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10.7.17

Visão de dentro: Lava Jato dizimou indústria naval/ óleo e gás


Visão de dentro: Lava Jato dizimou indústria naval/ óleo e gás


- Tenta, contudo, atribuir o ônus à "corrupção na Petrobras".



Por “Dom Cesar” (*)


Caro Romulus,


Em matéria publicada em 06/06/2017 no site do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro o número de demissões na Petrobrás e empresas do setor naval teria atingido a marca de 250 mil trabalhadores. Segundo dados do sindicato nacional da indústria naval, as demissões no setor alcançaram o quantitativo de 50 mil empregados e 12 estaleiros estariam parados dentro de um universo de 40, sendo que os que ainda funcionam estariam operando bem abaixo da plena capacidade.


A Petrobrás, por sua vez, demitiu mais da metade dos funcionários terceirizados, efetuando 197 mil dispensas nos últimos 3 anos, em função da crise financeira instalada logo após a deflagração da Operação Lava Jato. Fora isso a petroleira ainda passa por um processo de desmonte (venda de ativos para diminuir a alavancagem) capitaneado pelo novo presidente Pedro Parente.

Neste cenário de desastre econômico provocado pela política de combate à corrupção a qualquer custo, verifica-se que o papel do Estado como indutor do desenvolvimento nacional e mantenedor da atividade econômica ficou seriamente comprometido. Setores estratégicos como o óleo e gás, indústria naval e construção civil enfrentam uma grave crise sem que o Estado possa intervir em função das restrições oriundas da crise fiscal e orçamentária.


A Operação Lava Jato, uma entidade abstrata formada pelo consórcio juristocratas/ mercado/ mídia, ao invés de centrar seu poder de fogo no CPF dos agentes envolvidos prefere punir e condenar o CNPJ, modus operandi totalmente diverso do utilizado em países como Estados Unidos e Alemanha, onde se busca punir as pessoas físicas mas preservam-se as empresas, seus empregados e fornecedores.


Dados da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) apontam que a Operação Lava Jato eliminou 740 mil empregos na indústria de construção civil, setor relevante no país com participação de 14% no PIB nacional. Para piorar ainda mais o quadro, o governo e a atual direção da Petrobrás recentemente fixaram um percentual reduzido em 50% no índice mínimo de conteúdo local para as empresas que desejarem participar dos próximos leilões no setor de óleo e gás, prejudicando em muito a cadeia produtiva nacional.


Setores da mídia especializada em economia e política repetem de forma sistemática que a crise financeira da Petrobrás (e seu aumento de alavancagem financeira) teria sido efeito da corrupção existente em algumas áreas de negócios da companhia. Ocorre que deixaram de considerar que parte expressiva do aumento desta crise (e endividamento) foi efeito direto da variação cambial ocorrida neste período (de 1,56 US$/R$ no 1º trimestre de 2011 para 3,97 US$/R$ no 3º trimestre de 2015), tendo em vista que 80% do endividamento da Petrobrás foi feito em moeda forte (em dólares principalmente).


Outro fator que contribuiu para o aumento do endividamento financeiro foi o programa intensivo de investimentos ligados à descoberta das jazidas do pré-sal e de ampliação do setor de refino da companhia. É sabido que naquele dado momento a empresa não possuía recursos próprios suficientes para investir no pré-sal e novas plantas de refino, por isso optou por buscar recursos de terceiros o que provocou o aumento do endividamento e alavancagem.


Tivemos também entre os anos de 2010 e 2014 um significativo aumento da demanda interna de derivados de petróleo, obrigando a Petrobrás a importar derivados para atender o mercado nacional, o que criou a necessidade de investimentos em novas plantas de refino. Estes dois eventos (importações de derivados e novas refinarias) provocaram a redução no caixa da empresa, o que a levou a captar mais recursos de terceiros.


O quarto fator que termina por desmistificar por completo a lenda urbana de que a corrupção (escândalo do Petrolão) teria provocado a crise financeira da Petrobrás se explica pela análise da política governamental de controle de preços de combustíveis entre 2011 e 2015, a fim de criar uma espécie de âncora de preços que impactou de forma negativa a geração de caixa e resultados da empresa.


Este último fator efetivamente foi um dos maiores responsáveis pela crise financeira na companhia. Atribui-se equivocadamente à Petrobrás o ônus maior de manter os índices de inflação dentro dos parâmetros estabelecidos pelas metas do Banco Central. Qualquer empresa petroleira global que suportasse tamanha responsabilidade certamente sofreria sérios prejuízos de natureza econômica e financeira.


(*) "Dom Cesar" é executivo na indústria de óleo e gás, com experiência na análise da conjuntura e projeção de cenários para o "Mercado".





Fonte1:
Acesso em:
Terça, 04/07/2017, 17:30 h
Fonte2:
Acesso em:
Terça, 06/06/2017, 09:51 h

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