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Atualizado em 7/12: O <<juízo final>> no STF hoje Queria poder dizer que criei esta montagem, mas não......

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3.12.16

Sabedoria: "MARIA" - leitora xodó e guru do blog - e os posts da semana

Haja sabedoria! De cima para baixo, no sentido horário: Espinoza, os gregos, Maquiavel e... o PRETO VELHO, claro!!

Sabedoria: "MARIA" - leitora xodó e guru do blog - e os posts da semana


Por Maria


[Romulus:



Ou seja: colocando um pouco de ordem no meu "caos"... (rs)]





Quando o meio de campo da disputa política embola demais, fica difícil ter alguma visão de conjunto sem passar pela miríade de notícias que dão conta de uma realidade que se estilhaça em mil fragmentos. A reação à disputa entre o Judiciário e o Congresso se desdobrou quase em confronto aberto com a Lava Jato em pessoa (Moro) na discussão preliminar a uma lei de responsabilidade, que contou não só com a oposição da esquerda (senador Lindbergh) como do próprio Judiciário representado por... Gilmar Mendes (!). Como assim? Ele não é "o" juiz do PSDB? Sim, e está lá para blindar os amigos, agora que a Lava Jato, com a delação da Odebrecht, se aproxima perigosamente deles. Após o impeachment e o desgaste do PT, a operação "contra a corrupção" se tornou desnecessária, não só para os corruptos confessos do Congresso, mas também para os "inimputáveis"?

Este é o fulcro do artigo, complexo e pos-modernamente multi-fragmentado, de Romulus, que procura cercar os múltiplos elementos envolvidos neste momento crucial da crise do governo golpista e a perspectiva do golpe no golpe.

E, como bom economista [Romulus: advogado! Que estudou Economia por alguns anos e se especializou em direito econômico internacional] - contando além do mais com leitores tão excelente como ele - Romulus nos lembra que, num projeto político neoliberal, o deus Mercado é quem, de fato e em última instância, dá as cartas. Dois anos de recessão já não são suficientes? Então - depois de apoiar o golpe do impeachment - que se troque o gestor do golpe, no golpe do golpe.



Fora Temer! Que venha a verdeira elite, "cavalo" do Mercado, o PSDB! Embora, idealmente, o melhor mesmo seria... não haver...políticos (!), essa classe instável que depende... do voto ainda mais instável... do povo, representação da soberania popular! Portanto, que se demonizem os políticos e se esvazie de vez a política... pois então será possível ter no "governo" a elite "meritocrática" dos concursados, juízes e procuradores... que não atrapalharão o jogo do capital financeiro! Não por acaso Joaquim Barbosa volta aos noticiários e, em defesa de Moro, os coxinhas preparam nova manifestação na Paulista nesse fim de semana!

Complicado, não? Mas é contra esse pano de fundo que se deve entender o ultimato dado a Temer pelo PSDB para que se revise a política econômica, o que por sua vez leva o próprio Temer à "ameaça" de renunciar - o que a esquerda passa logo a exigir, pois daria lugar à convocação de eleições diretas - e enfim o próprio FHC a "defender" novas eleições (!). No outro lado, procuradores que "ameaçam" deixar a Lava Jato, o próprio juiz preparando-se para gozar um ano sabático nos USA (!), assim que "acabar" a famigerada operação - estaria tão perto assim o seu fim?

Nisso tudo, o Judiciário, em retaliação ao Congresso, julgando um processo engavetado por mais de 7 anos, torna réu o seu presidente, Renan Calheiros, enquanto a direita, no rastro de uma decisão do ministro Barroso sobre descriminalização do aborto, parte em campanha pela defesa da vida, que logo deverá tornar-se uma "PEC do feto" ou algo que o valha.Seria "ingenuidade" do ministro do STF abrir tal polêmica, verdadeira cortina de fumaça a embaralhar o cenário dos múltiplos confrontos?

Enfim, este é o panorama.Não desanimem com as idas e vindas de Romulus, e ao menos divirtam-se com sua ironia e seu humor... Boa viagem pela floresta densa do texto e do caos do momento na política nacional.

*



Querem saber, minuto a minuto, como foi ontem o espetacular confronto do Congresso com os iluminados procuradores da Lava Jato? Romulus faz o inventário completo do cenário e dos atores e ainda acrescenta, além da narrativa paralela das "figurinhas" que saem de sua imaginação flamejante, de seu humor e ironia, os comentários de alguns de seus leitores de excepcional competência.

É um trabalho insano e de urgente necessidade. Porque se trata de desmontar o discurso do moralismo rasteiro que a direita e a mídia transformaram em senso comum - envenenando com um ódio irracional a "opinião pública" - e confrontá-lo com a realidade do jogo político bruto que se esconde por trás do "combate à corrupção". Diante do resultado da votação do Congresso, muitos - até uma tia de Romulus! - perguntam: 'Você quer que eu acredite que os bonzinhos são esses corruptos?!". Não. Não é disso que se trata. O que é necessário é mostrar a diferença entre o poder de quem o exerce como direito derivado da soberania popular, segundo a Constituição, e dos que pretendem impô-lo graças a um concurso público que os torna servidores do Estado e não usurpadores de funções que não lhes compete exercer.

O Congresso está cheio de canalhas? Seguramente! Mas se os procuradores e os demais membros do Judiciário quiserem ocupar também o Legislativo e o Executivo - ao invés de manter sob chantagem, com a faca no pescoço, os dois outros poderes da República - que se filiem a um partido, concorram a eleições e então, ungidos pelo poder do voto popular, poderão entregar-se de corpo e alma à tarefa de "moralizar" o país. Até lá e preciso continuar a dizer NÃO à sua mal disfarçada ditadura, a serviço do capital financeiro, de interesses internacionais e de uma vergonhosa elite da Casa Grande que quer reduzir o país à condição de colônia e restaurar a Senzala onde voltar a confinar o povo brasileiro.

*


[Romulus: esse, "Maria" deixou passar! Im-per-do-á-vel!]

*







Numa série de artigos, Romulus vem explorando os desdobramentos da inesperada renúncia do ministro Marcelo Calero, que saiu do governo golpista atirando pra todo lado. Desconfiado desse súbito ataque de moralidade, foi explorar seus bastidores e a estranha sincronicidade desse evento com o acirrado debate em torno da anistia ao caixa 2, no momento em que está para ser votada no Senado a PEC 55.

O resultado é uma análise surpreendente, uma reviravolta na percepção da "opinião pública". O próprio Romulus comenta:

Grampo de Calero + articulação contra Temer:
- Você soube antes aqui! Rs
Oh, meu Pai!
Por que não sou afeito à jogatina??
Há tantos cassinos aqui na Suíça...
Por que nunca entro neles??
Depois de hoje, esta Cassandra que vos fala - de novo, gente! - vai reconsiderar...

E eu acrescento uma observação algo filosófica. "O bom senso é a coisa melhor distribuída do mundo, pois cada um acredita ter suficiente..." Pois é, Descartes tinha razão. Quando o oligopólio mediático convenceu a opinião pública de que o maior mal do Brasil (esquece a saúva, a desigualdade social) é a corrupção, e isso se converteu em senso comum, logo tomado por "bom senso", aí pensar política parece puro contra-senso!. Porque ela foi dominada pelo frenesi moralista que quer vingança e o sangue do inimigo, como a Rainha da Alice no País das Maravilhas que gritava: "Cortem suas cabeças! Os políticos são todos culpados, todos ladrões!" Isso é o que sustenta o acirrado debate sobre a anistia do caixa 2.

Trata-se da épica batalha entre, de um lado, os que são contra a sua aprovação - os políticos "puros" (e os oportunistas e os inocentes úteis), que se somam ao consórcio mídia/ Lava-Jato/ Judiciário/ PF/ MP/ Sérgio Moro - e, de outro, os "canalhas" do Legislativo e de quase todo o governo golpista, que derrubaram uma presidenta legitimamente eleita. E nesse melê poucos percebem que a vitória da "ética", com a destruição final do sistema político - que será acelerada pela delação do fim do mundo da Odebrecht - acabará por completar a judicialização da política, com a entrega do poder, por eleição indireta, ao único partido "impoluto" e até agora mantido como inatacável pela Lava Jato - o PSDB de FHC! E alguém duvida que nesse Novo Estado (não confundir com Estado Novo) enfim purificado a PEC 55 será aprovada e fielmente executada?

A matéria a seguir deu lugar a um acaloradíssimo debate, com direito a atualização para incorporar seus "melhores momentos. Confiram no próprio blog de ROMULUSBR. Vale a pena!

*



Diante dos impasses insustentáveis da crise política atual, dois juristas retornam às leis, da Carta Magna aos códigos de ética que regem as duas casas do Congresso, para mostrar a ilegalidade e ilegitimidade em que se arrastam a política brasileira e suas instituições desde o processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Por isso pedem que se desate o nó górdio pela única forma de real legitimação do poder num Estado democrático de direito: a expressão da soberania popular mediante um plebiscito preliminar. Consulta-se o povo soberano a respeito de uma nova votação para a Presidência da República e o Legislativo, após a cassação de seus titulares atuais, até que se complete o seu mandato ou, alternativamente, a antecipação das eleições gerais de 2018.

Por certo, a medida, que necessita aprovação prévia do Congresso, sofrerá duríssima oposição por parte daqueles hoje envolvidos no consórcio do golpe 2.0, até porque parte deles - os políticos - são os destinatários diretos da proposta e teriam seu mandado posto em cheque, caso ela fosse aprovada. Entretanto, a oposição maior virá, sem dúvida, dos demais parceiros do consórcio, o oligopólio mediático e o conjunto das instituições do Judiciário - PGR, MP, MJ, PF e, naturalmente, a Força Tarefa da Lava-Jato - além do consórcio dos interesses a que servem - rentistas, a banca, empresas e interesses internacionais. São eles os maiores beneficiários do golpe no golpe.

É, sem dúvida, uma proposta que vem em momento mais que oportuno, pois, segundo Renato Rovai, experiente analista político,

"... se Temer vier a cair no meio desse escândalo, o que “se vayan todos” ganhará as ruas de maneira irreversível. E agora ou em março do ano que vem umas eleições gerais pode acabar sendo a única saída para o país.

Mesmo que Temer não cai este ano, as eleições indiretas parecem a cada dia ser a solução menos possível. Ela teria imensa oposição das ruas."

É preciso ajudar a divulgar a proposta, torcendo para o seu êxito. Que venha a nova campanha por Diretas Já!

*


[Romulus: acreditam que ela também deixou passar esse aí? Justo o que me deu mais prazer de escrever... não porque o relato não fosse também de tragédias e farsas na repetição da História, mas porque - por um dia... um sábado de manhã! - me foi permitido sair da crônica do varejo do (atual!) golpe. Tsc, tsc, tsc, "Maria", "Maria"...]

*



Um relato verdadeiramente aterrorizante que, da Suíça, o carioca Romulus faz da situação do Rio de Janeiro, vista da perspectiva "esclarecida" de um ex-colega de profissão, advogado com quem trabalhou antes de ir para a Europa. Aí se somam a violência policial sem controle e a total alienação da classe média, que compra sem crítica a versão da política veiculada pelo oligopólio da mídia. E tudo isso em benefício de uma elite inteiramente alheia à sorte da classe média, dos policiais e, naturalmente, às consequências desse desastre na vida do povo.

É difícil dizer o que horroriza mais. A filmagem da ação policial numa favela é tão tenebrosa que me lembrou a de um dos primeiros vazamentos para o Wikileaks, acho que de Maning, de um helicóptero bombardeando no chão pessoas que haviam escapado dos tiroteios nas ruas. Em plena guerra, no Iraque ou no Afeganistão, nem dá pra lembrar, tão igual é a barbárie.

Quanto à visão "esclarecida" do ex-colega, é tão surreal e aterrorizante quanto a ação policial. Aliás, não há aqui nenhuma dicotomia. Ambas se completam como duas faces de uma mesma moeda. Não será de estranhar se dentro em breve morar no Rio de Janeiro (e não só lá, infelizmente) será como viver na Faixa de Gaza, como afirma Romulus, numa espécie de premonição tenebrosa.

*

Romulus:

Milton é tucano... mas não significa que não possa acertar em outros campos:



3 comentários:

  1. Excelente apresentação da Maria, que acompanha com a gente, com o coração na mão, as impressionantemente lúcidas análises e denúncias do Romulus. Que venham as diretas para que haja um mínimo de legitimidade nesse absurdo que se tornou a condução da política do país.

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  2. Se a matéria do Romulus era boa, ficou melhor ainda com a capacidade de análise da Maria!
    Esclarecedor!

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