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Queria poder dizer que criei esta montagem, mas não... recebi de um seguidor no Facebook, como comentário a um artigo anterior. rs ...

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6.4.18

Chegou a hora de uma anti candidatura - Por Roberto Xavier

Sobre o “clamor popular” contra e inevitável prisão de Lula tenho alguns pontos a considerar:

Enquanto esse “clamor popular” não colocar mais de 1 milhão de pessoas nas ruas como ocorreu na década de 80 pelas Diretas Já e no pré-impeachment de Dilma e quase isso nas manifestações dos “caras pintadas” contra Collor na década de 90 não será visto como pressão popular.

Enquanto Lula, preso ou não, for decisivo no processo eleitoral não há espaço para a negociação de uma alternativa democrática com esse Congresso que aí está, que queiramos ou não detém o monopólio da mudança dessa institucionalidade em vigor.

A alternativa de uma decisão por vias jurídicas seria uma interferência que não contribuiria para a solução, muito pelo contrário. Isso foi perfeitamente demonstrado no julgamento do habeas corpus ontem. (...) num grande acordo nacional. Com o Supremo, com tudo.

Ao fim e ao cabo, eleição sem Lula, é uma alternativa tão inconstitucional e politicamente ruim como foi tirar Dilma da Presidência sem crime de responsabilidade, ou seja, neste contexto as próximas eleições serão, um retorno ao pacote de Abril de 77 com a eleição de um Presidente Biônico, mesmo que eleito pelo voto popular

Está dado o impasse:

Lula não deverá disputar a eleição, seja porque estará preso, seja porque sua eleição neste momento não será capaz de pacificar o país, seja porque a coalizão de forças que nos colocou neste impasse continua a ditar as regras dessa insanidade. O fato é que não há mais como termos um processo eleitoral legal e democrático com ou sem a presença do ex-presidente.

As próximas eleições tem que se dar dentro do que mais próximo há da legalidade, ou seja, eleições diretas, com a participação de todos os candidatos, representando todas as forças políticas do país, inclusive Lula.

Não é porque acredito que a eleição de Lula, neste momento, será ainda mais prejudicial ao cenário político nacional que vou concordar com inconstitucionalidades, ou isso, ou como disse um certo Passarinho: “às favas, senhor presidente, com os escrúpulos de consciência”.

Também não tenho a menor simpatia pelo nosso Congresso Nacional, mas a eleição de Lula, ou de quem quer que seja, sem uma bancada com pelo menos 200 Deputados alinhados será um curta metragem de horror com a abertura de novo processo de impeachment em menos de 100 dias de governo

Querermos eleições de Lula não faz com que elas aconteçam muito menos que seja uma solução.
Neste momento é preciso trabalhar com a máxima política sintetizada por Antonio Gramsci na fórmula “pessimismo da razão e otimismo da vontade”.

O otimismo da Vontade nos diz que Lula seria eleito, mas o pessimismo da Razão diz que não governará para reverter o Golpe em curso e pacificar o país

Precisamos torcer para que cheguemos a eleição com um mínimo de instituições funcionando e com a retomada de processo democrático abortado pela crise política causada pela falência do modelo de presidencialismo de coalizão, incapaz de entender as demandas reais da população e minimamente mitigar as consequências de suas escolhas de ajuste macroeconômico e pela falência do sistema de representatividade política, que provocou a alternância no Poder por vias não eleitorais.

E isso já é bastante coisa.

Dado esse impasse a solução mais racional, por mais inviável que seja, seria que Lula se inspirasse em Ulisses Guimarães para se tornar, por motivos diferentes, um anti candidato. Deveria convencer o Partido e as Esquerdas a retirar sua candidatura e utilizar seu peso político e eleitoral para formar a maior bancada de esquerda possível para governar através do Congresso.

Só para lembrá-los a que estou me referindo, em 1973 durante o regime militar a sucessão de um novo general-presidente estava decidida. Mesmo assim, Ulysses Guimarães lançou-se candidato a presidente -anticandidato, já que sabia não ter chance.

Seu objetivo era a denúncia da eleição e da ditadura. "Não é o candidato que vai percorrer o País. É o anticandidato, para denunciar a antieleição, imposta pela anti-Constituição" discursou na Convenção do MDB de 1973, que o lançou tendo Barbosa Lima Sobrinho como candidato a vice.

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