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8.3.17

“Contra tudo o que está aí... pero no mucho”: lições da eleição francesa para o Brasil (de 2018?)

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“Contra tudo o que está aí... pero no mucho”: lições da eleição francesa para o Brasil (de 2018?)



Por Romulus & Núcleo Duro


- Berlusconi ascende na Itália com a implosão do sistema político pela "Mãos Limpas", que queria "limpar”, ~liberalizar~, a economia italiana.


- Já Emmanuel Macron - e Marine Le Pen! - ascendem na França diante da rejeição generalizada aos partidos tradicionais. Justamente os que tocaram - alternadamente, esquerda e direita - a tal da ~liberalização~ na economia francesa.


- Tempos estranhos: há uma grande dose de dissonância cognitiva dos eleitores. Rejeitam frontalmente o “Rei”, François Hollande, e - ao mesmo tempo! - dão voto de confiança ao "dauphin", o seu príncipe herdeiro.


- Mas não há muito mistério nisso: é justamente o que mais claramente evidencia o caráter midiático da construção do "mito" Emmanuel Macron, o “candidato da mudança, pero no mucho”, voando nas asas da mídia e do mercado financeiro.


- Que lições tirar para o Brasil (de 2018 (?))?


- Para começar: na França usa-se o termo ~fasciosfera~ para se referir aos canais da extrema-direita nas redes sociais. Sugiro adotarmos no Brasil também.



*


Discussão em cima do artigo de segunda-feira:


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Romulus - O pessoal usa na França um termo para se referir às redes da extrema-direita nas redes sociais perfeito: ~fasciosfera~


Devíamos adotar no Brasil tb.


Zeca:


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Romulus: pois é... foi a noticia do dia na segunda-feira na França. Pronunciamento transmitido ao vivo na TV lá da Prefeitura de Bordeaux...


O importante não foi nem tanto a sua desistência... e sim o pau que ele desceu no candidato do seu partido (e indiretamente no Sarkozy, que impediu a substituição do candidato encrencado por Juppé): “quel gâchis”... “que desperdício”.





François Fillon, o candidato encrencado na Justiça, é tipo um “Aécio” da França: não aceita que perdeu. Para ele, o jogo acabou.


Mas não aceita...


Também pudera: estava virtualmente eleito em dezembro. Mas denúncias de emprego-fantasma dados a mulher e filhos no seu gabinete parlamentar – e a forma desastrada com que a revelação foi tratada na sua estratégia de comunicação – acabaram com as chances do candidato, de discurso moralista, e ligado aos católicos conservadores.


[Esses, fortemente mobilizados para a luta política desde que incitados e “tirados das trevas” por políticos da direita para formar, em 2013, o movimento “Manif pour Tous” (“Manifestação [de “opinião” (?)] para todos”), de oposição, violentíssima, à lei do “Mariage pour tous” (“Casamento para todos”), que legalizou as uniões homoafetivas na França.


Hmmm...


“Direita incitando e instrumentalizando ‘franjas trevosas’ da sociedade para provocar desgaste em um governo de esquerda”...


¬¬


- Já vi isso em algum lugar...]


Fillon desabou nas pesquisas. Hoje está em terceiro e caindo... virtualmente eliminado ainda no primeiro turno.


Mas, como deixou claro no último domingo, vai até o fim. Carregando seu partido para uma derrota certa. E que custará possivelmente, inclusive, a eleição – antes certa – da maioria na eleição parlamentar subsequente. Desgastado, será até o fim a “cara do partido” para estas eleições gerais de 2017.


Setores apelaram ao moderado (“centrista”) Alain Juppé, segundo colocado nas primárias. Pediam que assumisse a candidatura do partido. Mas ele, discretíssimo e extremamente sóbrio (pelo que é muitas vezes criticado), deixou claro que só o faria se fosse um nome de consenso. Não brigaria pela vaga.


Teria de ser aceito pela ala “identitária” (xenófoba), liderada pelo ex-Presidente Nicolas Sarkozy, pela ala católica conservadora, de Fillon, e pelos “mercadistas” liberalizantes ligados à Finança, já que seu ideário é de centro.


Nada feito!


- O candidato François Fillon, o “Aécio francês”, recusou-se a largar o osso.


- Sarkozy, cuja rivalidade com Juppé remonta décadas, achou melhor ~perder~ com Fillon do que ganhar com ~Juppé~.


Entendam: todos já desistiram desta eleição. E do país - apenas um “detalhe”... - ameaçado pela vitória da extrema-direita de Le Pen.

Agora pensam apenas no controle do partido no pós-eleição.


Tania: Sarkozy, na verdade, é o responsável por essa atitude "senhorial" do Fillon. Ele nunca foi um conciliador.


João Antônio: A imprensa quer o candidato Emmanuel Macron? Aparentemente estão comemorando que não terá um candidato conservador capaz de atrair o centro. Será igual com o Freixo no RJ?


Tania: Se não me engano, Macron era o queridinho da mídia desde o início da campanha.


Romulus: Sim, Macron é o candidato da mídia (e do mercado financeiro). Era virtualmente impossível sequer chegar ao 2o turno no início da campanha. Concorria mais para fazer nome, para 2022.


O cara tem 39 anos!!


Mas tem uma sorte do caramba!


TUDO o que podia acontecer para favorecer ele aconteceu.


TUDO!


Inclusive os resultados de cada uma das primárias partidárias - da direita e da esquerda. No contexto atual de radicalização política, ambas as bases escolheram os candidatos mais próximos dos extremos, abrindo espaço para uma candidatura de centro no eleitorado geral:

- Macron!


Mas, dado o cenário atual, é o "mal menor". Se ganhar, vão ser mais 5 anos de Hollandismo (“esquerda” neoliberal envergonhada)...


Como falei no artigo de segunda-feira, se a economia global e a europeia retomarem, “beleza”.


Senão,  é Le Pen 2022.


Inapelavelmente.




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Tania: Mas acho que tem também algumas qualidades pessoais que o fazem se destacar do déjà-vu:

<<carisma, boa oratória, e a idade. O novo, enfim>>


Romulus: Sim, com certeza...

<<"nem de esquerda nem de direita"; "sou de fora do sistema politico">>


"Meritocrático": diplomas das “grandes escolas” - Science-Po + ENA; bem-sucedido no mercado financeiro antes de entrar na vida pública (Banco Rothschild), fala inglês bem...


O que podia pegar era o boato, que corre no submundo da internet, de que seja gay. E de que o seu casamento - com sua ex-professora da escola (!), muito mais velha - de fachada. Mas até agora ele soube contornar.


Seguindo seu planejamento, quando a boataria atingiu o pico em buscas no Google - palavras chave “Macron + gay” - ele mesmo abordou o tema. Mostrando toda a sua habilidade comunicativa, em vez de “passar recibo” com uma cara sisuda, tom solene e ofendido, num pronunciamento formal, ridicularizou as insinuações, fazendo piada:


France's Macron dismisses talk of gay extra-marital relationship
REUTERS.COM





Tania: O francês não é puritano como os anglo-saxões. O comportamento sexual não é da alçada pública.


Patrícia: Tem um programa do Yan Bardes, o “Quotidient”, que faz uma análise de Macron desde o inicio da campanha, e ele melhorou muito! Em oratória, visivelmente! A idade é bom pros jovens mas os mais idosos veem com desconfiança... Carisma, ele dá um ar de garoto maroto inteligente, desses que a gente para pra observar o que ele vai aprontar agora, e acho que aí ele seduz...


E ele ainda vive falando das redes sociais, emails, ele é bom... Só acho que ele é fascinado pelo poder e o poder pende demais pro liberalismo, que vai pra onde a gente já sabe... Mas aí é só minha impressão.


Tania: Talvez seja mais do que impressão, Patrícia, talvez seja intuição mesmo. Ele domina os meios, tem as ferramentas necessárias, mas ninguém sabe o que lhe vai de verdade na cabeça. A ver...


Romulus: Sim... vê-se que é ambicioso e que sonha com a presidência desde menininho. Talvez então sua professorinha, impressionada, tenha resolvido dar uma "ajudinha" rs


Certamente tende pro liberalismo financista, mas "envergonhado". Realmente, como dizem os concorrentes, é o "dauphin" de François Hollande, seu príncipe herdeiro. Mais do mesmo: social-liberalismo.


É a sua cria política:

- O jovem “Enarca” (egresso da escola de elite do funcionalismo “meritocrático” – a ENA), articulado, liberal na economia com um quê (quanto?) de sensibilidade social.


Sem nenhuma experiência política prévia, foi assessor econômico do Presidente Hollande no início de seu mandato, lotado no Palácio do Eliseu. E, em seguida, seu Ministro da Economia, comandando - aos 36 anos!! - “Bercy”, como o prédio da área econômica e orçamentária, na margem do Rio Sena, é conhecido.


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- Tava bom aos 36? Pois ele tem planos bem maiores aos 39...

Do ponto de vista programático, o candidato mais interessante, e que realmente discute as questões fundamentais para o futuro é o "radical" (??) Benoît Hamon, do Partido Socialista.


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Ex-Ministro da Educação, saiu do governo por ser crítico à guinada liberal da trinca Hollande (Presidente) – Valls (Primeiro Ministro) – Macron (Economia). Ganhou as primárias do PS, derrotando, justamente, o candidato do oficialismo social-liberal: o ex-Primeiro Ministro Manuel Valls.


Seu programa econômico conta com a colaboração do economista-estrela Thomas Piketty (“O Capital no Séc XXI”)...


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...e propõe a renda mínima universal como resposta ao desemprego estrutural causado pela desindustrialização e pela revolução digital / robotização.

É bastante ousado na pauta ambiental e na reforma das instituições da 5a República, o que lhe rendeu a inédita aliança com o Partido Verde ("Os Verdes - Europa Ecologia"). Esse último não lançará candidato próprio... pela primeira vez desde 1974!


Não à toa, é o candidato "mais perigoso"... e que a mídia mais visa a desconstruir. E isso desde o inicio da campanha... ainda na fase das primárias!


Muito mais que o veterano Jean-Luc Mélenchon, que, como "radical de esquerda folclórico" - que disputa sempre, não esperando de fato ganhar - serve o seu propósito, dividindo o voto na esquerda. Um "psolista" na eleição francesa, digamos assim.


Tania: A maré não está pra Benoît Hamon, infelizmente.

Provavelmente vai dar “macaron” de todos os sabores rsrs.

Romulus:


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Tania: Hahaha!


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- Macron: um candidato ~perto de você~
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- Até no Rio e em SP!







Anne Sinclair, ex-mulher do Dominique Strauss-Khan (e portanto “quase Primeira-Dama” da França em 2012), consagrada jornalista política nos anos 80/90, que acaba de lançar um livro sobre a eleição:


«Macron et Hamon se sont révélés cette année. Trump aussi...»



Tania: Muito ponderada. E ela faz parte do côté riche...


Maria: El Pais fala da habilidade dele em estar fora quando está dentro e parecer estar dentro quanto está fora e lembra Berlusconi como parâmetro de comparação. Aí lembrei que o PHA, lá no início de Dilma 2 e Levy, dizia que se o PT não pensasse em melhorar sua comunicação pra enfrentar a mídia e mobilizar suas bases militantes, a gente ia acabar com algum Berlusconi se projetando na cena política e até acabar virando presidente. Algo a ver como modelito pro nosso inefável Dória? Se ao menos a ambição do idiotinha tivesse por trás o currículo do Macron, o jogo de cintura e a sorte do cara...


Romulus: Acho essa comparação do Macron com o Berlusconi bem imprópria! O que eles têm em comum é virem de fora do sistema partidário tradicional.


Macron tem formação, é inteligente, refinado, tem projeto (goste-se ou não) e...


- ... NAO É UM ESCROQUE! rs


<<Berlusconi ascende com a implosão do sistema político pela "Mãos Limpas", que queria "limpar”, ~liberalizar~, a economia italiana>>


<<Já Macron (e Le Pen!) ascende com uma rejeição generalizada aos partidos tradicionais. Justamente os que tocaram - alternadamente, esquerda e direita - a tal da ~liberalização~ na economia francesa>>


<<Mas há uma grande dose de dissonância cognitiva dos eleitores em rejeitarem frontalmente o “Rei”, Hollande, e - ao mesmo tempo! - darem um voto de confiança ao seu "dauphin" (príncipe herdeiro)>>


É, para mim, o maior "mistério" da eleição.


Bem... não tão mistério assim:


<<É justamente o que mais claramente evidencia o caráter midiático da construção do "mito" Macron>>


O casal Macron já coleciona umas 6 capas de “Paris Match” (do império midiático Lagardère):


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Olha que "fofo" ele, que não teve filhos, com o neto da esposa-professora:


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Tania: Quem não se comove?


Ouvindo Anne Sinclair, a gente sente daqui a falta de alguma figura proeminente nova que tenha um discurso abrangente como o desses dois, Macron e Hamon. Ainda estamos lambendo feridas e querendo de volta o que nos foi roubado.


Romulus: Tania, isso que é o mais desolador para mim - um brasileiro - em acompanhar o debate eleitoral na França. O nível - mesmo daqueles com quem não temos afinidade político-ideológica - está a tantos anos luz da disputa “política" no Brasil - mais para disputa "policial", pelo cofre do Estado - que dá um desanimo danado de voltar e escrever artigo sobre...


- ... "Lista da Odebrecht".


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Entende?


O nível do debate na França é algo que nunca vi... não é só o Brasil que está a anos luz atrás não... o debate nos EUA é paupérrimo perto do que se discute na França.


Para começar, qualquer pessoa que pretenda se candidatar à Presidência tem (praxe) que escrever e publicar ~UM LIVRO~ com o seu projeto e a sua visão para o país. Isso para se qualificar ainda nas primárias dos partidos!


Teve um pré-candidato da direita (Bruno Le Maire) que escreveu mais de 1000 paginas (!)... um livro com "qualidade literária" segundo a jornalista/polemista Léa Salamé!


Os programas de governo são aguardados, analisados, discutidos e criticados. Não só pelos demais candidatos como pela imprensa.


Tania: Aí entra a qualidade da formação. É de berço. As criancinhas aprendem desde cedo a analisar a realidade em seu nível, a entender um texto, um poema, a conhecer bem a história e falar sobre ela, a descobrir a geografia, a fazer contas conforme sua idade e interesses.


Romulus: Mas isso tb dá desânimo pelo outro lado:


<<uma sociedade com educação e um debate político de tamanha qualidade ainda caiu presa - do mesmo jeito que os demais... - da armadilha neoliberal nos últimos 30 anos. O que, agora, a faz presa de uma... Marine Le Pen>>


E aí voltamos ao Lenin:


- Que fazer??


Tania: Entendo perfeitamente (seu desânimo em falar da disputa ~político-policial~ no Brasil). Acho que começamos a chegar a um ponto de saturação, sem uma perspectiva real. Leia o Arkx de hoje, que acabei de postar aqui.


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Romulus: Eu li. Esse post era um comentário a um post do Nassif. Só fico incomodado com o viés excessivamente anti-petista/lulista dele. Turva um pouco as suas ótimas colocações.


Tania: Sem dúvida. Isso também me incomodou. Mas acho que se olharmos a uma certa distância, acabamos duvidando da possibilidade de Lula voltar e implementar qualquer programa que tenha as suas características. A desconstrução foi grande. Ele começa a parecer “o velho”, o que precisa ser descartado, aos olhos do público mediano... é muito triste.


Romulus: O recurso a Lula certamente não é o ideal... é o "desespero": o que sobrou. Os caras conseguiram destruir o partido e todas as lideranças. Abaterem, inclusive, Haddad, a “promessa”, em pleno voo.


Patrícia: É isso mesmo, estava vendo a edição de politica da semana do Causa Operaria pelo Rui Costa, e ele tava criticando a candidatura do Lula, não pelo fato da candidatura, mas por desviar o foco da militância, da resistência pro futuro, sendo que tem tanta coisa pra lutar contra agora... Nesse ponto concordo com ele, a gente fica esperando Lula 2018 mas nem sabemos se vai ter eleição até lá! Era o que eu brigava com a galera se deixar o golpe prosseguir não vai ter como lutar depois...


Tania: Como possibilidade real, só consigo ver o Ciro, embora faça várias ressalvas a sua capacidade de governar com equilíbrio. O Boulos seria outra possibilidade, mas o vejo de forma muito incompleta ainda como líder.


Patrícia: Mas não concordo muito com a formação política da população aqui na França. Os candidatos publicam programa de governo, escrevem livros, etc. e o que eu vejo, pois tenho acompanhado as discussões políticas em qualquer comunidade que participo, é que ninguém vê.


As pessoas escolhem os candidatos por “n” razões, mas ninguém viu realmente o programa do Hamon, do Macron ou da Le Pen.


Romulus Pois é! Esse debate só chega a uma elite.


Mesmo com a educação sendo relativamente boa.


Patrícia: É isso o que queria dizer, é uma elite que se interessa por politica e que discute, e que vai atrás de pensadores, filósofos, etc.


Maria: Pois eu não gostei nada do artigo do Arkx. Além do anti-petismo, o que mais? Se ao menos houvesse algo como a sugestão de Tania de que Lula é o "velho" e que falta algo "novo" - de que tipo? - ainda vá lá, mas nem isso. É um olhar estreito, tipo urbano e paulista, que esquece o tamanho e a complexidade do pais. Aquele povo que está festejando a chegada da água a Sertânia acha que o Lula - o pai dos pobres - é velho? Ta certo que não vamos ter o nível de sofisticação do debate francês, mas esse é o país que temos. E a mídia vai continuar a fazer o seu estrago. Mas é essa a nossa realidade.


Tania - Maria Lucia, cul-de-sac. Com as nossas características, com a nossa realidade e nossa mídia, qual seria a saída? Não dá pra vislumbrar mesmo, não é?


Romulus - Por isso que eu me perguntei: "que fazer?"


Estamos a anos luz de ter uma educação como a da França.


E mesmo lá, com todas as virtudes apontadas pela Tania, que são reais, a maioria da população não se interessa pelo debate politico mais complexo.


Isso é fácil de constatar até pelos índices de audiência da TV... quantas vezes a excelente programação das TVs públicas (5 canais!) não perde para os reality shows dos canais privados (TF1, M6...)?


Por isso que digo que é desolador... não temos como aspirar a uma educação melhor que a francesa nem em longuíssimo prazo. E, ainda assim, o pessoal vai assistir ao reality show de moda e estilo "Les Reines du Shopping" - APRESENTADO POR UMA BRASILEIRA!! - e não ao "C dans l'air", programa de debates diário discutindo grandes temas da atualidade, inclusive a eleição.


Sucesso:


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Traço no Ibope (tirando a mim e a Patrícia, claro! rs) – olho na tarja em vermelho...


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- “não aguento mais”...



Tania: Quem é essa apresentadora brasileira?


Romulus: Famosíssima aqui!


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Romulus: Ex-modelo. Mora na França há uns 30 anos.


Tania: Ah, uma ex-modelo que se fez em cima disso. Entendi.


Romulus: A marca registrada dela é justamente o sotaque! rs


Tania: Exotique.


Romulus: E o bordão: "ma cherie" rs


Tania: Aff!!!


Patricia:Ma-ni-«fai»-que”! (como ela fala...)


Romulus: Vários memes...


Quando você arrasa:


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Quando tá um desastre:

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Mas ela topa qualquer desafio – com sotaque e tudo:


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E o GIF-bordão:


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Tania: Hahaha!


Maria: Bem francês e racistinha o tipo de comentário sobre a brasileira, não? Ah! como eu era elogiada por falar bem o francês, presque sans accent!! Arghh!


Quanto ao Rui Costa, do PCO, ele é excelente, mas a visão ortodoxa de classe congela o raciocínio, por isso a defesa da anulação do impeachment, como se com isso fosse possível voltar pro princípio de tudo e servisse pra alimentar a luta a longo prazo que de fato teremos de enfrentar, com ou sem eleição em 2018. Com relação ao Ciro, aquela entrevista dele, que comentamos laaaá atrás, acho que resume virtudes e riscos. Mais pra risco que virtude, com ele decidindo descer a lenha no Lula desde já. Enquanto isso vamos ver pra onde vai o Boulos e continuamos brigando contra a reforma da previdência, o Moraes no STF, desmandos do Moro etc. etc. até ver o que acontece pra 2018. Este é um modo de pensar política na lógica da ação - o Brizola era o mestre dessa arte e o Lula também - e não da análise marxista sistêmica do PCO. Uma coisa não devia excluir a outra, mas no caso do Rui, acaba levando a isso.


Tania: Pois é, acabamos nos repetindo ad infinitum...


Patricia: falar sobre a anulação do impeachment agora é realmente um despropósito. Mas o que concordo com ele é pelo fato da população se acomodar e ficar sonhando com a volta do Lula em 2018. O que o Boulos tá fazendo na Paulista é bem legal, a população tá mobilizada...


De resto uma coisa vou confessar q estou bem desanimada, o povo tem chance de mudar alguma coisa? A única via pra mudança é o voto e eu duvido q eles fizeram tudo isso pra deixar o lula se eleger em 2018...


Maria: Mas o que sabemos nós, do alto da nossa militância de sofá, sobre o povo estar ou não de fato "acomodado" esperando Lula ou "mobilizado" pela ocupação na Paulista? Acho que o Boulos está certíssimo por entender que reivindicação focada - no caso, moradia - e ocupação de fato mobilizam. Mas quem junta as reivindicações setoriais em um programa político de mudança? O PSOL? A fala do Freixo na Paulista não indica nada disso: só convocava o pessoal da cultura a participar mais, como se esse fosse o fator mágico, como foi na sua campanha no RJ. Quanto ao Lula, ele nem precisa falar: é a própria encarnação do problema político estrutural que é preciso deixar claro e combater - a desigualdade social. E o povão por enquanto está mais que confuso - não é esse o trabalho da mídia? - não entende o que está acontecendo, porque o pior da crise ainda não bateu direto e com força na bunda de cada um, nesses tempos de individualismo e perda da noção do coletivo. É esperar pra ver, se acorda quando isso acontecer ou vai atrás da solução da mídia ou dos evangélicos, tipo Dória e Crivella. Os reaças a gente sabe muito bem pra onde vão: pra quem tiver chance de acabar com o projeto de nação que o PT representou. Se até nós mesmos não sabemos responder à famosa questão do Vladimir - que fazer? - como esperar que o povão saia pra rua desde já, só porque assim desejamos e sabemos que é indispensável? Paciência histórica, recuo tático ou estratégico é coisa difícil de aprender, embora necessária quando a gente está em maus lençóis, perdendo feio na luta...


João Antônio: O Ciro é equilibrado em seus planos de ação, que é o que importa. O problema dele não é esse e sim sua proximidade com a elite predatória do país: Jereissati, Gerdau, Steinbruch, etc. Sabemos que essa gente já traiu o governo do PT e que está em plena campanha pelas reformas da previdência e trabalhista!


Por que arriscar em um projeto que vai beneficiar estas mesmas pessoas?


Maria: Alguém já disse que um governo do Ciro seria um "lulismo sem Lula". Mas nesse caso, por que os predadores de sempre iriam aceitar sem querer trair depois? Ou obrigar o próprio Ciro a trair seus planos e convicções para minimizar os danos, como o Lula e a Dilma foram obrigados a fazer mais de uma vez (ex. a votação no Senado do projeto do pre-sal que o Renan convenceu a Dilma que iria perder, obrigando então a mudar no último minuto a redação de alguma cláusula e deixando os senadores do PT e aliados perplexos e putos da vida).


Zeca: Tem um termo bacana da Tropicália pro nosso momento: geléia geral. Todo mundo se movendo como se pisando em uma goma de mascar, em meio a uma fumaça que não deixa ver o fim da rua e tentando prever o movimento do cara do lado. Por vezes a goma junta uns pares, noutras vezes joga cada um prum lado...E nós aqui como num caleidoscópio....O que fazer? Tentar dissipar um pouco dessa fumaça escura, em busca da fumaça branca e transparente.


Romulus: Zeca, pro seu comentário:

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*


“Macron” de pobre?


“Contra tudo o que está aí... pero no mucho


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Pergunta:


<<Já começaram as capas da revista “Caras” com “Dória e Bia abrem a sua casa”??>>


Reação:

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*


“Macron” ~de pobre~, não!!

"Macron" ~do povão~:



Reação:

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*


Atualização:





- "Como explicar que os franceses rejeitem François Hollande e apoiem o seu ~filho político~?"

Resposta:

- É a ~mídia~, estúpido!

- Combinada com a rejeição generalizada à política e a "vontade de renovação (?)" de uma sociedade...

- ... no último estágio da dissonância cognitiva - também generalizada!


*

Teoria da Conspiração?




*

O que eles colocam na água na França??



- Me dá um pouco desse bagulho aí, irmão!

Como assim "bastardo"?!

Para continuarmos em termos monárquicos...

- O cara foi o Príncipe... REGENTE!

- Fez o que quis no governo, causando, inclusive, grandes ciúmes no seu "chefe" (ao menos nominal...), o ex-Primeiro-Ministro Manuel Valls - que de bobo não tem nada e viu qual era a do "guri"...

- Macron aprovou uma "lei geral" liberalizando vários setores da economia francesa. Lei essa que, na tradição francesa, leva o seu nome: a "Loi Macron".

- A lei foi aprovada - inclusive - usando mecanismo raríssimo e (muito!) controverso da Constituição francesa (Art. 49, III) - equivalente à nossa "Medida Provisória"... - que garantiu a sua vigência sem a necessidade da sua votação no Parlamento!

(isso porque a ala esquerda do PS não engoliria a "Loi Macron" numa votação...)

- Macron? "Príncipe bastardo"?? Onde???

#DissonânciaCognitivaGeneralizada

*


Um "Aliás..." mais que necessário nesse enredo todo

- Porque a esquerda tem salvação... na França e no mundo!

Seguindo a tradição francesa, assim como a "Lei Macron", a lei do "Casamento para Todos", que igualou os direitos de casais homo e heteroafetivos na França leva o nome da sua patrona, a ~maravilhosa~ ex-Ministra da Justiça, Christiane Taubira.

Trata-se do maior ícone da esquerda "radical" (??) do Partido Socialista.

Vejam, abaixo, entrevista da cultíssima Taubira - mulher (!), negra (!!), de cabelos trançados (!!!), vinda da Guiana (!!!!) e ex-militante pela sua independência (!!!!!) - à Jornalista/polemista Léa Salamé, a quem já me referi aí em cima.

Foi ao ar na semana passada na TV estatal e simplesmente viralizou.

<<E viralizou, JUSTAMENTE, porque Taubira "chamou na xinxa" o candidato Emmanuel Macron>>

Esse, querendo fazer média e demagogia - de olho no espólio católico-reacionário do decadente candidato da direita, François Fillon - dissera que "a França que se opôs ao casamento igualitário fora ~humilhada~ no debate" (??).

Bem... a resposta - #fatality... - de Mme. la Ministre ao candidato a partir do min. 8:15 do vídeo.

Aliás, pros que falam francês, vejam a entrevista completa dessa mulher - musa, diva, barda, literata, ícone ... ... ... - vinda da ~nossa~ América do Sul.

Desafio todos a não ficarem arrepiados com a sua fala final, em que se escusa (?) do pedido da entrevistadora para que definisse "o que é arte".




- Merecia ou não viralizar??

<<Viva o 8 de março, dia internacional da mulher... viva Christiane Taubira e a esquerda que não se rende!>>

Olho na tag:

#TaubiraPresidenteVitalíciaDoMundo

*

Bônus (de "8 de março"...)

Após Taubira na semana passada, Anne Sinclair - a quem também já me referi aí em cima... - foi a entrevistada de Léa Salamé desta semana:





*

Mini Bate-bola sobre Mme. la Ministre, Christiane Taubira:

Romulus: Graças à deixa dada pelo Tiago, tem agora uma atualização no post que vai lavar a alma de todos nós!

Tania: Curiosa!

Romulus: Veja sentada! rs

Tiago falou.... esse vídeo merecia ser legendado!

Tania: Foi o que pensei! Acho mais: estamos precisados dela aqui entre nós, com toda essa energia, essa "exaltation", nossa! Maravilhosa!

Merci, Romulus e Tiago! Essa entrevista realmente nos lava a alma. Fiquei imaginando C. Taubira e Dilma juntas, duas leitoras contumazes, mulheres de esquerda, fortes e aguerridas. Daria uma conversa muito boa.

Maria: Stupéfiant! Não tem mesmo outra palavra! Que pessoa extraordinária! Sim, essa definição de "exaltation" é o que nos falta compreender, porque é o que dá sentido à luta. E não só à luta pelos valores que defendemos na política, mas também à busca eterna do ser humano de se transportar "além e acima" de si mesmo, como ela diz a propósito da arte! Sem isso, é a própria arte de viver que perde o sentido. E se a luta política não estiver impregnada desse sentido profundo de força e de vida, também ela se estiola, perdendo-se nas lamentações e fracassos, de que não estamos conseguindo sair! Que lição, Mme. Taubira! Só podemos dizer: Merci, beaucoup!

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E por falar em "mariage pour tous"...



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https://lh3.googleusercontent.com/J5GR6RTZJ7pt1pkG0gIEZkqS9Zh-YP0epXqEy8zXOX1yTFAFV4RPbrk0-t08q7O9Qw7eoSaGDjC0sLzVIAhmSRv7WRvhjB6GyUxfdW0l5YjXCQhlSDhyzGjtlRx7IQtH3DlI7us

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(ii) No Facebook:

https://lh6.googleusercontent.com/7qDhkW7kt2VUdiKDI7Fb_MN6iBzhKh3WZ6JCcpDBiYwZlfGfQirNKx1CBirbVf02S02piZuC2TquQXACfNszK5U8iHFvOAKYKh73ZzA4RA9tV3smMzTDDaGZETShHSC5D6NNJuc

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(iii) No Twitter:

https://lh5.googleusercontent.com/qdEvmS27_bnYauukZLgaQDwCoxsttlV9VlEkqxpaB4I2K3FR7wn2l3ftcP5HcuT_8FJL2eyAhfYt7gKttSTt-v-ZyjVpxrnGRwpmzcQmWwPZqlQ2UZdD67AiWb_605U9S6S69fE

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(iv) E também no GGN, onde os posts são republicados:

https://lh5.googleusercontent.com/YHvaoddoegv9hVMP9ntNrtER6BwiamTqYUvBA6fRMAkOwiSD0kq-3SrfOIIEVWRzPfs-H8FJ6NWFqesjopT4-XaxupwOQcB-vlaYQqsyP6_0B7zQ8JIC3FsvWTsCj15DXoNj3Uc

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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.



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