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4.12.16

Fritura No. 2: Ilan Goldfajn. Quem cai antes? Meirelles ou ele?


Fritura No. 2: Ilan Goldfajn. Quem cai antes? Meirelles ou ele? (aliás, quem dos três, né?)


Por Ciro

Estou lendo um livro do Michael Hudson chamado "Killing the Host: How Financial Parasites and Debt Bondage Destroy the Global Economy". Recomendo a compra, é baratinho.

O livro é uma narrativa mais popularizada de seu trabalho fascinante. Como afilhado (literalmente, trata-se de seu padrinho de batismo) de Trotsky e que trabalhou como economista chefe do Chase Manhatan, ele descreve bastante bem mudanças nas próprias estruturas dos entes financeiros. Antigamente, ele diz, havia dois tipos de economistas nos bancos - aqueles que pesquisavam a realidade e aqueles que serviam de relações públicas. Hoje em dia só há os segundos.

Aí entra a grande questão. O mercado vendeu para a classe política, mídia e para boa parte da população a ideia de que, tirando a Dilma e sinalizando as reformas do ajuste a economia ia se recuperar. Parecendo ignorar que o Levy já tinha tentado isso um ano atrás, resolveram dizer que o remédio não funcionou porque o médico não estava acreditando que funcionaria.


Resultado, tirou-se a Dilma - faz-se o ajuste. Aprova-se a PEC (que nada mais é do que a garantia ao mercado de que uma dívida que não pode ser paga será paga - coisa que qualquer um que já trabalhou num banco sabe que é impossível - uma dívida que não pode ser paga não será paga.) A economia não se recupera. A instabilidade política permanece - decorrente tanto da lava jato quanto da falta de recuperação econômica (e as duas coisas são paralelas, não haverá uma sem o fim da outra).

O pior disso tudo é que existia muita gente achando que daria certo. Estes estão mais perdidos do que cego em tiroteio. Aí na hora em que o barco está explodindo e a deriva todos brigam entre si.

A meta de inflação de 4,5% por exemplo, era ortodoxamente impossível imaginar que se baixaria dos 10% (culpa da Dilma de ter reprimido inflação anterior para se reeleger, diga-se de passagem) para esse nível em prazo de um ano sem uma brutal recessão causada pelo arrocho monetário e fiscal conjuntos. O BACEN dizia que fazia-se necessário recuperar a "credibilidade" da autoridade monetária, credibilidade significando insensibilidade para qualquer outra coisa senão para os índices de preço. Para isso faz todo esforço para trazer a inflação para o centro da meta em 2017, mesmo se isso significar o fim do governo atual.

Quando a pessoa que crê numa solução mágica/miraculosa começa a perceber que tal solução não está vindo, existem duas alternativas - uns redobram a aposta dizendo que está faltando fé, que a recuperação está ali do lado, que "deus está nos provando" ou qualquer coisa nesse sentido - outros tentam descambar para qualquer outro tipo de solução imediata, mesmo que seja outra solução mágica.
A frigideira está assando, só não se sabe ainda quem será o prato oferecido - se Meirelles ou Goldfajn. Mas já se sabe que o Armínio Fraga será o escolhido para redobrar a aposta neoliberal.


Pena que não vai funcionar. Pena para todos nós.








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