus & Núcleo Duro


- Suposição: establishment inflará “ameaça Le Pen”. No desempenho de campanha, nas pesquisas e no “caos” contratado por ela. Mas…


- … sempre destacando a “vacina”: Macron!


- Por quê?


- Ora, para assegurar o comparecimento dos eleitores - desgostosos - no segundo turno… esse sim o único fator que pode fazer, efetivamente, “dar zebra”.


- Batalha de narrativas: forma-se uma “frente ampla de salvação nacional” contra... “o cão danado, arauto do ~caos~ ”...


- … ou não?!


- Diante da disputa "extrema-direita" vs. "extrema...

- ... finança (!)": viraliza, nas redes e nas ruas, o bordão “nem pátria, nem patrão: nem Le Pen, nem Macron!”


- (Zero vírgula) 1% global cava sua cova: fechamento da fábrica da Whirlpool coloca Le Pen e Macron face a face. “Com” e “contra” o povo, respectivamente (!).

- E para fechar: o Secretário-Geral do Partido Socialista está… me lendo??
😮


Votações no primeiro turno:






João Antônio: Quais dos pequenos candidatos são de esquerda e quais de direita?


Romulus: Esquerda: Arthaud / Poutou / Hamon / Melénchon / "Cheminade" (não militou na esquerda mas programa é de "esquerda radical"... no sentido de “anti-sistema”).


João Antônio: Esquerda + Macron = 52%. Considerando divisão na direita: 67x33 no segundo turno.


Romulus:  Sim, por aí... tenho falando em entre 60/40 / 65/35.


João Antônio: O problema seria do estímulo do eleitorado ir votar. Caso da eleição no Rio de Janeiro, com altíssima abstenção


Romulus: exato. Por isso o “teto” de 60/40.
Se as pesquisas derem folga de Macron, a esquerda vai ficar em casa.


Por isso, talvez...


<<o establishment tenha agora interesse em inflar “a ameaça Le Pen” artificialmente nas pesquisas>>


Ao menos na última semana.


Sobre o eleitorado ir ou não ainda...
O NPA (Novo Partido anticapitalista - trotskista), do Poutou, e a LO (Luta Operária - trotskista), da Arthaud, por exemplo, pregaram a abstenção de outras vezes (disputa de segundo turno entre direita / esquerda “tradicionais”). Assim como Melénchon (também trotskista).


Desta vez poderia ser diferente, já que quem está no segundo turno é o “diabo”: o Front National (FN).


Mas não. Todos já pregaram ou a abstenção (LO e NPA) ou não quiseram declarar o voto (Melénchon).


Hamon, do Partido Socialista, foi o primeiro candidato derrotado no primeiro turno a não só declarar voto, com a recomendar que a militância faça campanha contra o FN (“a favor” de Macron).


As primeiras pesquisas dão que, dos eleitores de Hamon, agora em 92% “prefere” em Macron...


- ... mas vai sair de casa para votar nele no Dia D??


Dos de Melénchon, o número já é sensivelmente menor: 70% diz “preferir” Macron.


E aí repito a pergunta, desta vez com ainda mais ênfase:


- Vai sair de casa para votar em “Emmanuel ~Hollande~ ” (!) no Dia D??


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Alerta:


<<Imaginem o que não tem de voto - e abstenção! - envergonhados !>>







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*


Uma “frente ampla de salvação nacional” contra... “o cão danado, arauto do ~caos~ ” - ou não?!


Se do lado da Esquerda foi assim, na Direita o candidato Fillon também declarou voto em – e recomendou fazer campanha por – Macron.


Totalmente desmoralizado, já não manda nada no Partido.

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Assim, o Les Républicans – e partidos satélite – estão rachados.


Políticos: há quem tenha, como Fillon, declarado voto em Macron; há quem não diga nada; há quem defenda a abstenção (o “ni, ni”); e há até mesmo quem defenda voto “contra Macron”, que, incidentalmente, se traduz em... “voto em Le Pen”.

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Mas, quanto ao ~eleitorado~ de Fillon, as primeiras pesquisas dão:

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De novo: pode haver grande parte de voto e abstenção “envergonhados” nos 48% pró-Macron.




Então...


Votaram em Fillon – com muito engajamento (salvaram sua campanha) – e não querem nem ouvir falar em Macron...

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A líder anti-casamento gay:

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“Piada pronta”:






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E o que "Mama"-Marine tem a dizer para essas ovelhas sem... hmmm... pastor??

"Vinde a mim as criancinhas": "Fillon traiu seu eleitorado ao apoiar Macron", diz Le Pen.

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*


Quanto aos apoios políticos, temos de ver quem Le Pen consegue atrair para si.


Ou melhor: ~afastar~ de Macron.


O candidato de direita soberanista, Nicolas Dupont-Aignan – que teve quase 5% dos votos – disse que “consultaria as bases” e depois se pronunciaria publicamente.


É o mais próximo, em termos programáticos, de Le. Mas é um dissidente do LR.


"Programaticamente" ele deveria apoiar Le Pen...


Mas...


Posso garantir que o celular dele deve estar entupido de ligações e mensagens de texto. (rs)


O importante não é nem tanto os seus 5%...


Mas sim consolidar – ou não! – a ~narrativa~ da formação de uma "frente ampla de salvação nacional" contra a "cão danado, arauto do caos".


O establishment quer passar a impressão de isolamento total de Le Pen e do FN. Inclusive em nível europeu e internacional.


*


“Nem pátria, nem patrão: nem Le Pen, nem Macron!”


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Frase não apenas pichada pelas ruas de Paris, como também viralizando nas redes sociais.


“Patrão”: bolsa em euforia ($$$) com ida de Macron (“já quase presidente”) ao segundo turno contra (“a inelegível”) Le Pen.


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Melénchon fica, portanto numa posição delicadíssima (tema da parte 2). Tirando xenofobia / “falconismo” na segurança interna, o programa dele é igual ao de Le Pen!


Não só em termos econômicos como nas relações internacionais.


O seu programa é o exato oposto ao de Macron... o que, aliás, ele não cansou de dizer ao longo de toda a campanha!
Mas, por outro lado, não tem como apoiar voto no FN...


Pelo menos não em público: no escurinho da cabine votará...


- ... Le Pen!


- Lembram do Sarney, apoiador de Dilma, pego no flagrante digitando “4... 5” na urna eletrônica em 2014??




*


O (zero vírgula) 1% global cava a sua cova


Maria: me dei conta do percentual dos votos. Escreveram pro Hamon pedindo pra retirar a candidatura, em nome da unidade de esquerda. A gente cansou de pedir o mesmo pra Erundina. Resultado; calamity Doria. Poderia ter feito a diferença também por Mélenchon os 6% dos seus votos?


Ciro: Bem, nesse caso existe a possibilidade de Calamity Melénchon. Se eu estivesse na França, iria de Macron e não de Melénchon se Hanon tivesse retirado a candidatura, e imagino q muitos socialistas o fizeram já no primeiro turno. Deve-se lembrar que boa parte do PS já é de centro em termos econômicos de saída. Não gostam do Hollande, mas podem perfeitamente votar - NELE, numa versão repaginada...


Maria: Não tenho dúvida de que o fundinho liberal de sua alma de economista votaria contra “Calamity Mélenchon”, Ciro. Na base do sarcasmo, Romulus disse quase a mesma coisa o tempo inteiro. Meu mal, além de não ter senso de humor, é não aguentar a debacle da humanidade em que o neoliberalismo nos jogou. O que não quer dizer que eu seja uma nova Marianne de bandeira em punho marchando para a Bastille ou sentada fazendo tricô ao lado da guilhotina pra ver as cabeças rolarem. Aliás, a Rainha da Alice pedia a mesma coisa. Meu humanismo pacifista idiota e terra-a-terra não me identifica com nenhum dos 2 personagens. Hélas! Vou continuar discordando de vocês!


Romulus: Acho que Maria Lucia Montes esqueceu as metáforas que tanto elogiara... do "Dilúvio", das "dores do parto", com a equipe médica se empenhando em fazer a parturiente sair da sala de parto para o IML.


Quando cisma com algo ("Romulus é liberal... amante de... Agrh! Jared Diamond!) desista... impossível desfazer a impressão.


Pouco importa eu escrever, agora há mais de ano, contra o neoliberalismo, mostrando que, ele sim, ~elegerá~ ao fim e ao cabo "o caos" que tanto detesta e teme.

*

Exemplo ~do dia~ :

- Fechamento da fábrica da Whirlpool coloca Le Pen e Macron face a face

Primeiro, uma introdução trazendo o argumento do liberalismo econômico em favor da livre migração entre os países:





Romulus: Acho que ninguém tem duvida de que a plena liberdade de movimento dos dois fatores de produção - capital e trabalho - aumentaria a eficiência enormemente - em nível ~global~


Pois então... já se tem, inclusive, experimento em "pequena" escala que comprova a tese: a União Europeia!


Hoje ela esta muito mais eficiente podendo contar, não só com as fabricas indo pro Leste pra um salario mínimo de 200 euros na Romênia (vs. 1.150 na França), como com a "Diretiva de Trabalhadores Avulsos", que permite que vc. empregue na Alemanha e na França um romeno, mas pagando os encargos sociais... da Romênia! (e não da Alemanha e da França)


Advinha o que o (ex) proletariado, precarizado, francês e alemão acha dessa Diretiva e das deslocalizações de fabricas para o Leste??


Sinais:


- Sem surpresa, a "Diretiva dos trabalhadores avulsos", emanada de burocratas de Bruxelas que amam "eficiência econômica", foi tema quente da campanha presidencial na França. Todos os candidatos bateram - até a direita. Só Emmanuel Macron fez uma "defesa" dela ("o problema não são os trabalhadores que vem pela Diretiva, mas sim os que vem clandestinos").


- Pois HOJE, Emmanuel Macron foi a Amiens, sua cidade natal, tratar com os executivos da Whirpool, cuja fabrica será deslocalizada para a Polônia - para, ainda assim, continuar vendendo na França (seu maior mercado na Europa) os seus produtos (viva o Mercado Comum!). A direção não achou "recomendável" ele ir falar com os trabalhadores em greve, há semanas fazendo piquete na porta da fábrica condenada.


- Pois o que fez Marine Le Pen??
Sagaz, apareceu também em Amiens hoje de manhã de surpresa. Foi direto falar com os futuros-desempregados, na porta da fábrica. Onde foi recebida como...


- ... uma Joana D'Arc!


Não canso de dizer: o (zero virgula) 1 por cento, sucumbindo ao seu moral hazard na maximização dos seus ganhos, cria, ele próprio, o "caos" que tanto teme, jogando com essa "race to the bottom" entre países e blocos econômicos.


Ao que se agarrar no desespero?


- Ora, aos profetas do soberanismo e do patriotismo, como Marine Le Pen (!). Afinal, dentro dos países, (por enquanto) ainda vale o "1 homem, 1 voto".


*


P.S.: Não é surpresa nenhuma que a The Economist sempre tenha defendido a livre circulação dos "Polish plumbers" na UE e sua presença no Reino Unido - rejeitada, pela população, no referendo do "Brexit".


P.P.S.: nao sou contra a imigração nem chauvinista anti-globalização!
Só quero dizer que a discussão é um pouco mais complicada que "eficiência aumenta com livre transito de fatores de produção".


Ciro: Eu adoro a imigração, exceto pelo fato de que ela nunca vai dar certo. Na matemática é bem melhor do que na vida real... afinal de contas, as pessoas não são nada mais do que uma força de trabalho, não existe uma cultura, uma língua, uma religião, uma história coletiva (real e/ou inventada enquanto mito formador de nação). Nos livros as pessoas vêm de uma cultura menos desenvolvida e se assimilam em relação a uma cultura "mais desenvolvida" - exceto quando não acontece né? Invasões Bárbaras, anyone?


E eu me recuso a ser taxado de xenofóbico, até porque não sou, minha maior xenofobia é em relação ao próprio brasileiro (me sinto um estrangeiro em terra estranha boa parte do tempo, talvez sejam os anos morando na américa do norte que me causem essa sensação de despertencimento..) Agora não precisa ser xenofóbico para entender que xenofobia é um status básico da condição humana e isso não vai mudar só pq eu decidi que é mais eficiente... é aquele negócio né, os humanos tem esse problema, eles se recusam a fazer aquilo que a matemática diz que eles deviam fazer... é um bug...


Um bug no humano que acha que a matemática explica tudo...


Tipo essa economista aqui que fala sobre a reforma trabalhista:


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"Mas mesmo que no curto prazo (o impacto da reforma) possa frustrar, ela vai na direção certa". Ou seja, mesmo se não der certo, vai dar certo pq é o certo e então só pode dar certo... Não importam os fatos, muito menos isso eleger um populista irresponsável depois - Trump (ou Le Pen ou algo parecido) neles...


Romulus: "xenofobia é um status básico da condição humana"
👍
Jared Diamond likes this.


Pra ele, no livro "o terceiro chimpanzé", a xenofobia é um dos traços "definidores" do ser humano.


Ciro: Não reconhecer a natureza dos "incentivos" humanos é, inclusive, fracassar fragorosamente. Uma das maiores razões do fracasso do sonho comunista foi justamente essa:


<<o humanismo tem uma visão muito otimista do ser humano...>>


*


Vídeos (muito) ilustrativos:

(1) Macron e Le Pen - "contra" e "com" o povo, respectivamente - na fábrica da Whirlpool (inglês e francês):






(2) "Vu" - quadro da TV pública que (muito bem!) resume o dia seguinte à eleição, em 5min:

- Segredo da urna: Hollande não votou em Hamon (Oh!!) - Depois do resultado, recomenda voto em Macron (Oh!! (2)) - Bolsa explode: viva Macron Presidente!! - Bruxelas tenta correr atras to prejuízo, acenando com migalhas pro povão. - Le Pen diz que só tem de crescer 10 pontos para ganhar.




(3) Jornal das 20h da TV pública, com a cobertura completa do "evento do dia", na fábrica da Whirlpool

- Notem a diferença gigante entre o tempo de tela da Le Pen vs. o do Macron + tons das reportagens e dos comentaristas políticos e econômicos.
Acho que a cobertura da Globo no PT vs. PSDB é menos parcial. (rs)




(4) To mandando bem na cobertura ou não estou?

- No dia 26 (ontem), o Secretário-geral do PS analisa em 10min o "jogo" do segundo turno...

- ... e em tudo ~repete~ o que eu disse no artigo de domingo à noite, na saída do resultado!

Será que ele também está me lendo?? (rs)



- Pois você soube antes aqui! (rs)




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Ilustrações? Google imagens: “globalização” + “desigualdade”


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Atualização 28/4

- Le Pen lança apelo aos "insubmissos" de Melénchon







- Melénchon, que "se pronunciaria" hoje, acaba não recomendando voto (de novo!).

Diz que irá votar... "por coerência", já que seu programa defendia o voto obrigatório.

Diz que não recomenda voto por respeito aos eleitores.

Mas pergunta?

"Alguém acredita que eu poderia votar no FN?"

Bem...

"No escurinho da urna"??

~Eu~ acredito! 😉

De qualquer forma, sobra o voto branco, não?? 😉




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Achou meu estilo “esquisito”? “Caótico”?


- Pois você não está só! Clique na imagem e chore as suas mágoas:


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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.




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