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16.2.17

Nazismo e desconstrução de identidade


Nazismo e desconstrução de identidade



Por Maria

Encontrei um comentário interessante numa matéria do Cafezinho sobre uma denúncia contra a deputada Jandira Feghali. São tempos estranhos, esses, em que vivemos. Um  presente que evoca em nós estranhos ecos do passado.



Quem viveu 64 sabe que o que aconteceu com a população foi bem parecido com o que se descreve neste comentário. Acho que ele ajuda a entender um pouco a disseminação do medo e do ódio e, ao mesmo tempo, a sensação de paralisia em que a população hoje parece capturada. Com o agravamento da situação política atual, não é demais olhar o passado para tentar evitar um futuro que a cada dia mais parece tornar-se um déjà vu sombrio.


Emmanuel Andrade
14/02/2017 - 16:48:20

Acabei de ler recentemente um livro incrível que residia na minha cabeceira há muito tempo, aguardando um momento em que eu tivesse estrutura emocional suficiente para lê-lo até o fim.

Trata-se de "O coração informado", de Bruno Bettelheim. O livro mostra como a identidade e a integração psíquica das pessoas foram sendo destruídas nos campos de concentração e na sociedade alemã pelo trabalho diuturno da Gestapo, com a finalidade de consolidar o estado totalitário.

A primeira parte do livro trata da destruição da identidade e da integração dentro dos campos de concentração das formas mais cruéis imagináveis. Na segunda parte, ele vai examinar o fenômeno acontecendo na própria sociedade alemã. E aí, um dos instrumentos mais importantes da empreitada maligna era aumentar no indivíduo a ansiedade decorrente de não se saber de onde viria nem qual seria a acusação que pudesse levá-lo para o campo de concentração.

No início eram os líderes que eram presos mas, logo em seguida, passou-se a prender uma amostra aleatória do grupo para, no final, aprisionar grupos inteiros, como foi o caso dos ciganos.

Esse processo sai do ambiente social mais amplo para internalizar nas próprias famílias, com as delações que podiam nascer de qualquer lugar e por qualquer motivo, como por exemplo, a caça aos "resmungões". E se entre os presos houvesse alguém que não se enquadrasse na alegada acusação, melhor ainda, aumentava mais a ansiedade entre os que ficavam de fora.

Só havia duas alternativas para minimizar o sofrimento da ruptura da personalidade: ou reagir e ir à luta, com altíssima probabilidade de ser morto, ou aderir explicitamente ao Fuhrer, com toda a parafernália de sinais exteriores, que incluía abandonar o cumprimento informal entre amigos, substituindo-o pelo Heil Hittler.

E o que isso tem a ver com a denúncia contra a Jandira? A mensagem é clara: ninguém, a não ser a Gestapo, sabe quem será o próximo e por que razão será indiciado. Portanto, fiquem quietos e apenas obedeçam! Você não sabe o que sabemos sobre você! Parece um pesadelo mas, infelizmente não é.

*

Romulus:

O final do musical "Cabaret"


E um repeteco:

Que tal usar, analogamente, a anedota do sapo que se deixa cozinhar vivo se – e somente se – a subida da temperatura – da ambiente até a de fervura – for lenta e gradual?




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