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12.7.17

Globo desesperada para eleger Rodrigo Maia: precisa de grana do BNDES? Será isso?

Publicado 11/7/2017 - 13:33
Atualizado 12/7/2017 - 11:38
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Globo desesperada para eleger Rodrigo Maia: precisa de grana do BNDES? Será isso?


Por Romulus


- Conversão da Globo ao “Fora, Temer”: tudo menos civismo.


- O projeto de longo prazo: a tutela da classe política pela dobradinha mídia/ juristocratas – juízes/ procuradores/ policiais federais.


- No médio prazo, o medo: o FBI investiga o esquema FIFA. Sem ter feito o próximo PGR, a Globo passa a contar apenas com mecanismos extremos: “perdão presidencial”, “anistia do Congresso” e dissuasão, com a ameaça de ataques midiáticos ou de impeachment da nova PGR pelo Senado.


- No curto prazo, a corda no pescoço: o endividamento das Organizações Globo junto ao BNDES. Segundo fonte do Blog, os Marinho não estariam conseguindo rolar a dívida desta vez. O problema seria não terem bens para dar em garantia. Nem mesmo as ações na Globo!


- Uai... qual o problema, irmãos Marinho? As ações da Globo não são mais de vocês?!


Lembram da bailarina do Chico?


🎶 Procurando bem, todo mundo tem pereba,
marca de bexiga ou vacina 🎶


Pois é...


Procurando bem, todo mundo tem pereba...


Santo mesmo, imaculado, só no altar de igreja.


A Globo, certamente, está longe dessa condição.

Fora a bilionária sonegação fiscal descoberta anos atrás, parece que há outros fantasmas do passado rondando as mansões dos irmãos Marinho...


*


- Medo do FBI na operação para derrubar a FIFA/ CBF


Os Marinho sempre foram os melhores advogados dos interesses da Finança global no Brasil.

Portanto, não haveria interesse, a priori, dos EUA em fazer a casa (Marinho) cair.


Contudo, como o nosso Ciro comentou semanas atrás, a queda da Globo pode vir como dano colateral de uma operação ~global~ visando ao esquema FIFA.


Pegou os Marinho também?


- “Ora, paciência!”, diriam os gringos, dando de ombros.


Exatamente por isso, para os Marinho, era questão de vida ou morte – literalmente! – fazer o sucessor de Rodrigo Janot na PGR.


Não fizeram por menos: deram tudo de si para garantir que entrasse o candidato do “esquema” Janot, Nicolao Dino, via “dedaço”.


Não deu.

Como sabemos todos, acabou indicada... Raquel Dodge.


E por que esse revés?


Ora, Janot/ Globo abriram fronts demais, partindo para o tudo ou nada:


(i) Para além do PT, estenderam a artilharia para todo o espectro político;


(ii) Abusaram da parceria, com vazamentos em série PGR-Globo visando a constranger os Ministros do STF com “pratos feitos”: “ou homologa ou linchamento no jornal - e na rua!”;


(iii) Com o acúmulo de abusos de toda ordem, conseguiram romper o corporativismo atávico do MPF e alimentar a oposição interna. No final, as candidaturas a PGR de oposição somaram mais que o dobro dos votos do candidato do “dedaço” Janot/ Globo.


Pior: a escolhida, Raquel Dodge, tem bagagem, até aqui, irrepreensível. Antes de eleita, fez promessa ~fatal~ ao estilo “Lava a Jato” de agir:

- Fazer valer a Lei (!)

- "Apenas" isso (!)


Bem... a ver.



Sobre esse medo da Globo do FBI, o Nassif diz hoje:


A hipótese aventada pelo Xadrez foi a de que o estardalhaço mal planejado em torno da JBS visava encobrir o indiciamento da Globo pela Ministério Público espanhol e pelo FBI, em função da compra da Copa Brasil da CBF de Ricardo Teixeira.


Esta semana, fonte com contato direto com os Marinho confirmou a suspeita. Apenas três membros do grupo – João Roberto Marinho, Ali Kamel e um executivo – souberam do indiciamento da Globo nas investigações poucos dias antes do vazamento das delações da JBS. E a intenção de bater bumbo visou justamente ocultar as repercussões do escândalo CBF.


A exposição dos feitos do grupo de Temer torna impossível manter a pantomima.  Tenta-se a gambiarra Rodrigo Maia.


A mídia, especialmente a Globo, enche a bola de Maia e passa a sensação de que a queda de Temer é irreversível.


Joga com uma esperteza típica dos acordos de delação. Dá a impressão de que o governo Temer afunda e quem pular por último no governo Maia, ficará sem lugar no barco.


O jogo das deslealdades políticas funciona assim.


Os jornais levantam o nome do possível presidenciável, Rodrigo Maia.


O presidenciável é aliado do presidente, e não quer passar por desleal. Mas é mordido pela mosca azul, como são todos aqueles que vêm passar à sua frente um cavalo selado muito acima dos seus sonhos mais rocambolescos.


Aí ele fica quieto. Não desmente nem confirma os boatos.


Ao ficar quieto, provoca desconforto nas hostes do presidente. E os jornais começam a difundir as fofocas palacianas.


Aí o presidenciável começa a romper com o presidente com o argumento “como é que eles podem desconfiar da minha lealdade”. E a desconfiança em relação à lealdade se transforma no grande álibi para a deslealdade.
Simples assim.


Indo um passo além, isso significa que...


- Depois perder a PGR, a Globo coloca as suas fichas em ~recuperar~ a “ascendência” sobre a Presidência (perdida com o “tudo ou nada” contra Temer) e o Congresso.


Afinal...


- Presidente concede “perdão”;


e...


- Congresso vota “anistia”.

- Certo?


Depois de não fazer o PGR, a Globo dependeria de... hmmm... “freios e contrapesos” para influenciar os desdobramentos da operação do FBI no Brasil.


Além do seu próprio poder de fogo, midiático, é o Ministro da Justiça – indicado pelo Presidente da República – a Autoridade Central que coordena as cooperações internacionais, nos termos dos acordos com os outros países.

O MPF "esqueceu" essas disposições legais no período Janot...


Com uma legalista na PGR, as cooperações voltarão, necessariamente, a passar pelo Ministério da Justiça.


Em última instância, ademais, sobrariam as cartadas do perdão presidencial e da anistia pelo Congresso. Conjuntamente com a tentativa de dissuasão da nova PGR, com a ameaça de um impeachment – votado pelo Senado.


*


Mas...


O Blog teve acesso a uma versão que dá conta de ~outro~ interesse da Globo em recuperar a “ascendência” sobre a Presidência da República.


Interesse esse na esfera administrativo-financeira, como verão a seguir.


*


- Horizontes temporais da Globo: as preocupações de longo, médio e curto prazo


Lembram daquela fonte do Blog que, há algumas semanas, contou que os Ministros do STF teriam sido enquadrados pelos Comandantes das Forças Armadas, para que parassem de tocar fogo à nação??

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Bem...


Se houve ou não o tal enquadramento não temos como saber ao certo...


Mas o que sabemos, com certeza, é que “coincidentemente” de lá para cá o STF deu efetivamente um cavalo de pau.


Voltou o “legalismo” – entre aspas mesmo, por ser de ocasião:


- No último duelo, envolvendo os abusos nas delações premiadas, ganhou a classe política; perderam a PGR e a Globo.





Pois bem.


Volta a fonte ao Blog para contar mais coisa.


Diz agora que há um ~terceiro~ interesse da Globo em eleger Rodrigo Maia.


Recapitulando, os dois primeiros os leitores já conhecem bem:


(i) o projeto, de longo prazo, de tutela perpétua da classe política pela dobradinha Juristocratas/ Mídia – numa “democracia” (aspas) à iraniana;





e...

(ii) a preocupação, de médio prazo, de blindar-se contra a investida do FBI contra o esquema FIFA.


Pois a tudo isso a fonte acrescenta agora um terceiro...hmmm... ¥NT€R€$$€:

(iii) a corda no pescoço, no curto prazo, do colossal endividamento das Organizações Globo junto ao BNDES.

Os Marinho querem rolar a dívida...


Mas esbarram em um obstáculo técnico:


- Não dispõem de bens para dar em garantia!


Eis o relato:


O motivo principal para a Globo decidir rifar Michel Temer é a não rolagem das dívidas financeiras do grupo junto ao BNDES. Na gestão de Maria Silvia este assunto não foi adiante. Parece que agora também não irá, sob o comando do Paulo Rabelo de Castro.


Segundo ele existe um fator impeditivo de natureza técnica, que é a inexistência por parte da Globo de bens a serem dados em garantia para a nova rolagem das dívidas. Parece que o grupo sequer poderia dar ações das empresas como garantia dos novos empréstimos, como fez por exemplo a J&F.
A família Marinho acredita que Rodrigo Maia poderia resolver este assunto da rolagem para eles. Aí a tese do Blog da “democracia iraniana” se sustentaria plenamente, com procuradores e Globo dando a benção ao novo presidente RM, para mais uma vez controlarem o poder e a política nacional, como fizeram nos últimos anos.


Hmmm...


Hipóteses - do Blog, não da fonte! - para esse... “impeditivo de natureza técnica”:

(1) Os Marinho não poderiam dar as suas ações em garantia, empenhando-as ao BNDES, se já o fizeram para outro credor.


Um segundo penhor das ações, chamado de “penhor de segundo grau”, não seria suficiente diante das exigências técnicas da área de crédito do BNDES.


Isso porque ficaria subordinado à satisfação, em primeiro lugar, do credor do penhor original, de “primeiro grau”.


Haveria aqui dois problemas para a Globo:


(A) Revelar a identidade do credor original;

(quem seria?)



(B) Admitir que o endividamento é insustentável, suscitando penhor sobre penhor, sobre penhor, sobre...


(2) Os Marinho tampouco poderiam dar suas ações em garantia se...


- ... as ações da Globo não fossem mais dos Marinho!


- Páááááááááááá!


Ou seja:


Se, a despeito da titularidade formal, já tivessem alienado as ações a um terceiro, num... “contrato de gaveta” (!)


Ora, nada que cause tanto espanto assim...

Afinal:


- Não foi EXATAMENTE isso que os Marinho fizeram, antes, com a NET?


- Alienada ao Carlos Slim em um... “contrato de gaveta”?!


- E “de gaveta”, justamente, porque ia contra a expressa disposição legal, de então, proibindo a propriedade de empresas de cabo por estrangeiros?


- Como sabemos todos, depois a lei foi mudada (com lobby pesado...) para acomodar essa "realidade".

(Ah, Dilma...)

– Assim, a alienação da NET ao Slim foi (“apenas”...) “formalizada”.


(o mesmo com a TVA, alienada também sub-repticiamente pela Abril aos ~espanhóis~ da Telefónica)


Ora...


- Os Marinho poderiam ter feito o mesmo com a Globo, não?


Quem sabe até...


- Com o mesmo comprador, o ~mexicano~ Carlos Slim??


Fica a dúvida...


Ou melhor, ficam as dúvidas sobre o endividamento da Globo junto ao BNDES:


- Qual o principal da dívida?


- Quanto paga de juros?


- Quais os vencimentos?


- Quais foram os bens dados, antes, em garantia pelos Marinho?


- Por que esses mesmos bens não podem ~mais~ ser dados em garantia?


- As ações dos Marinho Globo não podem ser dadas em garantia?


- Em caso negativo, por quê?


E, de repente, a Globo não deve estar mais tão favorável àquele Projeto de Lei que prevê o fim do sigilo bancário para empréstimos do BNDES, não é mesmo??

😉



*


Atualização (1):


Maia mudou lealdade a Temer após encontro com representante da Globo
TER, 11/07/2017 - 10:48


Jornal GGN - Rodrigo Maia (DEM-RJ) vem confirmando que sua postura discreta guarda por trás as articulações para os próximos passos da política nacional: deve abandonar de vez a sua fidelidade a Michel Temer em nome de manter certa estabilidade para os próprios aliados, que hoje dominam o Congresso Nacional.
Além do apoio de grande parte dos que se consideravam aliados de Temer no mundo político...

... a concordância de Maia para a queda do presidente contou com o aval de representantes do mercado e da Globo. Desde um encontro que o deputado teve com o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet, no último domingo, o diagnóstico passou a ser certeiro: a queda do atual presidente é irreversível.
O que está em jogo agora é como se dará essa transição até as eleições 2018, quando os próprios parlamentares precisam estar munidos de força política, alianças e, sobretudo, apoio do mercado para as campanhas eleitorais.
Maia é visto como o sucessor ideal porque não almeja, efetivamente, o posto da Presidência da República. Ao mesmo tempo, é discreto e faz tramitar na Câmara os interesses da aliança PSDB, PMDB e DEM, além de outros partidos, sem esbravejar extremismos ideológicos. Assim o apoio, naturalmente, foi quase unânime de todos os segmentos que hoje se encontram levemente rachados entre pró-Temer e fora Temer.
E a comunicação do deputado presidente da Câmara é transparente com o próprio mandatário peemedebista, com quem mantem uma relação de amizade. No último domingo (09), disse a Temer que a sua saída do Planalto já era quase irreversível. Admitiu que seria possível salvá-lo na primeira votação, mas não das seguintes que chegarão à Casa Legislativa.
Em nome do menor desgaste, preferível que parlamentares não sacrificassem toda a imagem de seus partidos para manter o presidente no posto. Entre ambos, apesar de não publicamente informado, a estratégia acertada é a de indicar não um rompimento, mas a continuidade do que se tem hoje no comando do país.
Não à toa, um dos principais partidos aliados, o PSDB, apenas ainda não se decidiu pelo desembarque definitivo do governo porque aguarda a confirmação da aprovação das reformas esperadas, conforme insinuou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Reportagem da Folha de S. Paulo desta terça-feira (11) descreve que após se encontrar com o presidente da República, Maia foi a um almoço com Paulo Tonet, da Globo, onde também estavam os deputados Benito Gama (PTB-BA) e Heráclito Fortes (PSB-PI) e o ministro Fernando Bezerra Coelho (Minas e Energia).

Todos os políticos haviam se dirigido ao local com carros não oficiais, e permaneceram lá por cerca de cinco horas.
Á Folha, o deputado Heráclito disse que não "teve nada de conspiração" e que o encontro estava "marcado há mais de um mês". "Era para ser lá em casa mas Tonet resolveu fazer na casa dele. As pessoas estão vendo coisa onde não existe. Maia tem sido muito correto", disse ao jornal.
Mas foi de lá que Rodrigo Maia resolveu convidar deputados, ministros e líderes de partido para jantar em sua residência oficial, após a reunião com Temer, e demonstrar uma postura diferente na lealdade ao mandatário.

*


Meirelles foi à casa de Maia enquanto relatório contra Temer era lido


Folha de S.Paulo
Mônica Bergamo
11/07/2017


O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e parlamentares de seu grupo mais próximo avaliam que o futuro de Michel Temer estará traçado a partir do tamanho da vitória que o presidente pode ter na primeira votação, no parlamento, para barrar denúncia feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra ele no STF (Supremo Tribunal Federal).


NA BOCA DO GOL
Se ela for apertada, Temer correria grande risco de derrota nas próximas votações –Janot ainda apresentará pelo menos outras duas denúncias contra o presidente ao STF, forçando o peemedebista a mobilizar novamente sua tropa na Câmara dos Deputados.


EM BOA COMPANHIA
E o ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, estava na casa de Maia no momento em que o relatório contra Temer era lido na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), nesta segunda (10). A justificativa é que ele conversava sobre a crise no Rio, Estado do deputado.


*


Aliados de Temer e Maia atuam para minimizar tensão entre o peemedebista e o democrata


Folha de S.Paulo
Painel
11/07/2017


Ponte para o futuro Aliados de Michel Temer e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entraram em campo para tentar amenizar o clima de tensão que agora permeia as relações do Planalto com o democrata. Temer ouviu de um de seus ministros que não seria bom, neste momento, alimentar um “ambiente de desconfiança”. Heráclito Fortes (PSB-PI), próximo a Temer e a Maia, diz que “não há nada pior do que dois amigos que brigam”. “Vou continuar trabalhando para que não haja divisão.”


Mantenha perto Os que trabalham para acalmar o ambiente não prezam apenas pela manutenção de laços fraternos entre Temer e Maia. Sabem que o governo não teria fôlego para abrir novo flanco de guerra, desta vez com o deputado que tem a batuta da tramitação das denúncias contra o presidente.


Gasolina Apesar dos esforços, nomes do PMDB mais próximos a Temer já estão com armas em punho apontadas para Maia. Dizem que, se derrubar o presidente, o democrata terá que manter Moreira Franco como ministro de sua cota pessoal, sem as bênçãos da sigla.


Banzo Casado com a sogra de Maia e amigo de Temer há décadas, Moreira tem externado abatimento e cansaço com a agudização da crise. “Nunca fiquei tanto tempo em Brasília. Sou do Rio… Estou há muito sem ver o mar. É isso”, disse.


Leia os sinais Em meio a este clima, haverá troca de guarda no Planalto — não, ainda, no gabinete presidencial. Nesta quarta (12), sai o Regimento de Cavalaria de Guardas, o RCG, e entra o Batalhão da Guarda Presidencial. Eles se revezam a cada seis meses na proteção do Palácio.


Deixa comigo Michel Temer analisou pessoalmente a lista de todos os integrantes da CCJ e os nomes de seus respectivos partidos para definir as trocas que foram feitas nesta segunda-feira (10).


Para a galera Com o gesto, o peemedebista deu uma injeção de ânimo em sua base. Mostrou-se aguerrido.



*

Atualização (2): panorama do endividamento da Globo


Por “amigo do Blog”

Assunto: GLOBO DESESPERADA PARA ELEGER RODRIGO MAIA: PRECISA DE GRANA DO BNDES? SERÁ ISSO?

Para entender melhor a dimensão do problema financeiro de rolagem de dívidas das empresas do Grupo Globo, precisamos voltar para meados de 2004, época em que o BNDES se preparava para ofertar uma linha de crédito de R$ 4 bilhões às empresas de mídia.

Linhas de financiamento para investimentos, compra de papel imprensa e reestruturação de dívidas foram os três itens escolhidos pelo BNDES para criar uma linha de crédito destinada a atender as empresas de mídia. Segundo estudos da Consultoria MS&CR2 - da economista Maria Sílvia Bastos Marques, o setor de mídia acumularia naquela época dívidas de R$ 10 bilhões.

O orçamento proposto pelo banco de fomento estatal seria de R$ 4 bilhões, R$ 2 bilhões menor do que o solicitado no projeto encaminhado pela Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Aner (Associação Nacional dos Editores de Revistas).

Segundo o estudo da MS&CR2, apenas as Organizações Globo teriam naquele momento dívidas em torno de R$ 6 bilhões, a maior parte delas devido ao retorno negativo dos investimentos em televisão a cabo e internet. Uma Comissão do Senado promoveu amplos debates sobre a proposta de financiamento a ser concedida pelo BNDES e ficou clara a existência de forte divisão entre as redes abertas de televisão.

Enquanto que Globo e Bandeirantes apoiaram a solicitação encaminhada pelas entidades do setor de mídia ao BNDES, as redes Record, SBT e Rede TV! não concordaram com a forma de destinação de recursos públicos para financiar dívidas. Segundo o executivo Denis Munhoz, presidente da Record, o BNDES iria privilegiar as Organizações Globo em detrimento das outras empresas do setor.

Para Munhoz, uma empresa com lucro anual de R$ 600 milhões (lucro estimado da TV Globo em 2003) não precisaria de ajuda financeira. A credibilidade do setor de mídia ficaria comprometida se fosse utilizado dinheiro público para pagar tais dívidas. Seria uma espécie de prêmio à incompetência e a má gestão. Uma linha desejada pelo setor (Record, SBT e Rede TV!) seria a que pudesse financiar investimentos em novas tecnologias.

Sobre o quadro financeiro do setor em 2004, havia um endividamento de cerda de R$ 10 bilhões. No que tange ao faturamento do setor, boa parte dos problemas teve origem na queda dos investimentos em publicidade entre 2001 e 2003. A recessão econômica do país e os investimentos realizados com retorno negativo também impactaram as empresas de mídia.

Parte substancial das dívidas das empresas de comunicação se deve ao fato das empresas terem apostado no crescimento constante da economia e na estabilidade do câmbio a partir dos anos 90. Com isso, acabaram se endividando em dólar para tentar aumentar a capacidade de produção. De acordo com relatórios do BNDES (dados de 2003), 80% das dívidas financeiras das empresas de mídia eram em dólar, o que explica a elevada exposição destas empresas aos efeitos da variação cambial.  

Indo para o momento atual, a questão da publicidade do governo federal (que sempre foi importante para as receitas brutas das Organizações Globo) tornou-se essencial para a sobrevivência e sustentabilidade do grupo. Esta importância é ainda maior à medida que os investimentos em publicidade tradicional está se mudando rapidamente para a internet, onde as regras do bônus de volume possuem parâmetros totalmente diferentes e com retorno financeiro muito inferior aos da mídia tradicional.

É sabido que os governos Dilma e Temer reduziram drasticamente os valores investidos nos veículos das empresas do Grupo Globo, em especial a TV. Este foi um dos motivos da campanha sistemática da Globo contra o último governo eleito de Dilma Rousseff. Efetivamente não existiu qualquer preocupação de ordem ética ou moral com a corrupção, até mesmo porque as empresas do grupo adotam e utilizam práticas negociais essencialmente corruptas.

Sobre a guinada das Organizações Globo contra o governo Michel Temer isto se deu pela não efetivação da rolagem da dívida financeira das empresas do grupo junto ao BNDES. Mesmo com a nomeação da economista Maria Silvia Bastos Marques (dona da empresa de consultoria que elaborou os estudos sobre o setor de mídia no passado) para a presidência do BNDES, ainda assim a rolagem das dívidas do grupo não se concretizou (por motivos de natureza técnica), o que levou a troca na presidência do BNDES por outro executivo que saiba “matar no peito”.

Além da necessidade urgente de ter a rolagem de suas dívidas, nos próximos anos, as empresas do Grupo Globo precisarão realizar maciços investimentos na atualização de equipamentos digitais e na passagem para o mundo da internet, e a única fonte de dinheiro barato são os bancos estatais, principalmente o BNDES, que no passado ajudou a família Marinho a evitar o default. Daí surgiu a necessidade de substituir novamente o Presidente da República por outro que faça a rolagem das dívidas financeiras e invista maciçamente nas empresas de mídia do grupo.  


FONTE:
publicado em 25 de março, 2004 - 00:00




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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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